segunda-feira, 12 de novembro de 2018

África do Sul: Fórum Social Temático Mineração e Economia Extrativista

Iniciou em Johanesburgo, África do Sul, o Fórum Social Temático sobre Mineração e a Economia Extrativista. Com a presença de 370 delegados de mais de 50 países, de todos os continentes, o Fórum irá de 12 a 15 de novembro.
O objetivo é reunir a sociedade civil para analisar a mineração e a economia extrativista, compartilhar, refletir e buscar estratégias para gerar e disseminar uma narrativa alternativa sobre o impacto da mineração em comunidades afetadas por minas e fortalecer as lutas. Também é importante permitir e incentivar o diálogo entre trabalhadores e comunidades locais, que muitas vezes resistem às grandes empresas e são acusados ​​de restringir o número de empregos locais. Ainda na mesma linha, é urgente ampliar as articulações entre as comunidades atingidas pela mesma empresa, que atua em diversos países, para criar redes de negociação, confronto e resistência. Também é urgente articular e aprender com os diferentes atores atingidos e mobilizados: mulheres, camponeses, povos indígenas, comunidades tradicionais, sindicalistas e igreja local. É importante que construir sobre as expressões concretas das alternativas e buscar soluções adicionais para o extrativismo. Finalmente, entender a expansão da mineração e seus impactos no âmbito da economia extrativista e os efeitos das mudanças climáticas, é necessário para permite alianças com aqueles que trabalham contra o agronegócio, a pesca predatória e a exploração florestal.
 Nas últimas décadas temos testemunhado a intensificação do extrativismo, um modelo destrutivo baseado no abuso dos chamados “recursos naturais”, dos quais a mineração é um caso exemplar. Este modelo, em nome do progresso e do desenvolvimento, tem sido devastador e degradante. Envolvido uma super exploração de trabalhadores, a desapropriação sistemática de comunidades, intensificação das condições de aquecimento global e injustiça climática. Esse modelo sujeita economias locais a uma lógica de acumulação que beneficia empresas transnacionais – os novos governantes do mundo. Mulheres, trabalhadores, trabalhadoras sem terra, povos originários, comunidades tradicionais e camponeses resistem e  lutam por um outro mundo.

Este Fórum Social Temático sobre Mineração e a Economia Extrativista tem o fim ambicioso de consolidar um movimento extenso de resistência e assegurar controle social sobre as atividades extrativistas, assim como o lançamento da Campanha pelo o “Direito de dizer não” a projetos socialmente e ambientalmente degradantes. Aos delegados nesse Fórum cabe a tarefa de interagir as lutas as lutas e intensificar a solidariedade. A crise climática que se aprofunda, a ascensão da direita e a crise econômica que o nosso povo experimenta, em várias partes do planeta, torna isto URGENTE!

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Papa Francisco agradece a carta de apoio da Conferência Franciscana do Brasil

Através da Nunciatura Apostólica, o Papa Francisco envia resposta de agradecimento à Conferencia da Família Franciscana do Brasil (CFFB), pelo apoio ao seu pontificado, expresso em carta a ele envida, em 31 de agosto de 2018. (Clique aqui e leia carta enviada pela CFFB)


Em apoio, ao Papa Francisco, a CFFB citava o panorama desafiador do mundo de hoje, comoo aprofundamento perturbador de políticas e retóricas globais de ódio e violência, que incitam a desintegração das relações humanas, a desfiguração do Sagrado e a ruptura cada vez maior do humano com a Terra, nossa Casa Comum e fonte da vida” assim como a crescente agressão e resistência que sofre o pontificado de Francisco e seus apelos de seguimento ao Senhor, no rosto ferido dos feridos de nossos dias, vem sofrendo. A CFFB esternava ainda, apoio irrestrito ao Papa, em suas medidas contra os casos de abusos na Igreja, afirmando que ele  "nos precede na caridade e na misericórdia. E uma palavra é sempre necessária: o Papa não está sozinho! Somos contigo!”.

Clique aqui para ler a resposta do Papa na integra.




Samarco: Três Anos de Crime e Impunidade

As empresas Vale e BHP Billinton, há três anos desde o desastre criminoso, continuam impunes. Ocorrido em 5 de novembro de 2015, quando a barragem de rejeitos da Samarco (Vale – BHP Billinton) rompeu, no estado de Minas Gerais, o cenário deixado pelo desastre, em alguns distritos, continua  o mesmo. A lama percorreu cerca de 650 km entre Mariana, em Minas Gerais, até a foz do Rio Doce no município de Linhares, Espírito Santo, espalhando-se por várias comunidades ao norte e ao sul da foz. Foram mortas 19 pessoas e um aborto, vários distritos devastados e uma lama tóxico poluiu rios e o solo, na bacia do rio Doce.

Hoje, as vítimas que perderam tudo ainda estão vivendo de ajuda de emergência e muitas ainda não receberam compensação. Enquanto isso, a empresa responsável pela represa, a Samarco, está fazendo tudo o que pode para reiniciar as atividades de mineração.

