Igor Guilherme Bastos, de Uberlândia-MG,
integrante da delegação da Juventude Franciscana-JUFRA na Cúpula dos Povos
concedeu entrevista ao Canal Saúde, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no
Programa Unidiversidade. Igor também integrou a Secretaria Geral e o GT de
Metodologia do Enlace das Juventudes, articulação de entidades juvenis da
Cúpula dos Povos. O programa foi exibido no dia 02 de julho para vários canais pelo Brasil.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Luta pela terra urbana em Uberlândia (MG)
Veja imagens parciais do Acampamento Paulo Freire, em área da Universidade Federal de Uberlândia, ocupada por famílias de sem teto do MSTB - Movimento do Sem Teto do Brasil.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Nota da ABRA sobre a matéria do JN sobre desmatamento nos assentamentos da Amazônia.
Nota da ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária) sobre a matéria do JN sobre desmatamento nos assentamentos da Amazônia. Não foi enviada antes pois tentamos até ontem , sem sucesso, espaço no Jornal
A edição do Jornal
Nacional da Rede Globo do dia 05 de julho de 2012 veiculou matéria na qual identificou
os assentamentos de reforma agrária como os grandes vilões do desmatamento da
Amazônia, supostamente respondendo pela taxa acumulada de 30% da área desmatada.
A matéria teria sido baseada
em dados fornecidos pelo Ibama, Inpe e, especialmente, pela ONG Imazon. Tais
informações serviram de fundamento para ação ajuizada contra o Incra por membro
do Ministério Público Federal, no Pará, por meio da qual foi demandada, entre
outras medidas, a proibição de novos assentamentos naquela região do país.
A despeito da recorrência
dessa mistificação pelos setores conservadores, a ABRA empreendeu iniciativas com
o intuito de contestar a notícia. De início, solicitou a contextualização do
caso ao Imazon, que assumiu o assessoramento dado ao Ministério Público.
Um dos seus
pesquisadores informou que a ação judicial contra o Incra objetivou chamar a
atenção para a falta de assistência técnica aos assentados, o que seria a causa
central do desmatamento sem controle observado nas áreas correspondentes. Acusamos
a estranheza de se pressionar o Incra pela melhoria nesses serviços por via judicial
e, ainda mais, recorrendo ao Jornal Nacional para criminalizar os assentados. O
representante do Imazon creditou ao repórter da TV Globo as manipulações da
matéria, especialmente por não esclarecer que, em grande medida, o desmatamento
nos assentamentos, bem como nas áreas indígenas, quilombolas e unidades de
conservação, resulta da intrusão, arbitrária, ou por vezes consentida, de
madeireiros, grandes fazendeiros e grileiros em geral.
Tentamos convencer o
departamento de jornalismo da Globo sobre as inconsistências da matéria e sobre
a necessidade da sua correção, mas sequer foi aberta a possibilidade de
enviarmos os dados e argumentos.
Os fatos:
1.
A iniciativa do Ministério Público, com
o apoio do Imazon, empareda ainda mais uma política estruturante, estratégica
para o país, na melhor das hipóteses, já sob ‘modo vegetativo’;
2.
Ressalvados os números, a matéria do
Jornal Nacional, não os qualificou e, assim, desinformou a opinião pública,
pois contabilizou área de colonização entre os assentamentos responsabilizando,
ainda, os assentados, por ações de desflorestamento conduzidas por terceiros;
3.
O Imazon publica desde o ano de 2008, o
Boletim da Transparência Florestal (www.imazon.org.br). Neste, consta o item
chamado Geografia do Desmatamento no
qual a ONG ‘identifica’ os níveis do desmatamento nos assentamentos de reforma
agrária, TIs, UCs, e “áreas privadas, posses & devolutas”. No mínimo é
curioso que a Geografia do Desmatamento do Imazon não especifique os dados do desmatamento
nos grandes imóveis rurais;
4.
Não obstante, os dados do desmatamento
nos assentamentos publicados nesse Boletim não respaldam a participação divulgada
pelo Jornal Nacional;
5. Abaixo,
‘colamos’ parte das figuras copiadas do mencionado Boletim, desde 2008, na
posição de maio (por ser o dado mais recente no presente ano), com o propósito
de oferecer uma amostragem desse
processo e dos seus protagonistas.
