domingo, 6 de outubro de 2019

A Igreja deve evitar "novos colonialismos: Papa Francisco, missa de abertura do Sínodo para a Amazônia


Abriu-se hoje a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica, de 6 a 27 de outubro, no Vaticano, em Roma. Como preparação, foram realizadas 57 assembleias, 21 fóruns nacionais, 17 fóruns temáticos e 179 rodas de conversa. No Brasil, foram realizadas 182 atividades. Como fruto desta escuta, a secretaria-executiva do Sínodo elaborou o Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho) do Sínodo Amazônico, material a ser estudado pelos bispos como preparação ao evento.

Na missa abertura celebrada na manhã deste domingo (06/10) na Basílica de São Pedro, reafirmo a intenção da Igreja de caminhar juntos com os povos da Amazônia:  “Muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Por eles, com eles, caminhemos juntos”. Disse ainda, que a Igreja deve evitar "novos colonialismos":  "Quando pessoas e culturas são devoradas sem amor e respeito - enfatizou o Papa Francisco - não é o fogo de Deus, mas o fogo do mundo. No entanto, quantas vezes o presente de Deus não foi oferecido, mas imposto, quantas vezes houve colonização ao invés de evangelização! Deus nos preserva da ganância dos novos colonialismos ". "O fogo causado por interesses destruidores, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é o do Evangelho", acrescentou o papa. "O fogo de Deus é o calor que atrai e reúne a unidade. É nutrido por compartilhar. , não com ganhos. O fogo devorador, por outro lado, acende quando queremos levar adiante apenas nossas próprias idéias, formar nosso próprio grupo, queimar a diversidade para aprovar tudo e todos ", concluiu Francesco.


“Muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Por eles, com eles, caminhemos juntos”, disse o Papa Francisco na missa de abertura da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, celebrada na manhã deste domingo (06/10) na Basílica de São Pedro

Vatican News - Raimundo de Lima - Cidade do Vaticano
“Reacender o dom no fogo do Espírito é o oposto de deixar as coisas correr sem se fazer nada. E ser fiéis à novidade do Espírito é uma graça que devemos pedir na oração. Ele, que faz novas todas as coisas, nos dê a sua prudência audaciosa; inspire o nosso Sínodo a renovar os caminhos para a Igreja na Amazônia, para que não se apague o fogo da missão.”

Foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã deste domingo (06/10) na Basílica de São Pedro, na abertura da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, evento eclesial que se realizará no Vaticano até o dia 27 deste mês, com o tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.
No início da celebração, a longa procissão de entrada com os 185 padres sinodais, 58 do Brasil. Na assembleia, também representantes de comunidades indígenas. A Eucaristia foi concelebrada com os treze novos cardeais, criados no Consistório presidido pelo Santo Padre no sábado à tarde.
Fazer Sínodo, caminhar juntos
Dirigindo-se aos padres sinodais, bispos provenientes não só da região Pan-Amazônica, mas também de outras regiões, Francisco, referindo-se à segunda carta de São Paulo a Timóteo proposta nesta liturgia do XXVII Domingo do Tempo Comum, ressaltou que o apóstolo Paulo, o maior missionário da história da Igreja, ajuda-nos a ‘fazer Sínodo’, a ‘caminhar juntos’; e que “parece dirigido a nós, Pastores ao serviço do povo de Deus, aquilo que escreve a Timóteo”, observou.

Recebemos um dom, para sermos dom, disse o Pontífice, acrescentando:
“Um dom não se compra, não se troca nem se vende: recebe-se e dá-se de prenda. Se nos apropriarmos dele, se nos colocarmos a nós no centro e não deixarmos no centro o dom, passamos de Pastores a funcionários: fazemos do dom uma função, e desaparece a gratuidade; assim acabamos por nos servir a nós mesmos, servindo-nos da Igreja.”
A nossa vida, dom recebido, é para servir, continuou. “Colocamos toda a nossa alegria em servir, porque fomos servidos por Deus: fez-Se nosso servo. Queridos irmãos, sintamo-nos chamados aqui para servir, colocando no centro o dom de Deus”, exortou Francisco.

