terça-feira, 31 de julho de 2012

Só em São Paulo favela pega fogo!!!

Mais uma favela de São Paulo pegou fogo na madrugada do dia 27, 400 desabrigados. Nos últimos quatro anos, segundo o Corpo de Bombeiros da capital paulista, mais de 500 favelas foram atingidas por incêndios na cidade de São Paulo. As suspeitas de que essas ocorrências sejam criminosas – para abrir espaço a empreendimentos imobiliáros – motivou a criação de uma CPI na Câmara de Vereadores. Instalada em abril deste ano, a Comissão encerra seus trabalhos no próximo dia 8 sem ter ouvido um único depoimento. Fonte e Foto: Brasil Atual

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Balanço da Via Campesina sobre a Cúpula dos Povos e Rio + 20

Durante uma semana, no marco da Cúpula dos Povos, a Via Campesina se mobilizou no Rio de Janeiro para dizer “Não à Economia Verde” e para dinamizar um processo de construção de novas alianças baseadas nos eixos debatidos nas plenárias e assembleias dos povos e na mobilização nas ruas, para mostrar quais são as verdadeiras necessidades e aspirações dos nossos povos.
Com alegria voltamos às nossas lutas cotidianas com a satisfação do dever cumprido, com o compromisso de fortalecer os espaços construídos nestas jornadas e com o desafio de seguir dando corpo em nossas realidades locais às reflexões e agendas de ações propostas nas plenárias e Assembleias dos Povos.
Os dias de convivência entre as centenas de companheiros e companheiras da Via Campesina, vindos e vindas de toda a América Latina e do mundo junto aos milhares de integrantes da Via Campesina Brasil, foram fortalecidos com as mobilizações diárias que nos levaram a participar de marchas massivas, seja acompanhando as mulheres em luta ou repudiando as grandes corporações multinacionais representadas neste caso pela mineradora Vale. Cada amanhecer viu como as mulheres e homens da Via Campesina se somaram a outros movimentos para acompanhar as comunidades atingidas por megaprojetos, “escrachar” os repressores ou denunciar as corporações do agronegócio e os agrotóxicos, personificadas neste caso pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Tudo isso culminou na grande marcha unificada do dia 20 de junho, na qual mais de 80 mil pessoas marcharam para coroar de ouro a Cúpula dos Povos.
E antes ou depois de cada mobilização todos e todas convergimos e contribuímos nos debates das cinco plenárias, nas quais centenas de vozes foram tecendo as denúncias sobre as causas estruturais e as falsas soluções que o capitalismo, agora maquiado de verde, quer nos oferecer para não enfrentar as verdadeiras causas das múltiplas crises que o mesmo capitalismo tem provocado. Mas, como povos, já temos nossas propostas e também as compartilhamos e enriquecemos com outras e outros que chegaram com o mesmo objetivo. Assim foi que nossas soluções e as propostas de uma agenda para seguir construindo no futuro ocuparam a segunda parte das nossas plenárias.
Desde a plenária de Soberania Alimentar, a denúncia ao sistema capitalista patriarcal, discriminador e racista ressoou com ecos que se multiplicaram com as vozes das outras plenárias, de maneira a deixar claras as verdadeiras causas dos problemas que hoje colocam a humanidade à beira do abismo. E também, desde aí, a denúncia ao agronegócio como responsável pela destruição da natureza, a exclusão dos povos, a mercantilização da vida e principal responsável pela crise climática e a perda da biodiversidade se expressou de maneira contundente.
A Via Campesina propôs, há 16 anos, a Soberania Alimentar como caminho político para transformar nossa sociedade a partir dos camponeses e camponesas do mundo. Em nossas Assembleias foram centenas de organizações que se somaram a este caminho com claridade e firmeza. Tal como levantou o documento da plenária, “os governos e as corporações trabalham com grande sintonia pela apropriação dos bens comuns da vida e de nossos direitos. Convocamos os povos a se unir e levantar na luta por uma nova sociedade e na construção da soberania alimentar e popular. Não é possível a soberania alimentar no capitalismo.”.
A Cúpula oficial também ocupou nossa atenção e ali estivemos compartilhando nossas propostas e esperando que os governos mostrassem maturidade para assumir compromissos e deixar de serem fantoches das corporações. Lamentavelmente não foi assim e todos os temores que tínhamos se confirmaram em um documento pobre, carente de compromissos e no que “O futuro que queremos” (o nome do documento oficial) aparece cada vez mais obscuro e excludente. Se bem não se alcançou impor a Economia Verde como novo “paradigma” do sistema capitalista, sua menção repetida página a página do documento é por si só uma denúncia de seu verdadeiro espírito.
A Cúpula Oficial da Rio +20, tal como vínhamos denunciando os movimentos sociais, foi um GRANDE FRACASSO, pois 20 anos depois não avançou em nada. No lugar de acertos tivemos retrocessos agora materializados na proposta de economia verde, na maquiagem verde do capital, que pretende mercantilizar a vida. Mas, ainda sim, para os movimentos sociais convocados na Cúpula dos Povos, foi um momento de profunda discussão e de construção de novas alianças, de mobilização e também de formação que nos permitiu entender melhor o modelo que nos tentam impor. As jornadas de resistência e mobilização no marco da Cúpula dos Povos levaram às ruas meninos, meninas, mulheres, homens, todos e todas com o objetivo de construir uma capacidade de mobilização baseada na solidariedade, internacionalismo e a integração dos povos do mundo para converter nossas lutas em realidade.
As infinitas cores, as múltiplas vozes, a diversidade de povos, os cantos nas ruas e as múltiplas vestes, artesanatos e culturas presentes na Cúpula são um reflexo do mundo que, desde a Via Campesina, estamos construindo junto a todos os povos do mundo que optaram por não trilhar este caminho de morte que o capitalismo tenta impor. Agora, o desafio é continuar a atravessá-lo coletivamente rumo à dignidade.
FONTE: VIA CAMPESINA