MAIO DE 2008: (figura colada do Boletim
Transparência Florestal do mês/ano correspondente)
MAIO DE 2009: (figura colada do Boletim Transparência Florestal do
mês/ano correspondente)
MAIO DE 2010: (figura colada do Boletim Transparência Florestal do
mês/ano correspondente)
MAIO DE 2011: (figura colada do Boletim Transparência Florestal do
mês/ano correspondente)
MAIO DE 2012: (figura colada do Boletim Transparência Florestal do
mês/ano correspondente)
As figuras acima
demonstram, de forma cabal, a absoluta inconsistência da matéria do Jornal
Nacional.
Seria de se esperar
argumentação do Imazon de que os dados do PRODES - Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal, que
supostamente serviram de substrato para a ação do MP e para a matéria da Globo,
são mais precisos que as do SAD (Sistema de Alerta do Desmatamento), que alimentam
o Boletim da Transparência Florestal. Neste caso, só aumentaria as dúvidas
sobre os procedimentos da entidade, à medida que estaria utilizando dados não
confiáveis para mensurar o desmatamento nos assentamentos.
Portanto, a ABRA, ao
tempo em que lamenta o jornalismo eticamente duvidoso da TV Globo, pois reativo
ao contraditório, não poderia deixar de condenar mais uma recidiva de setores
conservadores contrários à reforma agrária, notadamente num contexto de graves adversidades
institucionais para iniciativas dessa natureza.
Brasília,
08 de julho de 2012
A
DIRETORIA ABRA
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Bispos se posicionam sobre grandes projetos da Amazônia
Um dos problemas enfrentados hoje pelas populações da Amazônia são os grandes projetos, que além de causarem grande impacto ao meio ambiente, geram lucros para alguns e provocam inúmeros impactos sociais negativos nas cidades onde estão instalados. Esse foi o assunto principal da primeira coletiva oficial concedida à imprensa na tarde desta terça-feira, 03 de julho, no Seminário São Pio X, como parte do 10º encontro dos bispos da Amazônia, que está sendo realizado em Santarém-PA.
A entrevista foi concedida por dom Jesus Maria Berdonces, bispo da prelazia de Cametá e presidente do Regional Norte I; dom Mosé João Pontelo, bispo da Diocese de Cruzeiro do Sul e presidente do regional Noroeste; dom Roque Paloschi, bispo da Diocese de Roraima e presidente do Regional Norte 1 e Monsenhor Raimundo Possidônio, coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Belém e historiador.
Dom Jesus Maria Berdonces afirmou que a Amazônia é tida até hoje como uma colônia, aonde as pessoas vêm, pegam a matéria prima, enriquecem e vão embora. “Esse é um modelo capitalista pautado pelo governo para a Amazônia, que não leva em conta o povo que aqui mora. Para eles, o povo é apenas um detalhe, que atrapalha o desenvolvimento, ressalta”.
Ele destacou que existe outro modelo defendido pela Igreja, cujo foco são os povos que estão na Amazônia. “A igreja defende o incentivo à agricultura familiar, defende que os lucros das riquezas (minerais e vegetais) sejam deixados na Amazônia, e que os povos sejam ouvidos”.
Já dom Roque Paloschi destacou que a questão é saber quem está usufruindo dos lucros desses grandes projetos, que além de terem as bênçãos do governo, são financiados com o dinheiro público. Ele ressalta que as populações não têm garantias, e suas terras quase sempre são “abocanhadas” pelo agronegócio e por grupos econômicos que aqui chegam.
Dom Roque defende o respeito à biodiversidade, a participação de homens e mulheres amazônidas, que possuem a sabedoria milenar e tradicional de cuidar do meio ambiente sem agredi-lo. Ele espera que o encontro de Santarém provoque uma verdadeira reflexão. “Nós esperamos contribuir para que uma reflexão aconteça para que nossas comunidades se tornem sujeitos dessa região e não apenas vista como um entrave no processo do desenvolvimento sonhado pelo agronegócio e pelo governo”, enfatiza.