Dom que recebemos é amor ardente a Deus e aos irmãos
Para sermos fiéis a este chamado, à nossa missão, enfatizou, “São Paulo lembra-nos que o dom deve ser reaceso. O verbo usado é fascinante: reacender é, literalmente, ‘dar vida a uma fogueira’”, explicou o Papa. “O dom que recebemos é um fogo, é amor ardente a Deus e aos irmãos. O fogo não se alimenta sozinho; morre se não for mantido vivo, apaga-se se a cinza o cobrir.”

Passar da pastoral de manutenção a uma pastoral missionária
Em seguida, o Pontífice fez uma premente exortação aos Pastores a serviço do povo de Deus:
“A Igreja não pode de modo algum limitar-se a uma pastoral de “manutenção” para aqueles que já conhecem o Evangelho de Cristo. O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial. Jesus veio trazer à terra, não a brisa da tarde, mas o fogo. O fogo que reacende o dom é o Espírito Santo, doador dos dons.”

Deus nos preserve da ganância de novos colonialismos
O fogo de Deus, como no episódio da sarça ardente, arde mas não consome). É fogo de amor que ilumina, aquece e dá vida; não fogo que alastra e devora. “Quando sem amor nem respeito se devoram povos e culturas, não é o fogo de Deus, mas do mundo. Contudo quantas vezes o dom de Deus foi, não oferecido, mas imposto! Quantas vezes houve colonização em vez de evangelização! Deus nos preserve da ganância dos novos colonialismos.”
“O fogo ateado por interesses que destroem, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é o do Evangelho. O fogo de Deus é calor que atrai e congrega em unidade. Alimenta-se com a partilha, não com os lucros.”
Francisco exortou a reacender o dom; receber a prudência audaciosa do Espírito, fiéis à sua novidade, acrescentando que o anúncio do Evangelho é o critério primeiro para a vida da Igreja.
Irmãos amazônicos aguardam consolação do Evangelho

Convidando a olhar juntos para Jesus Crucificado, para o seu coração aberto por nós, o Santo Padre concluiu com mais uma exortação: “Muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Por eles, com eles, caminhemos juntos”.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Declaração do Seminário Internacional de Justiça, Paz, Integridade da Criação e Mineração - Roma


Os impactos da mineração desafiam a Vida Religiosa Consagrada. Em nossas congregações e Ordens Religiosas essas realidades estão cada vez mais presentes e urgentes, no trabalho de Justiça, Paz e Integridade da Criação - JPIC. Nos últimos 10 anos, os promotores de JPIC das congregações se envolveram cada vez mais em questões de justiça ambiental e, mais especificamente nos desafios impostos pela mineração e  economia extrativista. 

Considerando o contexto mais específico da Igreja foi realizado de 25 a 27 de setembro, em Roma, um Seminário Internacional de JPIC e Mineração. Com os seguintes objetivos: (1) Analisar e entender a realidade da mineração e diferentes lutas, resistências e alternativas, a fim de identificar áreas de interesse, preocupação e colaboração mútuas. (2) Refletir a questão da mineração sob a perspectiva de Laudato Si e Eco-teologia. (3) Fortalecer o trabalho do JPIC na mineração, levando em consideração as alianças e redes de lutas locais, vinculadas nos níveis regional, nacional e internacional. Segue a declaração final do Seminário: 
Setembro 25-27, 2019 
Casa La Salle, Roma