Para se ter uma noção da situação de morosidade, que favorece a empresa e reforça o clima de impunidade, só no município de Mariana (MG), o cadastro de atingidos, em alguns locais, ainda está em estágio inicial.  Na cidade de Linhares, no estado do Espírito Santo, são mais de 6 mil para serem distribuídos.

O processo criminal se arrasta. A apuração de eventuais responsabilidades de servidores públicos do Estado de Minas Gerais, no que diz respeito à processos de licenciamento, bem como de fiscalização, nunca foi concluído.

Em março de 2016 foi criada a Fundação Renova, fruto de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC),  para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem.  Esse TAC foi firmado, a portas fechadas, entre BHP Billiton Brasil, Vale, Samarco, o governo federal,  os governos do Espírito Santo, de Minas Gerais e entidades governamentais, sem a participação dos atingidos. Na verdade essa Fundação é um braço das mineradoras, se apresentando como quem dialoga e negocia com as comunidades, que nada mais faz do que postergar a solução dos problemas , mantendo sem previsão a reparação real dos impactos e danos que afetam a vida das famílias atingidas.

Em outubro de 2018, o Ministério Público no Estado de Minas Gerais (MP-MG) e a Fundação Renova fecharam acordo para indenização de atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana. Contudo, esse acordo vale exclusivamente para moradores de Mariana atingidos. Um total, hoje, de aproximadamente 3 mil pessoas, mas que pode chegar a 4 mil. O documento foi assinado pela Fundação Renova e o Ministério Público, tendo a participação dos atingidos, acompanhados da Assessoria Técnica Cáritas, e da Defensoria Pública. O acordo permite que cada um dos atingidos possa se reunir com a Renova para negociar uma proposta de indenização individual.


Um inquérito da Polícia Federal, apresentado em 2016, apontou que houve negligência por parte da mineradora Samarco. De acordo com o documento, houveram falhas graves de manutenção da barragem e a empresa não tomou as providências necessárias diante de problemas detectados por consultores e informados desde 2014.

sábado, 3 de novembro de 2018

Brasil real: ouro, miséria, sonho e degradação.

Irrompe no Mato Grosso, mais um sonho que associa uma contradição já conhecida, ouro, miséria, sonho e degradação. 

A notícia se espalhou rapidamente e milhares de garimpeiros se diregem à uma área, que já conta com uma grande cratera, que fica a cerca de 11 km do centro de Aripuanã (1.002 Km a noroeste de Cuiabá). O local já foi batizado de a nova “Serra Pelada” e continua atraindo milhares de pessoas enquanto a polícia monitora a situação e aguarda uma ordem judicial para promover a retirada dos garimpeirso a exemplo do que ocorreu em 2015 no município de Pontes e Lacerda (448 Km a oeste de Cuiabá).


Diversos videos e fotos mostram centenas de pessoas tentando encontrar ouro. Este vídeo acima divulgado nas redes sociais mostra dezenas de pessoas com sacos e pás remexendo em montes de terras retirados pela retroescavadeira.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Bolsonaro: The Rise of the Brazilian Fascism

Brazil has just elected a racist, sexist, homophobic and defender of torture president. Jair Bolsonaro, former military paratrooper, nostalgic for the dictatorial period (1964-1985), which according to him was only a period of strong government regime. He considers as his idol, an army colonel, two was one of the fiercest torturers of that period.

Bolsonaro, right-wing candidate closes a short period of thirteen years, in Brazilian history, of governments led by the Workers Party (PT) of Lula, to which are added thirty-three years of moderate political alternation between the center-left and the center-right.

To have a notion of Bolsonaro’s ideology and thoughts, in an interview he said he would prefer that his son die rather than be homosexual. In front of the television cameras, he told a congresswoman that he would not rape her because she was ugly. On the other hands, the elected vice president of Brazil, an army general, is a consistent defender of coups. The president's son just elected for the Congress speaks openly about closing the Supreme Federal Court.

Encouraged by this way of thinking, the judiciary, which participated at the 2016 parliamentary coup, is censoring universities. Radical right-wing groups are openly offending and already killing gay people in the streets and attacking landless and homeless occupation camps, as well as indigenous peoples reserves.

What concretely is being designed, as a future is an authoritarian, militaristic government supported by ultraconservative religious evangelical and catholic pentecostal fundamentalist groups, which forces emerged strengthened in Brazilian Congress, after this election. It is elected a government that condemns abortion but approves approve the extermination of ethnic, LGBT + and feminist groups, as well as social movements.

A great challenge for that new government will be to get the country out of the economic crisis, which deepened after the coup of 2016. Brazil has an alarming budget deficit, 13 million unemployed and a pension system with big debts, due to large corporate debts. The new president, who clearly does not understand anything about economics, as he himself openly asserts, will leave the solution to these problems in the hands of Paulo Guedes, ultraliberal economist PhD from the Chicago school, which, in turn, shows little appreciation for politics.