domingo, 22 de julho de 2012

A trajetória libertadora de Dom Tomás

Histórico de lutas sociais no Brasil nas últimas décadas se confunde com a vida do fundador da CPT e do Cimi, Dom Tomás
 28/06/2012
Eduardo Sales de Lima,da Reportagem Jornal Brasil de Fato. 
Foto: Rodrigues Pozzebom/ABr
Dom Tomás Balduíno completa, no dia 31 de dezembro, 90 anos de uma vida voltada aos pobres, aos “sem-nada”, como diz. “Sem-nada”, que na visão do Bispo, precisa ser compreendido como o “sujeito” de seu tempo, o agente transformador de sua realidade.
Influenciado desde a infância pela religiosidade de sua família, com a presença três tios padres diocesanos, o Bispo emérito de Goiás optou por ser frade pela Ordem do Dominicanos, demonstrando, desde a juventude, desapego a qualquer tipo de status social.
Testemunho ativo de um dos momentos mais obscuros da história brasileira, a ditadura civil-militar, Dom Tomás explica a proximidade entre os jovens dominicanos e Carlos Marighella e a pressão sofrida pela Igreja no período em que a ditadura tentava dizimar os guerrilheiros do Araguaia.
Sua trajetória se confunde com a própria história dos movimentos sociais e da luta política no Brasil. Expoente da Teologia da Libertação, enxerga tal proposta como um modo de analisar a própria “caminhada” de Deus em busca da libertação desde o êxodo até a ressurreição. AoBrasil de Fato, ele conta um pouco da sua história.
Brasil de Fato – Dom Hélder Câmara, entre outros religiosos, antes de aderir à Teologia da Libertação, pertencia à ala mais conservadora da Igreja. E no seu caso, como ocorreu essa aproximação?
Dom Tomás – Eu tive uma trajetória diferente. Eu fiz o seminário com os dominicanos, em Uberaba (MG) e lá comecei o noviciado. Vim para São Paulo (SP) e encontrei um grupo de dominicanos chegado da França, com essas ideias. Depois vieram aquelas pregações de Frei Chico, lá em Perdizes [bairro da zona oeste de São Paulo]. Dessa maneira, o início de meu caminho, desde a minha juventude, foi um caminho de abertura. Eu tive chance também de estudar em Saint Maximin (Escola Teológica Dominicana), na França, de 1946 até 1950. Com a presença de Jacques Maritain (filósofo francês católico), tanto os dominicanos quanto os jesuítas. Isso me ajudou muito. Antes de voltar para o Brasil, eu tinha o sonho de trabalhar na área indígena. Mas fui encaminhado inicialmente para a faculdade. Lecionei na faculdade de Filosofia de Uberaba (MG), e depois fui para Juiz de Fora (MG), já em 1951. 
O senhor vem de uma família religiosa?
Sim. Do lado materno eu tinha dois tios padres e do lado paterno um. Isso influenciou. Eles eram diocesanos e eu optei, nem sei por que cargas d’água, em ser frade. Houve muita oposição por elementos da família, porque meus tios eram diocesanos, ligados à família. 
Com quantos anos o senhor descobriu sua vocação?
Isso nasceu comigo, parece. Quando criança eu “celebrava” missas, para a alegria e diversão do pessoal. Eu celebrava a missa com uma pedra de açúcar [risos] e imitava direitinho a fala em latim daquele tempo. E assim foi. Marcadamente um caminho religioso. Nunca tive assim um sobressalto de mudança, do que chamam de conversão. Talvez tenha sido até um defeito da minha trajetória. 
Quando ocorre o Concílio Vaticano II (1962-1965), o senhor estava com 40 anos. Participou de alguma forma dele?
Eu participei através de minha ligação com Frei Romeu Dale, que era perito do Concílio. Ele tinha muita amizade comigo, foi meu professor. Depois eu fui prelado e ele insistiu para que eu fosse à última sessão. Não deu certo de eu ir. Tive que me preparar para ir ao Araguaia (da Prelazia de Santíssima Conceição do Araguaia, hoje Diocese de Marabá [PA]). Mas a gente estava muito informado do que estava acontecendo no Concílio, porque entre uma sessão e outra, ele ligava para casa. Ele morou no Rio e eu também. A gente debatia muitos temas. 
Por que ocorreu o Concílio justamente naquele momento histórico?
Aquilo foi uma intuição do Papa [João XXIII]. Era para ser um papa de transição e os cardeais chegaram a um acordo de consenso para dar tempo para refletir. Mas ele, para a surpresa de todos, convocou o Concílio. A convocação do Concílio foi nitidamente uma abertura de visão de mundo. 
Há quem diga que teria sido uma resposta à Reforma Protestante, 500 anos antes. O que o senhor acha?
O Concílio não teve nenhuma forma de, vamos dizer, “cruzada”. Pelo contrário. Queria abrir espaço, uma janela para outros cristãos de outras denominações. Foi pelo ecumenismo e se tornou um marco. 
A sua Ordem dos Dominicanos abarca figuras com trajetórias extremamente distintas que vão desde Frei Betto a Tomás de Torquemada (o temível inquisidor). Como entender os dominicanos?
Eu e vários outros que comungam essa intuição de Domingos de Gusmão, temos como admiração o salto dado por ele. Um homem que saiu da clausura dos mosteiros para as cidades, para os burgos, as universidades. E ele vai para as missões. Internamente, outra coisa admirável é o sistema democrático da ordem. Os dominicanos sempre fizeram muita questão desse processo. Na ordem, se reúnem os capítulos. Os capítulos alternam-se entre os provinciais e os capítulos de não-provinciais. Há uns que são mais governistas, ligados ao trabalho interno, enquanto outros estão ligados a um trabalho mais amplo. Isso é um equilíbrio. Tanto que a ordem nunca teve cisão. É verdade que houve províncias mais fechadas que outras. Eu morei na França. A minha província era mais fechada, da estrita observância. Mas nós, brasileiros, engatamos com a província de Paris, que era aberta nos debates com o ecumenismo, com o operariado. 
Nesse sentido, como o senhor enxerga o apoio dos dominicanos a Carlos Marighella?
Não são os dominicanos. Eles pertenciam à classe estudantil que começou ali na Juventude Universitária Católica (JUC) e na Juventude Estudantil Católica (JEC). E, depois, com muita coerência e muita lógica, se abriu para o social e para o político. A Ação Popular (AP), por exemplo, é uma decisão política de luta por enfrentamento à ditadura, e os dominicanos eram praticamente membros. Mas não era só uma expressão deles próprios. Não era mérito nem do Betto e nem de seus companheiros, como Fernando Britto, Tito e outros. Mas era porque eles estavam encarnados naquela realidade estudantil. 