Dom Mosé João Pontelo afirma que os problemas estão aí, e isso requer responsabilidade dos pastores, que são lideres dessa igreja. E o encontro de Santarém vai apontar qual será o caminho a ser seguido nos próximos cinco anos.
Dom Jesus Maria acredita que os bispos têm a obrigação de tentar iluminar a caminhada com a Palavra de Deus, mas também assumir o desafio e o povo da Amazônia. “É necessário não fugirmos da cruz de nosso Senhor, que é a cruz dos pobres e dos povos desta região”, finalizou.
O 10º encontro dos bispos terá um documento conclusivo e uma carta encaminhada aos governantes dos Estados da Amazônia, outra ao Povo de Deus e uma ao Papa Bento XVI.
FONTE: CNBB
FONTE: CNBB
quarta-feira, 4 de julho de 2012
A Via Campesina na Rio+20: os povos disseram NÃO à Economia Verde
A Via Campesina na Rio+20:
Os povos disseram NÃO à Economia Verde e construíram propostas para a resistência e a construção das lutas
Durante uma semana, no marco da Cúpula dos Povos, a Via Campesina se mobilizou no Rio de Janeiro para dizer “Não à Economia Verde” e para dinamizar um processo de construção de novas alianças baseadas nos eixos debatidos nas plenárias e assembleias dos povos e na mobilização nas ruas, para mostrar quais são as verdadeiras necessidades e aspirações dos nossos povos.
Com alegria voltamos às nossas lutas cotidianas com a satisfação do dever cumprido, com o compromisso de fortalecer os espaços construídos nestas jornadas e com o desafio de seguir dando corpo em nossas realidades locais às reflexões e agendas de ações propostas nas plenárias e Assembleias dos Povos.
Os dias de convivência entre as centenas de companheiros e companheiras da Via Campesina, vindos e vindas de toda a América Latina e do mundo junto aos milhares de integrantes da Via Campesina Brasil, foram fortalecidos com as mobilizações diárias que nos levaram a participar de marchas massivas, seja acompanhando as mulheres em luta ou repudiando as grandes corporações multinacionais representadas neste caso pela mineradora Vale. Cada amanhecer viu como as mulheres e homens da Via Campesina se somaram a outros movimentos para acompanhar as comunidades atingidas por megaprojetos, “escrachar” os repressores ou denunciar as corporações do agronegócio e os agrotóxicos, personificadas neste caso pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Tudo isso culminou na grande marcha unificada do dia 20 de junho, na qual mais de 80 mil pessoas marcharam para coroar de ouro a Cúpula dos Povos.
E antes ou depois de cada mobilização todos e todas convergimos e contribuímos nos debates das cinco plenárias, nas quais centenas de vozes foram tecendo as denúncias sobre as causas estruturais e as falsas soluções que o capitalismo, agora maquiado de verde, quer nos oferecer para não enfrentar as verdadeiras causas das múltiplas crises que o mesmo capitalismo tem provocado. Mas, como povos, já temos nossas propostas e também as compartilhamos e enriquecemos com outras e outros que chegaram com o mesmo objetivo. Assim foi que nossas soluções e as propostas de uma agenda para seguir construindo no futuro ocuparam a segunda parte das nossas plenárias.
Desde a plenária de Soberania Alimentar, a denúncia ao sistema capitalista patriarcal, discriminador e racista ressoou com ecos que se multiplicaram com as vozes das outras plenárias, de maneira a deixar claras as verdadeiras causas dos problemas que hoje colocam a humanidade à beira do abismo. E também, desde aí, a denúncia ao agronegócio como responsável pela destruição da natureza, a exclusão dos povos, a mercantilização da vida e principal responsável pela crise climática e a perda da biodiversidade se expressou de maneira contundente.
A Via Campesina propôs, há 16 anos, a Soberania Alimentar como caminho político para transformar nossa sociedade a partir dos camponeses e camponesas do mundo. Em nossas Assembleias foram centenas de organizações que se somaram a este caminho com claridade e firmeza. Tal como levantou o documento da plenária, “os governos e as corporações trabalham com grande sintonia pela apropriação dos bens comuns da vida e de nossos direitos. Convocamos os povos a se unir e levantar na luta por uma nova sociedade e na construção da soberania alimentar e popular. Não é possível a soberania alimentar no capitalismo.”.
