quarta-feira, 8 de junho de 2016

Organizações denunciam na OEA mais de 10 violações da mineração no país

Na quarta feira 8 de junho, em audiência na Comissão Interamericana de Direitos da Organização dos Estados Americanos, em Santiago, no Chile, representantes de 19 organizações civis brasileiras, apresentaram denúncias de casos de violações a direitos humanos causados pela mineração. O crime da Samarco (Vale e BHP Billinton), em Mariana, que afetou 3,2 milhões de pessoas direta e indiretamente, na bacia do Rio Doce está entre os casos. As entidades também denunciam a falta de participação das vítimas na elaboração do acordo entre as empresas e os governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo. Outras denuncias também foram feitas, entre elas estão o projeto de expansão do Complexo Carajás, que deve atingir 22 cidades no Pará e no Maranhão; e o projeto Minas-Rio, no município de Conceição do Mato Dentro (MG).
de Justiça Global
A exploração e destruição causadas pela indústria extrativa são temas da audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), nesta quarta-feira, dia 8. Serão 14 casos em um informe, que representam a variedade de impactos que a mineração causa na vida de brasileiras e brasileiros. Entre os expostos estão o de Mariana (MG) e outros, como os casos de explorações de chumbo, ouro e urânio em diferentes municípios da Bahia, e o Complexo Carajás, maior projeto de mineração de ferro do mundo, no Pará e no Maranhão. A audiência, batizada de “Afetações aos direitos humanos devido à mineração no Brasil” ocorre dentro do 158º período extraordinário de sessões da CIDH, em Santiago do Chile, das 13h às 14h (horário de Brasília)
Durante a audiência, organizações e movimentos mostrarão como as práticas de violação são sistemáticas dentro dessa cadeia produtiva, desde a criação do projeto e obtenção de licenças até a execução ou mesmo em acidentes, como o ocorrido em Mariana. Há no informe, por exemplo, o caso de Piquiá de Baixo, bairro de Açailândia (MA) que convive com altos índices de poluição, que causam doenças respiratórias  e diversos outros problemas, como a contaminação da água, por causa de siderúrgicas que trabalham para a Vale. A empresa brasileira, aliás, aparece em destaque por sua política contínua de desrespeito aos direitos da população e da natureza.
A advogada da Justiça global Raphaela Lopes, que estará na audiência, lembra que historicamente as empresas vêm desrespeitando os direitos humanos no país, sendo que, no lugar de avançar na garantia de direitos, podemos sofrer ainda mais retrocessos na área. “O caso da barragem de Mariana é simbólico, por mostrar como a Samarco e suas controladoras, a Vale e a BHP, não são responsabilizadas pelos crimes que cometem, mesmo eles tendo escalas gigantes como esse, que levou a mortes, a destruição de cidades e a uma contaminação que perdura até hoje. Para completar, temos possíveis retrocessos, como o novo Código da Mineração, que no lugar de aumentar a fiscalização, pode criar ainda mais impunidade. Queremos denunciar isso internacionalmente até como forma de evitar esses retrocessos”, explicou a advogada.
A audiência foi solicitada por: Artigo 19; Coletivo Evangélico Ame a Verdade; Conectas Direitos Humanos; Fórum Capixaba de Entidades de Defesa do Rio Doce; Justiça Global;  Moralidade Pública e Cidadania (Moral); Núcleo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS); Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP); Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular; Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração; Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais (GEPSA); Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Movimento Nacional pela Soberania Popular frente à Mineração (MAM); e Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração do Ferro e Metais Básicos de Congonhas, Ouro Preto, Belo Vale e Região (Metabase Inconfidentes).