Até 1964 o senhor estava em Conceição do Araguaia. Quando ocorre a Guerrilha, a partir de 1972, o senhor não está mais lá?
Eu não participei de todo o processo. Foi o meu sucessor, Dom Estevão [Cardoso de Avellar]. 
Mas o senhor presenciou algum fato ligado diretamente à Guerrilha do Araguaia?
Nada. Mas quando eu estava na região, eles [guerrilheiros] já estavam por lá, trabalhando, fazendo serviços de médicos, dentistas, se entrosando com o povo. 
E depois, quando o senhor foi substituído, chegou a tomar conhecimento de fatos por meio de Dom Estevão ou outros religiosos acerca da guerrilha?
Aí sim. Porque houve tensão entre os militares e os missionários. Um deles trabalhava na área indígena dos índios Suruí, dentro do território da Guerrilha. Os índios foram utilizados pelos militares como guias na mata. E depois, para mostrar quem era quem, abusavam dos índios de uma forma assim anti-ética, imoral, tentando incorporar as aldeias indígenas nesse serviço sujo. 
Quais eram os missionários ligados à guerrilha?
O Frei Gil [Gomes Leitão] sempre foi um missionário naquela área. Ele que fez o primeiro contato com esses índios. Os índios não foram deslocados. O missionário chegou e fez amizades com eles. Foram várias tentativas e excursões para tentar o contato. Isso porque, quando os índios avistavam pessoas diferentes, fugiam. Frei Gil conseguiu. Os militares iam atrás dele, mas ele era muito esperto, se disfarçava bem. Certa vez, pediram a identidade dele, mas os missionários, os religiosos mudam de nome. E o nome dele, de identidade, é Dulce Leitão [risos]. Os militares o paravam, viam a identidade, e o descartavam. “Nós estamos atrás de um tal de Gil”. E aí, ele escapava. 
Em 1972, o senhor foi um dos fundadores do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Como foi esse processo?
Foi muito interessante. Os missionários já estavam muito tempo insatisfeitos com a estrutura das Prelazias, que estavam nas áreas indígenas, mas eram focadas em construções de igrejas, na expansão física. Havia uma busca de outro instrumento. Eles queriam uma prelazia de pessoas, como um território de pessoas. Eu fui consultado e respondi de uma maneira assim, jocosa. “Eu acho que esse prelado vai ficar isolado; e ele vai ser um prelado pelado” [risos]. Aí retiraram essa proposta. Porque prelazias são áreas pastorais confiadas como dioceses a uma congregação. Há a prelazia franciscana, a prelazia dominicana, dos padres jesuítas. Então criaram um instrumento sem mexer com essa estrutura e assim foi pensado no Conselho Indigenista, por meio de um encontro em Brasília.
Eu entrei puxado por D. Pedro Casaldáliga. Ele me disse que outros bispos estavam ali para resolver os problemas dos índios. E lá nasceu a criança, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Um conselho para cuidar da problemática indígena. E foi muito interessante, porque nós estávamos no pós-Medéllin [Conferência ocorrida em 1968], que fez uma opção pelos pobres, não considerando o pobre como objeto de nossa ação caritativa, mas como sujeito de sua própria caminhada. O Cimi nasceu sob essa inspiração. Houve muita tensão interna na equipe encarregada do Conselho, mas evoluiu no sentido de dar ao índio essa possibilidade de se afirmar como sujeito e ser protagonista, ter sua autonomia, sua terra, sua cultura. Havia missionários que andavam pelas prelazias e traziam informações para o Conselho. E numa dessas reuniões, um dos membros do Conselho, que era o padre Tomás Lisboa, um jesuíta, sugeriu a criação a assembleia de chefes indígenas. Por meio de nossa facilidade de diálogo com as lideranças das tribos, sugerimos esse encontro. Reunir gente que vivia em hostilidade, os Xavantes com Carajás, e isso foi o “ovo de colombo”. As assembleias aconteceram, os índios tinham momentos só deles, sem presença de missionários, de jornalista, de sociólogo ou antropólogo. E saíram dali com a seguinte decisão: primeiro recuperar nossa cultura; segundo, recuperar as nossas terras; terceiro, autonomia. Eles mesmos decidiram isso. Foi tudo registrado pelos cadernos do Cimi. E foi a partir dali que os indígenas começaram a caminhar com suas próprias pernas. Em muitas aldeias, os jovens missionários que estavam em outras regiões passaram a conviver com os índios e isso continua até hoje. Os Pataxós passaram a se tornar um povo antenado a toda a América Latina e não fechado neles mesmos. 
E o processo de fundação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1975? Que anos depois o senhor passou a ser presidente?
A CPT nasceu de um processo conflitivo. Os bispos estavam achando que os militares “estavam dando” em cima dos padres que acompanham os lavra lavradores. Porque na proposta do golpe de 1964 estava, como prioridade, enfrentar os camponeses. Eles [militares] acompanhavam todos aqueles conflitos que estavam acontecendo. E achavam que, através de alguns lavradores, muitos camponeses entrariam no comunismo internacional. Então foram em cima dos lavradores mas também dos padres e freiras que só estavam acompanhando eles, por meio de um trabalho religioso. Aí o bispo se sensibilizou. Eles foram presos, ameaçados. Então nos reunimos e nasceu a Comissão Pastoral da Terra com uma proposta samaritana, de socorrer aqueles perseguidos [no caso, os religiosos], e mesmo os caídos, que eram os trabalhadores rurais. De imediato, a Pastoral da Terra foi cuidar de padres, freiras, e dos próprios lavradores. 
Muitos dizem que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é filho da CPT, que surge como uma versão laica da CPT.
O nascimento é sempre complexo. Naquele livro Brava Gente, o [João Pedro] Stédile mostra que o processo é sempre complexo. Agora, não há dúvidas que era gente de origem das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), e também da CPT. Muitas pessoas faziam parte do trabalho da CPT e estavam engajados. Nesse sentido, a maternidade ou paternidade se dá como elementos que saem de uma igreja mais comprometida ilustrada sobretudo pelas CEBs. 