Guedes aims to privatize everything he can, reduce the tax burden - serving the wealthiest - and "de-bureaucratize" labor relations. The financial market is happy because it must win in the short term. The risk rating agencies, however, express concern with the military's long-term government. The Chicago school itself is afraid of being associated with the excesses of the president-elect.

Bolsonaro government plan promises to flexibilize the socio-environmental licensing process for new extractive sector enterprises, changing many procedures, such as reducing environmental protection requirements. According to him, Brazil needs to release the mining potential of the Amazon, the 690-million-hectare rainforest located in the heart of South America, held steady. During his electoral campaign, he defended a political position to deliver the natural resources of the Amazon, to transnational corporations, eliminating environmental protection areas, extractive reserves, and NGOs, that, historically, struggles in defense of the traditional populations and indigenous people’s. He, also, threatens Brazil's withdrawal from the international climate change treaty (Paris Agreement).

Bolsonaro promised to put an end to all indigenous reservations and "quilombola" (Afro-descendant) traditional communities and intends to configure as "terrorism" the activities of the Landless Rural Workers Movement (MST) and the Homeless Workers Movement (MTST).

So far, Bolsonaro has already announced the participation of 6 army generals, to occupy different Ministries, in his government.

The perspectives for the near future are terrible and very uncertain. However, in the last weeks, during the end of the electoral process, we are living a certain citizen awareness movement, some sectors of the population, realized an imminent danger. A certain union is being affirmed, a probable consolidation of the Broad Democratic, Popular and National Front.
Rodrigo Péret, ofm

sábado, 27 de outubro de 2018

Papa Beatifica dois franciscanos da Guatemala

Em tempos de ameças a direitos,  pregação de ódio e risco à democracia, o Papa Francisco reconhece "Beatos da Igreja",  o  Frei Tulio Maruzzo, franciscano (OFM) e o Catequista Luis Obdulio Arroyo, franciscano secular (OFS) por darem suas vidas no trabalho que desenvolviam junto aos camponeses pobres, na defesa de seus direitos e terras. Foram assassinados, em 1o de julho de 1981, no departamento de Izabal, na Guatemala.  

A questão de terras  era muito forte na região de Izabal. O frei Tulio e Luis sabiam muito bemque não era possível enfrentar o problema diretamente; as pessoas que faziam os abusos eram protegidas pelo exército e o Governo da Guatemala. Era necessário encontrar uma solução. Começaram então, a partir de um Centro de Formação para Catequistas, um processo educativo para os camponeses, que eram analfabetos, sobre seus direitos, aconselhando-os a se organizarem para procederem à legitimação de suas próprias terras. Pediram ajuda à Caritás, para que colocasse à disposição tabeliões e advogados honestos. Isso despertou a oposição dos paramilitares que começaram a controlar os passos do frei Tulio e do Luis. Os militares e os fazendeiros temiam o testemunho de vida simples e pobre, que tornava o franciscano muito próximo à gente comum do lugar. Passaram a acusa-lo de “guerrilheiro” e de “comunista”. Acusavam as atividades do Centro de Formação de Catequistas, bem como a vida dos próprios catequistas. Começaram a acusar que o frei Tulio e o Luis teriam relações com a guerrilha e que o Centro Catequético seria para uma revolta.

O Centro de Formação para catequistas fazia trabalho de alfabetização, instruindo na doutrina da Igreja Católica, em agricultura e de criação de animais, bem como nos direitos civis e no conhecimento da Constituição do Estado da Guatemala.

Esses feitos levaram as autoridades militares a decidirem pelo assassinato do frei Tulio e do Luis, considerando-os como incômodos, que atrapalhavam seus interesses. Essa decisão em um ambiente onde atuavam “esquadrões da morte” foi como que uma sentença contra a vida dos dois.

No dia 1o de julho de 1981, às 23h30, o frei Tulio e o irmão Luis, no retorno do acompanhamento de alguns estagiários para suas casas, na Vila dos Novos Povos, foram vítimas de emboscada. Um menino de 11 anos foi colocada na estrada, fingindo pedir uma carona. Ao pararem o carro, os paramilitares saíram de uma plantação de bananas, mandando que os dois saíssem do veículo e dispararam contra eles. Os cadáveres foram deixados estendidos na estrada, quase uma hora mais tarde foram encontrados. O carro estava com as luzes acesas e as portas abertas.

Esses mártires que derramaram seu sangue ao servir com amor a seus irmãos, no estilo de

Jesus, foram "mortos por ódio à fé" e o Papa Francisco autorizou a beatificação. A cerimonia aconteceu neste 27 de outubro de 2018, no Centro Esportivo Morales, em Izabal. O Cardeal Giovanni Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, enviado do Papa Francisco, presidiu a missa de beatificação, com a presença de milhares de pessoas.

Se tornaram exemplo de vida cristã comprometida com a dignidade das pessoas e a luta pelos direitos humanos. Que suas vidas nos inspirem para nos mantermos sempre disponíveis ao amor pelos outros e na defesa por uma sociedade cada vez mais justa, sem ódio e violência.