Nós, participantes do Seminário de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) e Mineração, representando 36 organizações católicas e congregações religiosas diferentes de cerca de 14 países, nos reunimos em Roma de 25 a 27 de setembro de 2019. Como pessoas comprometidas com JPIC , nos reunimos em resposta à crise em curso referente ao impacto das atividades de mineração no meio ambiente, nos direitos humanos e no papel das organizações da igreja. No espírito e à luz do Sínodo da Amazônia, que está criando novos caminhos para a Igreja, somos gratos e inspirados pelas bênçãos e frutos da criação: a terra que nos dá comida, os rios e mares que nutrem a terra e tudo que sustenta a própria vida. Celebramos a interconexão e a sacralidade da criação, reconhecendo que os bens da Terra são finitos e alguns deles não são renováveis.
Ouvimos o clamor da terra e o clamor dos pobres e estamos profundamente tristes com as experiências reais das comunidades de base, ao testemunharmos a contínua destruição de nossa casa comum. Essa destruição, também descrita por Laudato Si, causa grande sofrimento. Por sua vez, exige uma resposta profética em nome das comunidades e da natureza atingidas pelo modelo de desenvolvimento extrativo.
O atual modelo de extrativismo é devastador e destrói nossa casa comum. Devora os bens finitos da terra, cria ciclos de violência e injustiça, expulsa as pessoas de seus lares, meios de subsistência e culturas e promove uma cultura materialista e descartável.
Como animadores e rede de justiça, paz e integridade da criação, vemos e reconhecemos os seguintes problemas-chave relacionados à mineração e extrativismo que precisam ser abordados:
1.    desequilíbrio de poder que afeta as próprias pessoas que enfrentam as ameaças e riscos da mineração e de outros projetos extrativos;
2.   impunidade, corrupção e outros situações que são impostos às comunidades, afetando sua capacidade de dizer não a projetos destrutivos de mineração e de exercer seu direito à autodeterminação;
3.    desrespeito aos direitos humanos, desprezo pela dignidade humana e atos contínuos de violência;
4.   maus-tratos à natureza considerada como simples coisa a ser usada para a satisfação da humanidade.
Quando a criação de Deus é desrespeitada, ficamos angustiados e indignados. E então nos voltamos para o Papa Francisco e somos guiados por suas palavras em Laudato Si
sempre se deve recordar que «a proteção ambiental não pode ser assegurada somente com base no cálculo financeiro de custos e benefícios. O ambiente é um dos bens que os mecanismos de mercado não estão aptos a defender ou a promover adequadamente». Mais uma vez repito que convém evitar uma concepção mágica do mercado, que tende a pensar que os problemas se resolvem apenas com o crescimento dos lucros das empresas ou dos indivíduos. … Além disso, quando se fala de biodiversidade, no máximo pensa-se nela como um reservatório de recursos económicos que poderia ser explorado, mas não se considera seriamente o valor real das coisas, o seu significado para as pessoas e as culturas, os interesses e as necessidades dos pobres. [LS190]
Segundo o que discutimos e refletimos durante este Seminário de JPIC e Mineração, percebemos que JPIC tem um papel singular a desempenhar,  de garantir e implementar a Laudato Si de maneira eficaz e significativa e cumprir nossa missão de acompanhar o povo de Deus e proteger nossa casa comum.
Precisamos responder com ações e, portanto, comprometemo-nos:
1.    à conversão ecológica integral contínua, resultando em escolhas pessoais e coletivas responsáveis que nos levam a um estilo de vida que honra a criação;
2.   a ser Igreja ativa para com as vítimas, onde, a partir de nossa espiritualidade, difundamos o Evangelho e o Ensinamento Social da Igreja, em particular Laudato Si. Com um papel profético de informar, conscientizar e mobilizar comunidades para a ação, vivemos em solidariedade com os povos atingidos. Queremos que sejam amplificadas as vozes dos pobres contra a mineração destrutiva e outras formas de extrativismo; não as substituiremos. Sempre respeitaremos os direitos das pessoas à autodeterminação. Apreciamos e reconhecemos a diversidade de espiritualidades das comunidades indígenas e somos companheiros respeitosos das comunidades. Sabendo que a violência pode ser dirigida contra nós e às comunidades que servimos, buscamos e promovemos ações de resistências não-violentas.
3.    a construir pontes e facilitar conexões entre congregações e dentro de cada uma delas, entre atores dentro e fora da Igreja e, em particular, entre a vida religiosa e as comunidades populares, assim como promover iniciativas ecumênicas, inter-religiosas e diálogo intercultural. Trabalhamos dentro das estruturas da Igreja e com a sua liderança, para que possa ser informada das realidades da mineração e advogar pelos direitos das vítimas e comunidades atingidas. Participamos juntos de plataformas de partilha de recursos e conhecimentos, para sustentar a interação, comunicação e solidariedade. Ao criar e nutrir condições para o diálogo e a negociação entre os atores envolvidos nas questões de mineração, praticaremos uma opção preferencial pelos pobres e trabalharemos no desenvolvimento de suas capacidades visando um significativo desenvolvimento.
4.   a compartilhar nossas vozes e a engajarmo-nos no trabalho contínuo de defesa de direitos, que inclua uma contundente proteção dos defensores de direitos humanos, ambientais e de terra, responsabilizando os governos em seu dever de terminar com a impunidade das empresas por abuso aos direitos humanos e garantindo às vitimas acesso à justiça. Esse trabalho de defesa de direitos inclua iniciativas das Nações Unidas, tais como: o Instrumento  Juridicamente Vinculante para Empresas Transnacionais e Direitos HumanosPrincípios Orientadores sobre Empresas e Direitos HumanosObjetivos de Desenvolvimento Sustentável, etc.
5.    a contribuir e a complementar o trabalho de organizações religiosas, movimentos sociais e sociedade civil com relação à Agenda de Ação do Fórum Social Temático sobre Mineração e Economia Extrativa criando sinergia e crescimento recíproco.
6.   a ampliar e aprofundar nossa compreensão de questões temáticas relacionadas à mineração e extrativismo, incluindo: i) o direito a “dizer não”; ii) alternativas como comércio justo, economia solidária e desenvolvimento integral local iii) transições justas; iii) mineração artesanal e tradicional; e iv) reflexão sobre direitos da natureza;
Confiantes no Espírito de Deus, unimos nossas reflexões, esforços e orações com aqueles de toda a Igreja neste momento de graça e neste momento tão importante, a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica.
Que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança. [LS 244]