Talvez o senhor tenha sido uma das vozes mais críticas, pela esquerda, do governo Lula. Como o senhor avalia os oito anos desse governo?
É complexo porque tem a compreensão da figura carismática e que até hoje é muito querida por pessoas da base. Às vezes, as próprias vítimas do processo não entendem as minhas críticas a ele, que tem a sua trajetória emblemática, do sertão nordestino até a presidência. O que chamou atenção no seu governo foi o fascínio pelo desenvolvimento econômico. Eu participei daquela marcha (dos movimentos sociais do campo, em 2005), num momento muito esclarecedor. Foi uma caminhada dos grupos sociais até Brasília. O Lula acabou aparecendo e comentou: “Quem é apressado come cru”. Logo depois houve aquele Plano Nacional da Reforma Agrária (PNRA). Teve até a participação na elaboração de gente como o Plínio de Arruda Sampaio. Tanto que por causa da demora de Lula, ele nem foi ministro. O programa veio, reduziram pela metade seus objetivos e foi-se esvaziando. 
E em relação ao governo Dilma?
Em abril, todos os movimentos sociais foram para cima do governo, pressionando por posicionamento em relação à reforma agrária, à condição dos assentamentos, dos acampamentos. Chegaram a ocupar o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e várias outras instituições nessa linha de enfrentamento. Quer dizer, a Dilma pisou no freio da reforma agrária. 
O que significa esse anel de tucum que o senhor usa?
Isso é o casamento com a causa indígena. Essa peça foi feita pelos índios Tapirapé e dá para ver como é bonito, ele brilha até. E a gente assumiu como uma ligação com a causa indígena, mas não só com essa causa, mas com toda a causa de mudança e de transformação com o povo em busca do Brasil que queremos. 
Voltando à questão dos membros fundadores da Teologia da Libertação. Há alguns pensadores que estão indo, como o José Comblin (falecido em março de 2011). Além disso, Dom Pedro Casaldáliga está debilitado...
Mas ele está com a cabeça boa. 
Claro. Mas qual perspectiva o senhor tem da Teologia da Libertação? E os novos pensadores?
Gustavo Gutierrez costumava dizer brincando: “Se a Teologia da Libertação morreu, eu não fui convidado para o enterro.”[risos]. Nós não acreditamos nisso. A Teologia da Libertação, para mim, é teologia. É a única teologia em uma situação de opressão. 
Uma teologia, de fato, não morre?
Fica sempre. Teologia é um conhecimento de Deus, um mistério de Deus; da abertura de Deus aqui com os homens e as mulheres. Trata-se de uma teologia que vai analisar a caminhada de Deus e vai encontrar, o tempo todo a libertação. Desde o êxodo até a ressurreição é isso, é esse encontro. É a fundamentação teológica da linha da libertação. O fato de, por exemplo, [Karl] Marx ter ido por um caminho semelhante na análise sociológica não impede que haja Teologia da Libertação, até utilizando argumentos dele. Então, o pessoal se fechou achando que era outra coisa. Não é. Isso é muita estreiteza, inclusive no conhecimento de Deus. 
Boa parte dos religiosos que levaram essa teologia adiante são estrangeiros. Europeus que vieram para a América Latina nos anos de 1960. Ou, como no seu caso ou de Leonardo Boff e Frei Betto, foram brasileiros que estudaram na Europa. O senhor acha que jovens seminaristas, estudando somente aqui no Brasil, caminharão nesse viés libertador?
Essa pergunta tem um quê de desvalorização da realidade acadêmica aqui no Brasil. O Boff estudou lá na Alemanha, num outro contexto, mas superou isso através dos mesmos instrumentos teológicos. Ele (Boff) padeceu. Hoje ele é dominicano. Foi o truque dele para se livrar do domínio do bispo diocesano, porque o padre diocesano é 100% do ensino religioso. E agora ele pode exercer a missão de teólogo dele de uma forma missionária. A gente não depende colonialisticamente do europeu. Foi um estímulo para ajudar no plano científico. Agora, nos conteúdos da América Latina, a meu ver, salvou o Concílio Vaticano II. Porque o Concílio foi uma abertura para o mundo. A verdadeira abertura evangélica para o mundo não é a abertura europeia, que é a abertura para o mundo dos ricos. A verdadeira abertura “conciliar”, evangélica, é a abertura dos pobres, onde existe o mundo subversivo. Medellín foi o salvador do Vaticano II, a meu ver, porque abriu, de fato, a Igreja para os “sem-nada”. 
Nos últimos meses ocorreram essas manifestações contra a crise econômica, contra o capitalismo, contra os bancos. Nota-se essas mobilizações resgatam valores humanistas também. De que forma esse “espírito” da Teologia da Libertação dialoga com essas manifestações?
Houve um retrocesso no mundo. Uma tendência à direita é geral. O pessoal fala da Teoria do Pêndulo. Uma hora o pêndulo está na esquerda, outra hora ele está na direita. Então é surpreendente quando jovens estudantes, professores, da Europa e dos Estados Unidos fazem isso. Acho que é um campo para a Teologia da Libertação. Propício para uma reflexão com esse pessoal. Na medida do possível, porque ninguém quer ser mestre de ninguém, mas companheiro. E sobretudo a gente aprende. Ficamos surpresos. Por que aconteceu isso? Até a própria juventude alienada foi nessas manifestações. 
Que mensagem o senhor nos deixa, talvez de motivação?
Acho importante isso. E está dentro da gente. E pode ser notada a partir, justamente, dos mais pobres entre os pobres. A gente está sabendo da situação dos pobres indígenas. Eles podem chorar na situação em que eles estão. Mas o que acontece? Alegria. Eles vivem a alegria e ninguém pode capturar isso de nós. Isso entre Kaiwowa, Xukuru, Pataxó. Todos vivendo o maior sofrimento, maior sufoco, a maior angústia de não ter perspectiva e então; esse pessoal vive de alegria pela esperança. Eu acho que essa lição, a partir deles, deve ser um recado do senhor Jesus para todos nós.
FONTE: BRASIL DE FATO