FONTE: JUSTIÇA GLOBAL

terça-feira, 7 de junho de 2016

LAMA DA SAMARCO CHEGOU MUITO MAIS FUNDO:

do 350.org Brasil texto Eng Alexandre G. Valente
Os dados apresentados no mais recente relatório técnico do Giaia - (Grupo Independente para Avaliação de Impacto Ambiental), surpreendem e sinalizam que a percolação do solo até o lençol freático não é suficiente para impedir a chegada dos metais nas águas profundas.
Confesso que ao analisar os resultados do relatório fiquei alarmado, já que a população imaginava que a filtração do subsolo impediria a entrada dos metais contaminantes no lençol freático e que estaria livre deles podendo beber diretamente da água captada nestas fontes.
O Giaia foi cauteloso na afirmação, porém eu sou categórico em dizer que a causa é a presença desses metais no assoalho do Rio Doce, principalmente no Espírito Santo onde o rio recarrega o lençol freático. Análises que faço das vazões do rio asseguram que trata-se de área de recarga confirmada pela escassez de nascentes no estado.
Em um dos poços artesianos analisados o ferro chegou a ultrapassar 1000 vezes o limite permitido seguidos do manganês e alumínio que ultrapassam 5 e 3 vezes respectivamente. O temido arsênio foi encontrado em teores limítrofes ou no limite máximo.
O CONSUMO HUMANO DESTAS ÁGUAS PROFUNDAS EXIGEM TRATAMENTO E NÃO PODEM SER CONSUMIDAS DE FORMA SEGURA CONFORME O MS 2914 DA ANVISA.
É óbvio que a SAMARCO negará seu envolvimento direto na contaminação, porém basta obtermos análises de águas subterrâneas históricas para que seja comprovada sua implicação direta na contaminação do lençol.
A brutal redução das vazões do Rio Doce. agora em regime laminar. (não turbulento) melhorou em muito as condições gerais das águas, mas com a sazonalidade das chuvas e com nenhuma ação de remoção dos rejeitos, podemos esperar que os contaminantes voltarão às águas nas próximas estações.
Vale a pena ler o relatório,, que em linguagem simples. permite a compreensão de todos sem que seja necessária formação técnica. Qualifico o relatório como preciso e didático..

Água para a Mineradora Yamana Gold e sede para o povo em MG

Em Riacho dos Machados, no Norte de Minas, a empresa canadense Yamana Gold Inc pretende construir uma barragem de água para a exploração do Ouro, Essa barragem vai agravar ainda mais os impactos negativos da mineração, na região.

A população rural e urbana de Riacho dos Machados, tem sérios problemas de acesso a água. Muitas famílias da cidade, não tem ao menos água encanada. Na roça, muitos utilizam água empossada no leito dos rios, rios intermitentes. O prefeito de Riacho tem um poço artesiano sem licença ambiental que distribui água para a população através de caminhões pipa - segundo documentário apresentado pela TV Aparecida.

O Atlas de Abastecimento Urbano da ANA aponta para a necessidade de ampliação do sistema de abastecimento, reconhecendo a situação de escassez do município.


Segundo o projeto da Mineradora e os próprios técnicos da empresa Yamana Gold Inc apontam, não será destinada nenhuma gota de água para a população. Os moradores localizados abaixo da barragem temem diminuir ainda mais a oferta de água para uso humano e dessedentação animal.

A mineração de ouro em Riacho dos Machados pertencia à empresa canadense, a Carpathian Gold e foi recentemente comprada pela também canadense Brio Gold subsidiária da Yamana Gold. A aquisição foi no valor de 51 milhões de dólares.  A Brio Gold foi criada pela Yamana no fim de 2014.  Opera as minas Pilar, em Goiás, Fazenda Brasileiro e C1 Santaluz, na Bahia. 

O plano é de exploração da jazida por muitos anos. Isso significa que a população ficará por muitos anos sem água.

 A licença está na mão da SUPRAM (Superintendência Regional de Meio Ambiente de MG) e pode ser aprovada a qualquer momento. Está na mão do Governo de Minas. O Governo de Pimentel vai permitir mais essa injustiça.???


Comissão Pastoral da Terra de Minas

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Carta do Encontro Brasileiro de Movimentos Populares em Dialogo com o Papa Francisco

Nós, Movimentos Populares e Pastorais Sociais reunidos em Mariana, Minas Gerais, em resposta ao chamando do Papa Francisco para o diálogo com os que lutam por “terra, teto e trabalho”, aqui viemos nos solidarizar com as famílias atingidas pelo maior crime socioambiental provocado em 2015 pela mineração no Brasil e alimentar nossa esperança na construção de outro mundo possível.