A Cúpula oficial também ocupou nossa atenção e ali estivemos compartilhando nossas propostas e esperando que os governos mostrassem maturidade para assumir compromissos e deixar de serem fantoches das corporações. Lamentavelmente não foi assim e todos os temores que tínhamos se confirmaram em um documento pobre, carente de compromissos e no que “O futuro que queremos” (o nome do documento oficial) aparece cada vez mais obscuro e excludente. Se bem não se alcançou impor a Economia Verde como novo “paradigma” do sistema capitalista, sua menção repetida página a página do documento é por si só uma denúncia de seu verdadeiro espírito.
A Cúpula Oficial da Rio +20, tal como vínhamos denunciando os movimentos sociais, foi um GRANDE FRACASSO, pois 20 anos depois não avançou em nada. No lugar de acertos tivemos retrocessos agora materializados na proposta de economia verde, na maquiagem verde do capital, que pretende mercantilizar a vida. Mas, ainda sim, para os movimentos sociais convocados na Cúpula dos Povos, foi um momento de profunda discussão e de construção de novas alianças, de mobilização e também de formação que nos permitiu entender melhor o modelo que nos tentam impor. As jornadas de resistência e mobilização no marco da Cúpula dos Povos levaram às ruas meninos, meninas, mulheres, homens, todos e todas com o objetivo de construir uma capacidade de mobilização baseada na solidariedade, internacionalismo e a integração dos povos do mundo para converter nossas lutas em realidade.
As infinitas cores, as múltiplas vozes, a diversidade de povos, os cantos nas ruas e as múltiplas vestes, artesanatos e culturas presentes na Cúpula são um reflexo do mundo que, desde a Via Campesina, estamos construindo junto a todos os povos do mundo que optaram por não trilhar este caminho de morte que o capitalismo tenta impor. Agora, o desafio é continuar a atravessá-lo coletivamente rumo à dignidade.
Fonte: CPT
segunda-feira, 2 de julho de 2012
"A Reforma Agrária está completamente parada"
Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST
Da Página do MST
O ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Pepe Vargas, em entrevista ao site Carta Maior, declarou que cairá nos próximos anos o número de famílias assentadas.
O ministro também alega que o número de famílias acampadas diminuiu. Para Alexandre Conceição, da Coordenação Nacional do MST, as declarações escondem a realidade do campo brasileiro.
Confira a entrevista concedida à Página do MST:
Como você avalia a declaração do ministro Pepe de que vai cair o número de famílias assentadas nos próximos anos?
É uma declaração lamentável. Os conflitos agrários e a violência no campo por conta da disputa pela terra vem aumentando. É só ver o caso emblemático das fazendas do Daniel Dantas, no Pará, que vem sendo negociado com MDA e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) há mais de três anos. Foi acordado que das seis fazendas que estávamos ocupando, três seriam destinadas à Reforma Agrária. Até hoje, nem vistoria nas áreas o Incra fez. Então, é equivocado o ministro dizer que a Reforma Agrária vai diminuir porque o número de famílias acampadas diminuiu. Pelo contrário, a pressão continua, há um número grande de famílias acampadas, em torno de 180 mil famílias, e o conflito aumenta. O que acontece no Pará é resultado disso. Outro elemento é a seca no Nordeste e no Sul. As famílias perderam suas produções, infraestrutura, animais. E as políticas apresentadas pelo MDA e Incra até agora são insuficientes para resolver o problema da seca.
Como está o andamento da Reforma Agrária neste ano?
A Reforma Agrária está completamente parada. Estamos alertando que, se continuar assim, os resultados deste ano serão piores que os de 2011. E a tendência é que as lutas e mobilizações, que ganham força novamente, façam uma pressão maior a cada mês que passa. A região Sul começou a se mobilizar outra vez, assim como o Nordeste. Vamos fazer jornadas de luta novamente, pois a Reforma Agrária segue ignorada.