quinta-feira, 19 de julho de 2012

‘É ingenuidade pensar que tudo acabou’, diz Frei Betto sobre espiões da ditadura (entrevista ao Portal IG)

Um dos principais nomes da Igreja Católica na luta contra o regime militar e ex-assessor da Presidência diz que tem certeza que o MST está entre os alvos dos militares hoje. 

Ricardo Galhardo - iG São Paulo 

“É muita ingenuidade nossa pensar que tudo acabou”. A frase é do escritor Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, um dos principais nomes da Igreja Católica brasileira na resistência à ditadura militar (1964-1985). Preso entre 1969 e 1974, acusado de integrar a Ação Popular ao lado do guerrilheiro Carlos Marighella, Frei Betto está convencido de que os militares ainda agem nos bastidores do Planalto espionando as mais altas autoridades do país, inclusive a Presidência da República.

Em entrevista ao iG, Frei Betto, que foi assessor especial da Presidência no primeiro governo Lula, disse ter alertado o então chefe de gabinete Gilberto Carvalho sobre a possibilidade de escutas telefônicas no Palácio do Planalto. “Estou convencido de que isso existe até hoje. Não que eles (militares) estejam me seguindo ou espionando. Mas tenho certeza que o MST e até a Presidência da República, sim”, afirmou.
Cristina Gallo/Fotoarena
Frei Betto, que trabalhou na Presidência, está convencido de que os militares agem nos bastidores do Planalto
iG – Como era a atuação da Igreja na proteção dos perseguidos pela repressão? Registros mostram que até bispos de direita como d. Eugênio Sales ajudavam a esconder alvos da ditadura.
Frei Betto – A minha pergunta é por que o d. Eugênio (morto no último dia 9, aos 91 anos) fez isso para estrangeiros e não fez para brasileiros? Essa é a minha pergunta.
iG – Existia uma rede de solidariedade na Igreja, uma rota de fuga com conexões no exterior?
FB – Meu trabalho principal foi organizar essa rota de fuga. Mandei umas 10 pessoas. Em geral, sequestradores do embaixador americano (Charles Elbrick). Ninguém acredita, a repressão muito menos, mas a verdade é que eu nunca fui na fronteira. No entanto, eu dominava o esquema da fronteira porque o (Carlos) Marighella tinha me passado como funcionava. Só tinha que receber as pessoas em Porto Alegre e dar a dica. Tinha duas passagens. Uma em Santana do Livramento com Rivera, no Uruguai, e outra em Passo de Los Libres, na Argentina. Então eu tinha que dar as coordenadas e passar um telegrama em código para a pessoa que ia ficar lá esperando e já sabia que alguém ia chegar lá com uma revista na mão, aquelas coisas. E passava. Alguns voltaram. Outros foram presos no Uruguai, Mas havia muita solidariedade em igrejas, conventos etc.
Cristina Gallo/Fotoarena
Preso entre 1969 e 1974, acusado de integrar a Ação Popular ao lado de Carlos Marighella
iG – Protestantes e outros grupos religiosos participavam dessa rede de solidariedade?
FB – Muito. O pastor Jamie Wright, por exemplo. O irmão dele foi assassinado, Paulo Wright, líder da AP (Ação Popular). Geralmente em Igrejas históricas como a Batista, Luterana, Presbiteriana, Metodista, judeus. Naquela época quase não existiam as neopentecostais. E todos eles divididos a exemplo da Igreja Católica.
iG – Como era lidar com os infiltrados?
FB – Era muito difícil. Quando estávamos presos no Dops, em 1969, havia lá o delegado Alcides Cintra Bueno que era chamado “delegado do culto” por ser especializado em religiões. Era um homem de formação católica meio carola, mas torturador. Como ele conhecia muito a mecânica das Igrejas era o que mais interrogava religiosos. Nós vimos frades de hábito que eram agentes dele e iam lá dar informação sobre subversão na Igreja. Além do Lenildo Tabosa que era do Jornal da Tarde, assistiu ao interrogatório do Frei Fernando e a vida inteira carregou esta cruz fazendo de tudo para negar. Mas nunca conseguiu convencer, Fernando viu.
iG – Até descobrirem a existência de infiltrados muitas pessoas caíram?
FB – Sim. Era muito difícil descobrir infiltrados. Muitos a gente detectou, mas tem gente que colaborou com a ditadura e vai morrer incólume. A não ser que tenha dado uma mancada. Tem um seminarista dominicano que a gente não sabe se ele já era colaborador quando entrou. Depois, na USP, descobriram que ele era agente da repressão. Ele sumiu do mapa durante uns cinco anos e então recebemos informação de que ele tinha sido levado para um treinamento na escola da CIA no Panamá. Quando eu saí da prisão ele reapareceu todo amiguinho dizendo que estava com saudade e falei para ele, cara a cara, “não sei se você é ou não é, mas não tenho a menor confiança em você e por favor não me apareça mais”.
iG – Essa paranoia durou até depois do fim da ditadura, não?
Cristina Gallo/Fotoarena
'Informação é poder', diz Frei Betto sobre espionagem pós-ditadura
FB – Quando saí da prisão fui morar numa favela em Vitória e fiquei lá de 1974 a 1979. Já em 1977 comecei a voltar a São Paulo para trabalhar com educação popular. Quando Fernando Henrique, Almino Afonso e Plínio de Arruda Sampaio voltaram para o Brasil eles vieram com a ideia de fundar um partido socialista. Eu, naquele momento, estava no auge da mobilização pelas CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e eles me convocaram para uma reunião na casa de um jornalista, cujo nome não vou citar pois estou subjetivamente convencido que esta pessoa era da repressão mas não tenho prova. Sei que me estranhou o fato de ele ser um repórter e ter um padrão de vida tão alto. E tome vinho, tome vinho, conversamos, eles tentavam me convencer que tinham a forma, um partido socialista, e eu entrava com a massa, as CEBs. Eu respondi que ia surgir um partido de baixo para cima, isso em 1978, por intuição, e depois surgiu o PT em 1980. Marcamos outra conversa, o jornalista insistiu para que fosse novamente na casa dele e isso acabou num impasse. Até que um frade daqui, depois de muitos anos, me perguntou se eu havia participado de uma reunião na casa de fulano, com Fernando Henrique (Cardoso, ex-presidente) e Plínio (de Arruda Sampaio) etc. Perguntei como ele sabia daquilo e o frade respondeu que um general amigo dele ligado ao SNI foi quem contou. Aí caiu a ficha. Tinha muito esse tipo de coisa. Recentemente peguei no arquivo público nacional todo meu dossiê. Ele vai até 1992. E tem coisas absolutamente inverossímeis.
iG – O senhor ainda toma algum cuidado especial?
FB - Estou convencido de que isso existe até hoje. Não que eles (militares) estejam me seguindo ou espionando. Mas tenho certeza que o MST e até a Presidência da República, sim. Seria muita ingenuidade nossa achar que o Planalto não é espionado. É o centro, o coração do poder. Quando trabalhei no Planalto (no primeiro governo Lula) duas coisas me chamaram atenção. Primeiro que todos os garçons eram das Forças Armadas. E o garçom é a pessoa que entra no meio da reunião, que enquanto está servindo o cafezinho fica escutando tudo, fica amigo das secretárias, tem trânsito livre até na sala do presidente. Não entra o ministro, mas entra o garçom. E outra coisa foi num dia em que o Lula estava viajando, subi na sala do Gilberto Carvalho (então chefe de gabinete da Presidência) e vi um pessoal na sala do Lula cheio de equipamentos. Perguntei o que era aquilo e o Gilberto disse que era o pessoal da varredura do Exército. Eu perguntei para o Gilberto qual a garantia de que eles não tiram um equipamento de gravação e colocam outro. Gilberto disse que nunca tinha pensado nisso.
iG – Mas seriam os militares?
FB – Sim. Os militares.
iG – Com qual objetivo?
FB – O objetivo é simples. Informação é poder.
iG – O que se sabe é que existe uma grande rede de espionagem em Brasília mas por razões econômicas, chantagem etc.
FB – Os militares neste ponto são mais... é como nos EUA. A CIA não prende ninguém. Ela só trabalha com informação. Quem prende é o FBI. É muita ingenuidade nossa pensar que tudo acabou.
iG – Os militares teriam um projeto de retomar o poder?
FB – Não. Eles têm o projeto de não serem surpreendidos e eventualmente até de manipular.
iG – Eles são movidos pelo medo?
FB – Não. É uma questão de inteligência militar mesmo.
Colaborou Gisele Silva, iG São Paulo
FONTE: PORTAL IG