Povos indígenas, quilombolas, pescadores, comunidades tradicionais, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, agentes das pastorais sociais compartilhamos nossas experiências de lutas, dificuldades numa sociedade tão desigual. Debatemos a opressão das forças do capital, a fragmentação e criminalização dos movimentos sociais e as violências contra os pobres, negros, mulheres, jovens e LGBTs. Aprofundamos nossa reflexão e partilha das formas de resistência e luta, para enfrentar esses desafios. 

Clamamos junto com a Mãe-Terra, que o uso intensivo de agrotóxicos provoca a morte de nossos povos e rios. Denunciamos que a concentração da propriedade e o estímulo ao agronegócio geram conflitos e violências no campo e na cidade, por isso se tornam urgentes e necessárias a Reforma Urbana e a Reforma Agrária.

Queremos o fim da especulação imobiliária. Apesar dos avanços na política de moradia popular, a carência por moradia cresce a cada ano. O avanço do capital nos territórios, com estímulo ao extrativismo mineral, deixa um rastro de destruição ambiental, do qual o crime na Bacia do Rio Doce, provocado pela Vale e BHP Billiton, por meio da Samarco, com a conivência do  Estado, é um dos exemplos mais terríveis.

Neste momento de trevas no país, o encontro brasileiro surge com uma luz. Nos últimos anos, o modelo de desenvolvimentos adotado foi favorecido pelo contexto internacional, possibilitou avanços e garantias de direitos sociais, mas muito lucro para o capital.  Com a crise do capitalismo mundial iniciada em 2008, este modelo se esgotou. As forças do capital querem garantir seus interesses, mas nosso povo vem resistindo. Tomaram o governo federal por meio de um golpe, com apoio do Congresso Nacional e do Judiciário brasileiro, impondo o modelo neoliberal derrotado por quatro vezes nas urnas.

Dizemos não às privatizações propostas pelo governo interino e golpista, não ao desemprego e à terceirização que ameaçam diretos dos trabalhadores e trabalhadoras. No Brasil, a democracia sempre foi resultado da organização e da luta do povo. Uma vez mais é preciso fortalecer a aliança das classes populares. Mais do que isto, estamos desafiados a construir um novo projeto para o país. Projeto que além de garantir terra, teto e trabalho para todos e todas, com justiça social, esteja em sintonia com a Mãe-Terra.

Nós em diálogo com o Papa Francisco, reafirmamos o que está na Encíclica Laudato Si’: “Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise socioambiental. A solução requer uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza.”
Quem não luta, está morto! Quem luta, educa.
Com nossa fé revolucionária, fortalecemos nossa esperança na caminhada e a certeza na chegada. É preciso lutar para derrotar o golpe no Brasil, por isso nos comprometemos a ampliar as mobilizações, fortalecendo e diversificando os trabalhos de base, o diálogo entre os movimentos e ocupando as ruas. A luta imediata deve ser fermento no processo de construção de um projeto popular de país.

Encerramos o encontro no subdistrito de Paracatu de Baixo, com nossos pés na terra devastada pela ganância do capital, e em diálogo com os atingidos reforçamos nossa solidariedade e compromisso com a luta pela justiça, reparação e empoderamento do povo da Bacia do Rio Doce.

Após estarmos reunidos em Roma (2014), na Bolívia (em 2015), queremos convidá-lo a promover em terras brasileiras o 3º Encontro Mundial dos Movimentos Populares em Diálogo com o Papa Francisco, em outubro de 2017, em Minas Gerais. O convite é para manter viva a memória e o nosso compromisso de “cuidar bem da nossa Mãe-Terra, como Casa Comum de todos.

Ao som dos sinos de Mariana, ecoando a dor dos Atingidos e atingidas, clamamos por Justiça!

Mariana, Minas Gerais , Brasil,  4 de junho de 2016

domingo, 5 de junho de 2016

Vaticano aos movimentos populares do Brasil: Lutem pela Democracia.

O Cardeal Turkson, presidente do Conselho Pontifício de Justiça e Paz do Vaticano, em mensagem dirigida aos 300 participantes do Encontro Brasileiro de Movimentos Populares em Diálogo com o Papa Francisco, ao se referir ao momento crítico que vive o Brasil, escreve: "Eu sei que vocês estão vivendo um momento crítico em seu país. Vem-me à mente uma palavra fundamental "democracia". Vale a pena lutar, pacificamente, mas com tenacidade, por uma democracia plena e participativa."