Muito obrigado e pelas bênçãos de Deus,
Os 36 participantes do Seminário de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) e Mineração,
Sheila Kinsey, FCJM, Co-Secretária Executiva, JPIC
Fr. Rodrigo Péret, OFM, Igrejas e Mineração          


Para mais informações, entre em contato com Fr. Rodrigo Péret, OFM em rodrigoperet.afes@gmail.com ou Ir. Sheila Kinsey, FCJM em skinsey.fcjm@gmail.com.   

domingo, 1 de setembro de 2019

"Teia da Vida" é o tema do Tempo da Criação de 2019


De 1º de setembro a 4 de outubro, memória de São Francisco de Assis, cristãos em todo o mundo celebram o Tempo da Criação. Se trata de um mês de oração e de ação ecumênica.

Neste "Tempo", eventos específicos serão realizados para as diferentes comunidades, entre os quais se assinalam a Igreja Ortodoxa, Igreja Católica, Comunhão Anglicana, a Federação Luterana Mundial, o Conselho Mundial de Igrejas e a Aliança Evangélica Mundial. 

O tema de 2019 é: “A Teia da Vida”: a biodiversidade como bênção de Deus. A perda de espécies, de fato, está se acelerando: um relatório recente das Nações Unidas estima que o estilo de vida atual ameaça extinguir um milhão de espécies. O site ecumênico http://seasonofcreation.org/pt/home-pt/ oferece subsídios e idéias para os cristãos participarem da celebração.