Portaria 303 da AGU é caminho para GENOCÍDIO

     Mais um passo no caminho da extinção de grupos indígenas. A portaria 303 da Advocacia Geral da União (AGU), publicada no Diário Oficial, no dia 17 de julho, permite ao poder público intervir em áreas demarcadas sem a necessidade de autorização de populações residentes. Isso piora ainda mais a já caótica situação de reconhecimento e demarcação das terras indígenas no país. O CIMI - Conselho Indigenista Missionário, em nota, considera que:
     “A presente portaria é uma excrescência jurídica e dessa forma deverá ser tratada. Constitui-se, no máximo, numa peça política mal formulada. Trata-se de mais um ato de profundo desrespeito e afronta aos povos indígenas e seus direitos constitucionalmente garantidos.”
     Essa portaria é fruto de pressão da Bancada Ruralista. Segundo matéria publicada pela FAMASUL - Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul, "a publicação da portaria é resultado de um esforço conjunto da instituição e seus sindicatos rurais, a bancada federal, governos, agentes políticos e vários atores nacionais." Para eles essa "decisão vai ajudar na resolução dos litígios registrados nas propriedades antes pretendidas pelos indígenas."
     Em nota, o CIMI, afirma ainda que:
     "O Governo Federal, fazendo uso da Advocacia Geral da União, manipula, escandalosamente, a decisão do Supremo Tribunal Federal, tomada no âmbito da Petição 3388, que diz respeito exclusivamente ao caso da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima, não possuindo, portanto, efeito vinculante. Nesse sentido, já há três decisões liminares de Ministros do STF que manifestam esse entendimento. Além do mais, o caso ainda não transitou em julgado. Com a presente portaria, o Governo desvirtua a decisão da Suprema Corte generalizando e retroagindo a aplicabilidade das chamadas “condicionantes” emanadas no julgamento do caso citado."
     "O absurdo é tamanho que o Executivo chega ao ponto de determinar que sejam “revistos” os procedimentos em curso que estejam em desacordo com a portaria, bem como, que sejam “revistos e adequados” até mesmo os procedimentos já “finalizados”. Em momento algum os Ministros do STF deram qualquer indicação de que as “condicionantes” teriam essa extensão. Esse dispositivo previsto no artigo 3 da referida portaria, constitui-se um ato inconseqüente e de extrema irresponsabilidade na medida em que propõe a revisão das demarcações de terras já concluídas, o que geraria uma instabilidade jurídica e política sem precedentes. Na prática, isso significaria a conflagração generalizada de conflitos fundiários envolvendo a posse das terras indígenas, inclusive a reabertura daqueles anteriormente solucionados com o ato demarcatório."