O Encontro dos movimentos populares e pastorais sociais ocorreu na cidade de Mariana, em Minas Gerais, dos dias 2 a 4 de junho. Foram três os eixos temáticos: Terra, Teto e Trabalho. Se trata de continuação do convite feito pelo Papa Francisco, em 2013, aos movimentos populares do mundo inteiro. Já aconteceram encontros dois internacionais: Vaticano (2013), Bolívia (2015). Nesse encontro brasileiro os movimentos populares e pastorais sociais escolheram a cidade de Mariana, para sediar, como uma forma de solidariedade e compromisso com as famílias vítimas do crime da Samarco (Vale e BHP Billinton).

Em seguida na integra a mensagem do Conselho Pontifício de Justiça e Paz:

Roma, 3 de junho de 2016

Irmãos e irmãs dos movimentos populares do Brasil;


Em nome do Conselho Pontifício de Justiça e Paz os saúdo a todos e lamento não ter podido acompanhá-los nesse encontro onde retomam os debates e propostas em torno a este objetivo que fixamos em comum: procurar que os 3T - Terra, teto e trabalho - sejam respeitados em toda a Criação porque são, como assinala o Papa Francisco, direitos sagrados.

Que um belo gesto de realizar a reunião no Brasil em Mariana, em solidariedade com as vítimas do paradigma tecnocrático que coloca a natureza a serviço do ganho. Sabemos que a contaminação da bacia do rio Doce e suas comunidades costeiras é grave, e os acompanhamos na busca de que crimes ambientais como este não se repitam.

Eu sei que vocês estão vivendo um momento crítico em seu país. Vem-me à mente uma palavra fundamental "democracia". Vale a pena lutar, pacificamente, mas com tenacidade, por uma democracia plena e participativa.

Os recordo as três tarefas que o Papa Francisco vos propôs durante a reunião celebrada na Bolívia em 2015:
a) Colocar a economia ao serviço dos pobres
b) Unir nossos Povos na busca de Paz e Justiça
c) Cuidar da Mãe Terra

O Papa recordou-nos que as soluções para os grandes problemas do mundo, nascem da criatividade das mãos dos pobres, de suas mãos. Rezem por Ele e contem com as orações e o apoio deste Conselho Pontifício.

Obrigado por tudo que vocês fazem, e que Deus abençoe todos vocês. Que o exemplo de Maria, sempre firme adversidade, os inspirem a caminhar e a cantar! 

Cardeal Peter K.A. Turkson

     Presidente           

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Encontro Brasileiro de Movimentos Populares em Diálogo com o Papa

Na cidade de Mariana, nos dias 2 a 4 de junho, acontece o “Encontro Brasileiro dos Movimentos Populares em diálogo com o Papa Francisco”, no qual militantes e representantes de diversas religiões debaterão os temas mineração, trabalho, meio ambiente, terra, reforma política, território e moradia. Esse é o terceiro encontro e tem como objetivo divulgar as ideias do pontífice e fortalecer a articulação entre as igrejas e as organizações que defendem os direitos da população. O I e o II Encontro aconteceram no Vaticano, Itália, e na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

Hoje dia 1 de junho, às 19hs, a CPT (Comissão Pastoral da Terra) lança a segunda fase da Campanha Nacional em memória dos 40 anos de atuação da entidade, que trata do segundo eixo "Abrindo as porteiras".  Entre as ações previstas para esse mês, estão os debates online sobre o tema “Trabalho Escravo Contemporâneo”, que contará com a participação de importantes articuladores e defensores dos direitos humanos. A primeira fase tratou da "Memória" e a terceira tem como tema "Histórias".

A CPT surgiu em 1975 com o propósito de enfrentar a violação dos direitos de povos indígenas e de comunidades de posseiros que tinham seus territórios invadidos por grandes empresas que se estabeleciam na Amazônia. Dez anos depois começou a publicação do caderno “Conflitos no campo” com informações de assassinatos, ameaças e violência relacionados às questões da terra, da água e trabalhistas. Em 31 anos da publicação, foram registradas mais de 30 mil ocorrências.

A família franciscana está presente através da JUFRA (Juventude Franciscana do Brasil), a AFES (Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade) e o SINFRAJUPE.