Apelo do Papa pela Amazônia: acabar com os incêndios o mais rápido possível

Em uma carta, o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral convida os bispos católicos a aderirem à iniciativa ecumênica. O documento, que tem a data de 23 de maio, Dia Mundial da Biodiversidade, foi distribuído por ocasião do quarto aniversário da Carta Encíclica do Papa Francisco Laudato si’, para encorajar os pastores a celebrarem este tempo, estendendo às comunidades católicas o convite do Dicastério vaticano, ao qual se uniram o Movimento Católico Mundial pelo Clima e a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam). Este encorajamento torna-se ainda mais significativo em vista da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica, de 6 a 27 de outubro, sobre o tema: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

Tempo de viver a Teia da Vida - "Levante a Voz pela Amazônia"

Teia de Vida é o tema do Tempo da Criação 2019. Trata-se de pensar de forma integral, porque, como papa Francisco,  várias vezes menciona em sua Encíclica Laudato Si “tudo está conectado”. E se tudo está conectado, então é fundamental pensar na forma integrada como os seres vivos se relacionam entre si e com o meio ambiente. Não existem duas crises, uma social e outra ambiental. Mas uma só crise sócio-ambiental. Por isso a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu, no último 23 de agosto, nota sobre a situação em que classifica de “absurdos incêndios” e outras criminosas depredações em curso na Amazônia. Estas atitudes, segundo o documento, requerem posicionamentos adequados. “É urgente que os governos dos países amazônicos, especialmente o Brasil, adotem medidas sérias para salvar uma região determinante no equilíbrio ecológico do planeta – a Amazônia. Não é hora de desvarios e descalabros em juízos e falas”, diz a nota. Preserva a Teia da Vida é missão fundamental, em momento tão crítico.

Há uma alternativa à pura lógica do lucro
“A questão ecológica revela que o mundo é um só, que os problemas são globais e comuns. Para enfrentar os perigos é, portanto, necessária uma mobilização multilateral, uma convergência, uma colaboração, uma cooperação”. É o que escreve o patriarca de Constantinopla Bartolomeu na sua mensagem para o Dia de Oração pela Salvaguarda da Criação. “É inconcebível – lê-se no texto -, que a humanidade esteja consciente da gravidade do problema e que continue a comportar-se como se não a conhecesse. Embora nas últimas décadas o principal modelo de desenvolvimento econômico, no contexto da globalização sob a bandeira do fetichismo dos índices econômicos e da maximização do lucro, tenha exacerbado os problemas ecológicos e sociais, continua a dominar amplamente a opinião de que “não há alternativa” e que o não se conformar ao severo determinismo da economia levará a situações sociais e econômicas incontroláveis. Desta forma, se ignoram e se desacreditam as formas alternativas de desenvolvimento e a força da solidariedade social e da justiça”.

A voz da família humana
Esta celebração teve início sob os auspícios da Igreja Ortodoxa e desde então tem sido acolhida por católicos, anglicanos, luteranos, evangélicos e outros membros da família cristã em todo o mundo. O site ecumênico SeasonOfCreation.org oferece subsídios e idéias para os cristãos participarem da celebração. Os eventos variam de encontros de adoração e oração à coleta de lixo, e pedidos de mudança política para limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius. Outras iniciativas previstas são: em Quezon City, Filipinas, o cardeal Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, presidirá uma missa, depois da qual serão plantadas árvores trazidas de áreas indígenas para a cidade; em Altamira, voluntários da Amazônia brasileira organizarão um projeto florestal em um assentamento urbano; em Lukasa, Zâmbia, a Liga das Mulheres Católicas apresentará uma discussão sobre o meio ambiente na paróquia de São José Mukasa.
Mudando de rumo: o futuro é hoje
“Só agindo em conjunto, à luz da nossa Igreja e do Espírito Santo, poderemos avançar”, disse Tomás Insua, diretor executivo do Movimento Católico Mundial pelo Clima. “Nos últimos meses, incêndios violentos destruíram florestas na Amazônia, ondas de calor fizeram soar sinais de alarme em toda a Europa e os glaciares estão derretendo a um ritmo inimaginável, aumentando o nível do mar. Todos estes problemas partilham uma solução importante: devemos empreender a “conversão ecológica” requerida por São João Paulo II, que o Papa Francisco expandiu para Laudato Si.
FONTE: CNBB