terça-feira, 17 de julho de 2012

Queremos um Brasil com Florestas

Todo cidadão brasileiro possui o direito de propor leis para o país. Com 1.4 milhão de assinaturas, podemos submeter ao Congresso Nacional um projeto de lei pelo desmatamento zero no país.
Você pode nos ajudar a recolher as assinaturas, levando o nosso pedido para as pessoas que você conhece. Chame o namorado(a), os amigos da faculdade, o porteiro do prédio, a galera da praia e da academia. Através de um formulário impresso, você recolhe as assinaturas e nos envia pelo correio.  
Cada formulário possui espaço para 15 assinaturas, lembrando que precisamos do título de eleitor para submeter o projeto para o Congresso Nacional.
O país pode crescer sem desmatar, já temos áreas abertas o suficiente para dobrar a produção de alimentos. Ao zerar o desmatamento, o Brasil fará sua parte assegurando o uso responsável da Amazônia e das demais florestas, preservando a nossa biodiversidade e diminuindo sua contribuição para o aquecimento global.
O texto da lei e sua justificativa estão publicados no site da Liga das Florestas onde você também pode  a petição e participar do desafio de recolher mais assinaturas e concorrer* a prêmios como: camisetas, bonés, ecobags e fitas de pulso.
Fonte: Greenpeace


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Falecimento de Hugo Paixão

Foto: Fabiano SEFRAS
Faleceu, por afogamento, no Rio de Janeiro, no sábado, dia 14 de julho de 2012, nosso amigo e companheiro do SEFRAS - Serviço Franciscano de Solidariedade e do SINFRAJUPE - Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia.Hugo foi sepultado em São Paulo, nesta segunda feira dia 16. Seu compromisso com a luta  pela Justiça, Paz e Integridade da Criação e sua participação na campanha "Não à Economia Verde" ficam como um exemplo de amor à causa do Reino de Deus.
Agora quando a vida do nosso querido Hugo se torna plena na ressurreição, compartilhamos o poema de Fernando Pessoa:
A MORTE CHEGA CEDO
Fernando Pessoa
A morte chega cedo, 
Pois breve é toda vida 
O instante é o arremedo 
De uma coisa perdida. 
O amor foi começado, 
O ideal não acabou, 
E quem tenha alcançado 
Não sabe o que alcançou. 
E tudo isto a morte 
Risca por não estar certo 
No caderno da sorte 
Que Deus deixou aberto.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Juventude Franciscana, pelo Enlace das Juventudes, concede entrevista durante a Cúpula dos Povos


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Igor Guilherme Bastos, de Uberlândia-MG, integrante da delegação da Juventude Franciscana-JUFRA na Cúpula dos Povos concedeu entrevista ao Canal Saúde, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Programa Unidiversidade. Igor também integrou a Secretaria Geral e o GT de Metodologia do Enlace das Juventudes, articulação de entidades juvenis da Cúpula dos Povos. O programa foi exibido no dia 02 de julho para vários canais pelo Brasil.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Luta pela terra urbana em Uberlândia (MG)

Veja imagens parciais do Acampamento Paulo Freire, em área da Universidade Federal de Uberlândia, ocupada por famílias de sem teto do MSTB - Movimento do Sem Teto do Brasil.
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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Nota da ABRA sobre a matéria do JN sobre desmatamento nos assentamentos da Amazônia.

Nota da ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária) sobre a matéria do JN sobre desmatamento nos assentamentos da Amazônia. Não foi enviada antes pois tentamos até ontem , sem sucesso, espaço no Jornal
NOTA
A edição do Jornal Nacional da Rede Globo do dia 05 de julho de 2012 veiculou matéria na qual identificou os assentamentos de reforma agrária como os grandes vilões do desmatamento da Amazônia, supostamente respondendo pela taxa acumulada de 30% da área desmatada.
A matéria teria sido baseada em dados fornecidos pelo Ibama, Inpe e, especialmente, pela ONG Imazon. Tais informações serviram de fundamento para ação ajuizada contra o Incra por membro do Ministério Público Federal, no Pará, por meio da qual foi demandada, entre outras medidas, a proibição de novos assentamentos naquela região do país.
A despeito da recorrência dessa mistificação pelos setores conservadores, a ABRA empreendeu iniciativas com o intuito de contestar a notícia. De início, solicitou a contextualização do caso ao Imazon, que assumiu o assessoramento dado ao Ministério Público.
Um dos seus pesquisadores informou que a ação judicial contra o Incra objetivou chamar a atenção para a falta de assistência técnica aos assentados, o que seria a causa central do desmatamento sem controle observado nas áreas correspondentes. Acusamos a estranheza de se pressionar o Incra pela melhoria nesses serviços por via judicial e, ainda mais, recorrendo ao Jornal Nacional para criminalizar os assentados. O representante do Imazon creditou ao repórter da TV Globo as manipulações da matéria, especialmente por não esclarecer que, em grande medida, o desmatamento nos assentamentos, bem como nas áreas indígenas, quilombolas e unidades de conservação, resulta da intrusão, arbitrária, ou por vezes consentida, de madeireiros, grandes fazendeiros e grileiros em geral.
Tentamos convencer o departamento de jornalismo da Globo sobre as inconsistências da matéria e sobre a necessidade da sua correção, mas sequer foi aberta a possibilidade de enviarmos os dados e argumentos.
Os fatos:
1.      A iniciativa do Ministério Público, com o apoio do Imazon, empareda ainda mais uma política estruturante, estratégica para o país, na melhor das hipóteses, já sob ‘modo vegetativo’;
2.      Ressalvados os números, a matéria do Jornal Nacional, não os qualificou e, assim, desinformou a opinião pública, pois contabilizou área de colonização entre os assentamentos responsabilizando, ainda, os assentados, por ações de desflorestamento conduzidas por terceiros;
3.      O Imazon publica desde o ano de 2008, o Boletim da Transparência Florestal (www.imazon.org.br). Neste, consta o item chamado Geografia do Desmatamento no qual a ONG ‘identifica’ os níveis do desmatamento nos assentamentos de reforma agrária, TIs, UCs, e “áreas privadas, posses & devolutas”. No mínimo é curioso que a Geografia do Desmatamento do Imazon não especifique os dados do desmatamento nos grandes imóveis rurais;
4.      Não obstante, os dados do desmatamento nos assentamentos publicados nesse Boletim não respaldam a participação divulgada pelo Jornal Nacional;
5.      Abaixo, ‘colamos’ parte das figuras copiadas do mencionado Boletim, desde 2008, na posição de maio (por ser o dado mais recente no presente ano), com o propósito de oferecer uma amostragem desse processo e dos seus protagonistas.