Foi apresentada na jornada de abril ao Incra e ao MDA a proposta do governo criar um grupo de trabalho para descentralizar a desapropriação de terra e assentar as famílias em situações mais precária. O governo prometeu formar o grupo e dar as respostas em 30 dias. Até hoje, o grupo sequer foi formalizado. Há uma perspectiva de que isso se formalize na semana que vem, mas não há certeza. Estamos chegando no meio do ano e não há respostas, porque não há um programa de Reforma Agrária estabelecido e o governo não consegue formular esse programa.
Segundo o ministro Pepe Vargas, 22.600 famílias foram assentadas em 2011...
O número de 2011 foi o mais vergonhoso da história do Brasil nos últimos 16 anos. Foi o pior índice desse período, uma vergonha para o governo Dilma, para o MDA e para o Incra. Os assentamentos do ano passado não atendem às famílias que estão acampadas. O ministro se equivoca ao dizer que o número de famílias acampadas diminuiu. Basta ver os números do Incra. As declarações do ministro mostram que tanto o MDA quanto o Incra não tem um planejamento de desapropriação de terras e de Reforma Agrária. Não tem planejamento, nem infraestrutura ou recursos para realizar essa tarefa.
Por que a Reforma Agrária está parada?
Há um avanço muito grande das empresas transnacionais na agricultura brasileira. O orçamento dessas empresas é dez vezes maior do que o do MDA, Incra e Ministério da Agricultura. Então, essas empresas mandam no campo brasileiro. O governo é frouxo para fazer a Reforma Agrária e colocar um limite à compra de terras por estrangeiros no país. Há um teto de R$ 100 mil que pode ser investido no assentamento de cada família na desapropriação de terras. É impossível, com a inflação dos terrenos causada pelas transnacionais e pela compra de terras por estrangeiros, a compra de terra boa - de qualidade, para desenvolver a agricultura agroecológica, com produção de alimentos sem veneno - por esse valor por família. Para desapropriar terras, o orçamento do governo deste ano é R$560 milhões, que é insuficiente para assentar as 186 mil famílias acampadas.
O discurso do governo em relação à Reforma Agrária é que não é preciso mais assentar, mas garantir investimentos nos assentamentos existentes. Como você vê esse discurso?
Esse discurso é cansativo, porque aparece em todo debate com o governo para discutir a questão agrária. Queremos investimentos também. Agora, onde isso está acontecendo? Cadê o orçamento para construir casas, as agrovilas rurais, postos de saúde e escolas? Nos últimos dez anos, foram fechadas mais de 37 mil escolas no campo nas áreas rurais. Apesar do discurso, na prática nada acontece. Nem a criação de assentamentos nem os investimentos nas áreas da Reforma Agrária.
Quanto de recursos públicos é destinado aos agricultores familiares e aos latifundiários?
No ano passado, R$14 milhões foram para a agricultura familiar e R$150 milhões para o agronegócio. Nesta semana, o governo vai lançar o Plano Safra 2012/2013. O montante vai girar em torno de R$180 milhões para o agronegócio. Em contrapartida, o governo vai destinar R$18 milhões para a agricultura familiar. Dez vezes menos investimentos para a agricultura familiar, que produz 70% dos alimentos, gera em cada hectare nove empregos. Além disso, o agronegócio está completamente endividado, mas protela as dívidas com o governo brasileiro, ao passo que as dívidas dos agricultores familiares nos bancos demoraram para ser renegociadas.
O Plano Nacional de Agroecologia deveria ter sido anunciado na Rio+20, mas até agora não saiu. Qual a importância desse plano?
O que foi apresentado até agora não resolverá o problema da agricultura familiar. A proposta não tem capacidade de garantir que a agroecologia se torne uma política agrícola que combata todos os efeitos negativos do agronegócio. Da forma que foi apresentado até agora, o plano não vai causar grandes mudanças no campo. Precisamos de planos mais estruturantes. O governo chamou os movimentos para discutir o plano, fez um pré-lançamento no Planalto e ficou de apresentar na Rio+20 para limpar a sua barra por causa do fiasco com as mudanças no Código Florestal. O plano é muito tímido para o enfrentamento do modelo de agricultura brasileira, que hoje consome 20% de todo veneno do mundo. O plano é insuficiente para uma agricultura que, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem produzido câncer por meio do trabalho agrícola e por causa do consumo de alimentos envenenados. Por outro lado, a liberação dos transgênicos avança cada vez mais.