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

1º/09 Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação

Lugar onde vivem os Yanomai na Amazônia
No próximo domingo, 1º de setembro, a Igreja no mundo celebra o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado com a Criação com  o tema central da humildade e da generosidade. A data é comemorada desde 1970 pela Igreja Ortodoxa com o objetivo de agradecer o dom da criação. Em carta, de 6 de agosto de 1995, o papa Francisco expressou desejo de, também, instituir o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, em 1º de setembro, assim como celebrado pelos ortodoxos. Para Francisco, a data favorecerá o testemunho e comunhão com os ortodoxos e o patriarca ecumênico Bartolomeu I.
“Como cristãos, queremos oferecer a nossa contribuição para a superação da crise ecológica que a humanidade está vivendo. Por isso devemos, antes de tudo, buscar no nosso rico patrimônio espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação, lembrando sempre que para aqueles que creem em Jesus Cristo, Verbo de Deus que se fez homem por nós…”, disse o papa na carta que instituiu a data.
Dia de Compromisso – O bispo de Roraima e segundo vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Mário Antônio da Silva reforça que Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação é um dia de compromisso. Para ele, rezar não é apenas falar, é dialogar e comprometer-se com a vida. “Deus criador nos criou para sermos capazes de cuidar, defender e nos comprometer em defesa da vida”, disse.
O segundo vice-presidente da CNBB reforçou que merece mais destaque as ações voltadas para a vida mais ameaçada, a vida de todo planeta, começando pela vida humana e de todas as formas de criação. “Defendamos a vida esta é a vontade do criador, que seja também a vontade de todos os seres viventes”, disse.
Segundo o bispo, à luz da encíclica Laudato Sí, o cuidado com a criação consiste em proteger a vida. “O papa Francisco nos convida na Laudato Sí a uma conversão ecológica e a, de fato, uma vivência da ecologia integral que consiste no cuidado com o todo da vida de maneira prioritária, com a vida humana”, reforçou. Cuidar da criação, defende dom Mário, é cuidar da vida humana, da vida de todas as criaturas, para que todos tenham vida em abundância.
FONTE: CNBB


terça-feira, 27 de agosto de 2019

Hélder Câmara profeta da América Latina

Essa terça-feira, 27, marca os 20 anos do falecimento de Dom Hélder Pessoa Câmara, arcebispo emérito de Recife e Olinda (1909-1999), ou simplesmente Dom, como era conhecido por milhares de seus admiradores. Coincidência ou não, na próxima semana, a figura do religioso que foi um forte adversário do regime militar brasileiro e indicado quatro vezes ao prêmio Nobel da Paz pela sua luta pelos Direitos Humanos, entra em uma nova etapa no processo de sua santificação, a abertura da fase romana das investigações.
Com o processo local aceito em 2018 pelo Vaticano, formalmente Dom Hélder já detinha o título de Servo de Deus. Agora, com os trabalhos que serão realizados no centro do catolicismo, após o reconhecimento de que Dom Hélder praticou em “grau heroico as virtudes cristãs” pelo Papa, o religioso será declarado Venerável.
No ano passado, Dom Helder Pessoa Câmara foi declarado Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos. A lei de número 13.581/2017 foi sancionada e publicada no Diário Oficial da União em 26 de dezembro.
RESISTÊNCIA – Mesmo com a simplificação do processo de canonização formulado no pontificado de João Paulo II (1920-2005) com a possibilidade do início se dar após cinco anos do falecimento de um postulante à santificação, o processo de Dom Hélder somente deslanchou de fato após a substituição de seu sucessor, Dom José Cardoso Sobrinho, pelo atual arcebispo de Recife e Olinda, Dom Antônio Fernando Saburido.
Pedidos e pressões não faltaram à época para que o processo de reconhecimento de Dom Hélder tanto de leigos, religiosos como padres e até a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. No entanto, como fontes da própria Igreja confessavam, Dom José resistiu ao máximo, pois além de se confrontar abertamente com o estilo pastoral de seu antecessor, teria sido colocado no seu lugar para desmantelar todo o trabalho progressista edificado por Dom Hélder.
ETAPAS – Após ser declarado Venerável, todo e qualquer relato de milagres que possam ser atribuídos a intercessão de Dom Hélder passam a ser compilados. Os casos selecionados são analisados por um junta de especialistas da Congregação para a Causa dos Santos, que inclui consultores procedentes de diversas nações, peritos em história e teologia, além de um conselho médico. Com a comprovação de um milagre reconhecido pela Igreja, o “candidato” é declarado Beato. A canonização, ou seja, a inscrição de uma pessoa no livro de santos oficiais da Igreja Católica, só é possível após a comprovação de um segundo milagre, ou uma dispensa especial do Papa.
FONTE: EXTRA CLASSE