MAIO DE 2008: (figura colada do Boletim Transparência Florestal do mês/ano correspondente)


MAIO DE 2009: (figura colada do Boletim Transparência Florestal do mês/ano correspondente)


MAIO DE 2010: (figura colada do Boletim Transparência Florestal do mês/ano correspondente)


MAIO DE 2011: (figura colada do Boletim Transparência Florestal do mês/ano correspondente)

MAIO DE 2012: (figura colada do Boletim Transparência Florestal do mês/ano correspondente)



As figuras acima demonstram, de forma cabal, a absoluta inconsistência da matéria do Jornal Nacional.
Seria de se esperar argumentação do Imazon de que os dados do PRODES - Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal, que supostamente serviram de substrato para a ação do MP e para a matéria da Globo, são mais precisos que as do SAD (Sistema de Alerta do Desmatamento), que alimentam o Boletim da Transparência Florestal. Neste caso, só aumentaria as dúvidas sobre os procedimentos da entidade, à medida que estaria utilizando dados não confiáveis para mensurar o desmatamento nos assentamentos.
Portanto, a ABRA, ao tempo em que lamenta o jornalismo eticamente duvidoso da TV Globo, pois reativo ao contraditório, não poderia deixar de condenar mais uma recidiva de setores conservadores contrários à reforma agrária, notadamente num contexto de graves adversidades institucionais para iniciativas dessa natureza.

Brasília, 08 de julho de 2012

A DIRETORIA ABRA

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Bispos se posicionam sobre grandes projetos da Amazônia

Um dos problemas enfrentados hoje pelas populações da Amazônia são os grandes projetos, que além de causarem grande impacto ao meio ambiente, geram lucros para alguns e provocam inúmeros impactos sociais negativos nas cidades onde estão instalados. Esse foi o assunto principal da primeira coletiva oficial concedida à imprensa na tarde desta terça-feira, 03 de julho, no Seminário São Pio X, como parte do 10º encontro dos bispos da Amazônia, que está sendo realizado em Santarém-PA.
A entrevista foi concedida por dom Jesus Maria Berdonces, bispo da prelazia de Cametá e presidente do Regional Norte I; dom Mosé João Pontelo, bispo da Diocese de Cruzeiro do Sul e presidente do regional Noroeste; dom Roque Paloschi, bispo da Diocese de Roraima e presidente do Regional Norte 1 e Monsenhor Raimundo Possidônio, coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Belém e historiador.
Dom Jesus Maria Berdonces afirmou que a Amazônia é tida até hoje como uma colônia, aonde as pessoas vêm, pegam a matéria prima, enriquecem e vão embora. “Esse é um modelo capitalista pautado pelo governo para a Amazônia, que não leva em conta o povo que aqui mora. Para eles, o povo é apenas um detalhe, que atrapalha o desenvolvimento, ressalta”.
Ele destacou que existe outro modelo defendido pela Igreja, cujo foco são os povos que estão na Amazônia. “A igreja defende o incentivo à agricultura familiar, defende que os lucros das riquezas (minerais e vegetais) sejam deixados na Amazônia, e que os povos sejam ouvidos”.
Já dom Roque Paloschi destacou que a questão é saber quem está usufruindo dos lucros desses grandes projetos, que além de terem as bênçãos do governo, são financiados com o dinheiro público. Ele ressalta que as populações não têm garantias, e suas terras quase sempre são “abocanhadas” pelo agronegócio e por grupos econômicos que aqui chegam.
Dom Roque defende o respeito à biodiversidade, a participação de homens e mulheres amazônidas, que possuem a sabedoria milenar e tradicional de cuidar do meio ambiente sem agredi-lo. Ele espera que o encontro de Santarém provoque uma verdadeira reflexão. “Nós esperamos contribuir para que uma reflexão aconteça para que nossas comunidades se tornem sujeitos dessa região e não apenas vista como um entrave no processo do desenvolvimento sonhado pelo agronegócio  e pelo governo”, enfatiza.
Dom Mosé João Pontelo afirma que os problemas estão aí, e isso requer responsabilidade dos pastores, que são lideres dessa igreja. E o encontro de Santarém vai apontar qual será o caminho a ser seguido nos próximos cinco anos.
Dom Jesus Maria acredita que os bispos têm a obrigação de tentar iluminar a caminhada com a Palavra de Deus, mas também assumir o desafio e o povo da Amazônia. “É necessário não fugirmos da cruz de nosso Senhor, que é a cruz dos pobres e dos povos desta região”, finalizou.
O 10º encontro dos bispos terá um documento conclusivo e uma carta encaminhada aos governantes dos Estados da Amazônia, outra ao Povo de Deus e uma ao Papa Bento XVI.
FONTE: CNBB