O governo tenta fazer com que o modelo agroecológico e o agronegócio coexistam. A existência desses dois modelos agrícolas juntos é possível?
É impossível. O agronegócio usa transgênicos e agrotóxicos, concentra a terra e expulsa os pequenos agricultores para produzir para exportação. É impossível, do ponto de vista prático, a convivência dos dois modos de produção. Do ponto de vista político e econômico, não dá para ter uma política com poucos investimentos para a agroecologia e grandes repasses ao tubarão do agronegócio.
Confira a entrevista concedida à Página do MST:
Como você avalia a declaração do ministro Pepe de que vai cair o número de famílias assentadas nos próximos anos?
É uma declaração lamentável. Os conflitos agrários e a violência no campo por conta da disputa pela terra vem aumentando. É só ver o caso emblemático das fazendas do Daniel Dantas, no Pará, que vem sendo negociado com MDA e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) há mais de três anos. Foi acordado que das seis fazendas que estávamos ocupando, três seriam destinadas à Reforma Agrária. Até hoje, nem vistoria nas áreas o Incra fez. Então, é equivocado o ministro dizer que a Reforma Agrária vai diminuir porque o número de famílias acampadas diminuiu. Pelo contrário, a pressão continua, há um número grande de famílias acampadas, em torno de 180 mil famílias, e o conflito aumenta. O que acontece no Pará é resultado disso. Outro elemento é a seca no Nordeste e no Sul. As famílias perderam suas produções, infraestrutura, animais. E as políticas apresentadas pelo MDA e Incra até agora são insuficientes para resolver o problema da seca.
Como está o andamento da Reforma Agrária neste ano?
A Reforma Agrária está completamente parada. Estamos alertando que, se continuar assim, os resultados deste ano serão piores que os de 2011. E a tendência é que as lutas e mobilizações, que ganham força novamente, façam uma pressão maior a cada mês que passa. A região Sul começou a se mobilizar outra vez, assim como o Nordeste. Vamos fazer jornadas de luta novamente, pois a Reforma Agrária segue ignorada.
Foi apresentada na jornada de abril ao Incra e ao MDA a proposta do governo criar um grupo de trabalho para descentralizar a desapropriação de terra e assentar as famílias em situações mais precária. O governo prometeu formar o grupo e dar as respostas em 30 dias. Até hoje, o grupo sequer foi formalizado. Há uma perspectiva de que isso se formalize na semana que vem, mas não há certeza. Estamos chegando no meio do ano e não há respostas, porque não há um programa de Reforma Agrária estabelecido e o governo não consegue formular esse programa.
Segundo o ministro Pepe Vargas, 22.600 famílias foram assentadas em 2011...
O número de 2011 foi o mais vergonhoso da história do Brasil nos últimos 16 anos. Foi o pior índice desse período, uma vergonha para o governo Dilma, para o MDA e para o Incra. Os assentamentos do ano passado não atendem às famílias que estão acampadas. O ministro se equivoca ao dizer que o número de famílias acampadas diminuiu. Basta ver os números do Incra. As declarações do ministro mostram que tanto o MDA quanto o Incra não tem um planejamento de desapropriação de terras e de Reforma Agrária. Não tem planejamento, nem infraestrutura ou recursos para realizar essa tarefa.
Por que a Reforma Agrária está parada?
Há um avanço muito grande das empresas transnacionais na agricultura brasileira. O orçamento dessas empresas é dez vezes maior do que o do MDA, Incra e Ministério da Agricultura. Então, essas empresas mandam no campo brasileiro. O governo é frouxo para fazer a Reforma Agrária e colocar um limite à compra de terras por estrangeiros no país. Há um teto de R$ 100 mil que pode ser investido no assentamento de cada família na desapropriação de terras. É impossível, com a inflação dos terrenos causada pelas transnacionais e pela compra de terras por estrangeiros, a compra de terra boa - de qualidade, para desenvolver a agricultura agroecológica, com produção de alimentos sem veneno - por esse valor por família. Para desapropriar terras, o orçamento do governo deste ano é R$560 milhões, que é insuficiente para assentar as 186 mil famílias acampadas.