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Brazilian Bishops Conference asks: "Raise your voice for the Amazon"

Brazilian Bishops Conference Statement

The Brazilian people, their representatives and servers have the greatest responsibility in the defense and preservation of the entire Amazon region. Brazil has significant extension of this precious territory with the rich treasure of fauna, flora and hydro resources. The nonsense fires and other vandalism require criminal now suitable positioning and pressing steps. The environment needs to be addressed in the parameters of integral ecology in line with the teaching of Pope Francis, in his Encyclical Letter Laudato Si 'on the care of the common home.

"Raise your voice for the Amazon" is a movement now indispensable, in contrast to the understandings and wrong choices. The severity of the tragedy of the fires, and other irrational and greedy situations with impacts of large-scale, local and global, require constructively raising awareness and correcting course, is raise your voice.
It's time to speak, choose and act with balance and responsibility, to assume that all the noble mission of protecting the Amazon, respecting the environment, traditional peoples, indigenous, who are brothers. Without such a commitment, all will suffer irreparable losses.
The Synod of Bishops on the Amazon, next October, in loving and prophetic line with the call of Pope Francis, in the fulfillment of missionary work and evangelization, is a sign of hope and a source of important information on the duty to preserve life, from the respect of the environment.
"Raise your voice" to clarify, specify and act different, overcoming the mismatches coming from a long and misguided human intervention, predominantly the " throwaway culture" and extractive mentality. The Amazon is a region of rich biodiversity, multi-ethnic, multicultural and multi-religious, mirror of all humanity, in defense of life, requires structural and personal changes of all human beings, States and the Church.
It is urgent that the governments of the Amazon countries, especially Brazil, take serious steps to save a crucial region in the ecological balance of the planet - the Amazon. Is not time for follies and misfortunes on judgments and speeches. "Raise your voice" in the prophetic voice of Pope Francis to ask to all those in responsible positions in the economic, political and social field: "Let us be guardians of creation."
Let us build together a new social and political order in the light of the values ​​of the Gospel of Jesus, for the good of humanity, Pan-amazônia, the Brazilian society, particularly the poor of this earth. It is essential for us to promote and preserve life in the Amazon and in all other places in Brazil. In lucid dialogues and understanding, which "raise your voice"!
Brasilia-DF, August 23, 2019

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Archbishop of Belo Horizonte - MGPresidente CNBB
Don Jaime Spengler OFM
Archbishop of Porto Alegre - RS1º Vice-President of the CNBB
Bishop Mario Antonio da Silva
Bishop of Roraima - RR2º Vice-President of the CNBB

Bishop Joel Portella Amado
Auxiliary Bishop of S. Sebastiao do Rio de Janeiro – RJ General Secretaty of the CNB