O discurso do governo em relação à Reforma Agrária é que não é preciso mais assentar, mas garantir investimentos nos assentamentos existentes. Como você vê esse discurso?
Esse discurso é cansativo, porque aparece em todo debate com o governo para discutir a questão agrária. Queremos investimentos também. Agora, onde isso está acontecendo? Cadê o orçamento para construir casas, as agrovilas rurais, postos de saúde e escolas? Nos últimos dez anos, foram fechadas mais de 37 mil escolas no campo nas áreas rurais. Apesar do discurso, na prática nada acontece. Nem a criação de assentamentos nem os investimentos nas áreas da Reforma Agrária.
Quanto de recursos públicos é destinado aos agricultores familiares e aos latifundiários?
No ano passado, R$14 milhões foram para a agricultura familiar e R$150 milhões para o agronegócio. Nesta semana, o governo vai lançar o Plano Safra 2012/2013. O montante vai girar em torno de R$180 milhões para o agronegócio. Em contrapartida, o governo vai destinar R$18 milhões para a agricultura familiar. Dez vezes menos investimentos para a agricultura familiar, que produz 70% dos alimentos, gera em cada hectare nove empregos. Além disso, o agronegócio está completamente endividado, mas protela as dívidas com o governo brasileiro, ao passo que as dívidas dos agricultores familiares nos bancos demoraram para ser renegociadas.
O Plano Nacional de Agroecologia deveria ter sido anunciado na Rio+20, mas até agora não saiu. Qual a importância desse plano?
O que foi apresentado até agora não resolverá o problema da agricultura familiar. A proposta não tem capacidade de garantir que a agroecologia se torne uma política agrícola que combata todos os efeitos negativos do agronegócio. Da forma que foi apresentado até agora, o plano não vai causar grandes mudanças no campo. Precisamos de planos mais estruturantes. O governo chamou os movimentos para discutir o plano, fez um pré-lançamento no Planalto e ficou de apresentar na Rio+20 para limpar a sua barra por causa do fiasco com as mudanças no Código Florestal. O plano é muito tímido para o enfrentamento do modelo de agricultura brasileira, que hoje consome 20% de todo veneno do mundo. O plano é insuficiente para uma agricultura que, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem produzido câncer por meio do trabalho agrícola e por causa do consumo de alimentos envenenados. Por outro lado, a liberação dos transgênicos avança cada vez mais.
O governo tenta fazer com que o modelo agroecológico e o agronegócio coexistam. A existência desses dois modelos agrícolas juntos é possível?
É impossível. O agronegócio usa transgênicos e agrotóxicos, concentra a terra e expulsa os pequenos agricultores para produzir para exportação. É impossível, do ponto de vista prático, a convivência dos dois modos de produção. Do ponto de vista político e econômico, não dá para ter uma política com poucos investimentos para a agroecologia e grandes repasses ao tubarão do agronegócio.
FONTE: MST
domingo, 1 de julho de 2012
Os jesuítas do Paraguai denunciam o golpe contra Lugo
"O julgamento político a que foi submetido o presidente constitucional da República do Paraguai, Fernando Armindo Lugo Méndez, pode até ser legal, porém não foi nem legítimo nem justo", afirma o Comunicado de comunidades católicas inacianas e afins, publicado no sítio da Província dos Jesuitas do Paraguai, 26-06-2012.
O texto alerta: "Não nos deixemos enganar. Rechacemos suas meias verdades manipuladas. Saibamos discernir os sinais dos tempos na conjuntura atual".
A tradução é de Benno Dischinger.
Eis o texto.
“Ai de vocês, que transformam as leis em algo tão amargo como o absinto e jogam
ao chão a justiça! Vocês odeiam a quem defende o justo no tribunal
e aborrecem todo aquele que diz a verdade.” (Amós 5, 7 e 10).
ao chão a justiça! Vocês odeiam a quem defende o justo no tribunal
e aborrecem todo aquele que diz a verdade.” (Amós 5, 7 e 10).
Sentindo-nos parte da Igreja comprometida com a paz que brota da justiça, membros de diferentes comunidades católicas de inspiração inaciana e afins, nos temos reunido em oração, à luz de nossa fé em Jesus Cristo, para discernir os últimos acontecimentos ocorridos em nosso país. A pergunta premente do quê nos quer dizer Jesus nestes acontecimentos leva-nos a expressar quanto segue:
1. Impele-nos nossa fé em Cristo Jesus, Deus encarnado, que espera nossa ajuda para tanta gente que vive hoje sem trabalho, sem saúde, sem educação... Jesus sofre em meio da pobreza de quase dois milhões de paraguaios.
1. Impele-nos nossa fé em Cristo Jesus, Deus encarnado, que espera nossa ajuda para tanta gente que vive hoje sem trabalho, sem saúde, sem educação... Jesus sofre em meio da pobreza de quase dois milhões de paraguaios.
2. Refletindo sobre a legalidade ou não do julgamento político a que foi submetido o presidente constitucional da República do Paraguai, Fernando Armindo Lugo Méndez, concluímos que tal julgamento pode até ser legal, porém não foi nem legítimo nem justo. Os conteúdos (acusações genéricas baseadas em opiniões refutáveis) não respeitaram o fundo e a razão de ser de um julgamento político, o qual levou à execução de uma sentença pré-determinada, violando preceitos constitucionais e de Direitos universalmente aceitos.
3. Indigna-nos a manipulação dos Meios comerciais de Comunicação Social, que seguem enganando com meias verdades e falsidades, manipulando a informação sempre a favor dos grandes interesses econômicos de grupos que monopolizam e açambarcam as riquezas e terras de nosso país.
Não nos deixemos enganar. Rechacemos suas meias verdades manipuladas. Saibamos discernir os sinais dos tempos na conjuntura atual.
Não nos deixemos enganar. Rechacemos suas meias verdades manipuladas. Saibamos discernir os sinais dos tempos na conjuntura atual.
4. O desgraçado massacre de Curuguaty tem sido somente a faísca que pareceria estar disposta para pôr em marcha a tensão social e política à qual as autoridades continuam expondo todo o país. Se bem que agora em processo de investigação pelas autoridades judiciciais, percebemos este fato como se se tratasse de uma estratégia programada que desencadeou numa tragédia.
Não se trata tão somente da troca de um presidente, trata-se, sobretudo, da reafirmação e do fortalecimento de um sistema crescente de açambarcamentos altamente egoístas, às custas da miséria de milhões de pessoas e da perda de nossos recursos.
5. Cremos que a terra é um dom de Deus para todos os seus filhos e filhas. Todos os cidadãos têm direito a um pedaço de terra onde possam viver e, se são camponeses, do que viver. Defendemos o direito de propriedade como um direito subordinado a outros direitos, como o Direito à Vida e o uso solidário dos bens, de forma que a prosperidade e a vida digna cheguem a todos e todas. Por isso, é fundamental uma Reforma Agrária que permita que os latifúndios possam ser redistribuídos equitativamente e com a devida preparação.
6. Não aceitamos a volta atrás deste processo que, com suas luzes e sombras, ampliou as políticas sociais em benefício dos mais pobres. Queremos seguir lutando pela dignificação de toda pessoa humana, para que haja trabalho para todos, para que a propriedade seja repartida equitativamente, para que o processo de democratização siga se consolidando e para que haja um respeito total às idéias e às organizações de todos.
7. Animamos a todos a seguirmos manifestando-nos pelos meios pacíficos que estejam ao nosso alcance, para fazer escutar as vozes que este sistema procura aplacar e calar, as vozes dos mais pequenos e excluídos do sistema, nos quais reconhecemos os preferidos de Cristo.
Assunção, 26 de junho de 2012.
Comunidade de Vida Cristã (CVX)
Movimento de Profissionais Católicos (MPC)
Irmandade de São Roque González
Assunção, 26 de junho de 2012.
Comunidade de Vida Cristã (CVX)
Movimento de Profissionais Católicos (MPC)
Irmandade de São Roque González
FONTE: ALBA NOTÍCIAS
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