quinta-feira, 21 de maio de 2015

Video: Formalização da eleição do Frei Michael Perry Ministro Geral


Formalização da eleição em Porciúncula, renovação de obediência e bênção para os irmãos do Ministro

Imediatamente após sua eleição os frades Capitulares se dirigiram à Igrejinha da Porciúncula, na Basília de Santa Maria dos Anjos, em Assis, para formalizar a eleição, validada pelo cardeal representante do Papa Francisco. O canto do Te Deum recebeu os Frades na Basílica, canção de ação de graças, por mais este dom que o Senhor faz à Ordem e à Igreja. Uma longa fila de irmãos (aos Capítulares, se juntaram alguns outros frades) para felicitar pessoalmente o recém-eleito e confirmar o respeito e obediência. O ato terminou com a bênção do Ministro a todos os presentes. 

Frei Michael foi eleito em primeiro escrutínio com 109  votos (foram 126 votantes) e terá a missão de conduzir a Ordem dos Frades Menores nos próximos seis anos.

Frei Michael é o 121º representante de São Francisco de Assis na Ordem dos Frades Menores. A ele foi confiada a missão de conduzir a Ordem pela primeira vez no dia 22 de maio de 2013 depois que o Papa Francisco nomeou o então Ministro Geral da Ordem, Frei José Rodríguez Carballo, arcebispo.

Frei Michael Anthony Perry é reeleito Ministro Geral dos Franciscanos (OFM).



Frei Michael foi eleito em primeiro escrutínio com 109  votos (foram 126 votantes) e terá a missão de conduzir a Ordem dos Frades Menores nos próximos seis anos.

Frei Michael é o 121º representante de São Francisco de Assis na Ordem dos Frades Menores. A ele foi confiada a missão de conduzir a Ordem pela primeira vez no dia 22 de maio de 2013 depois que o Papa Francisco nomeou o então Ministro Geral da Ordem, Frei José Rodríguez Carballo, arcebispo.

Imediatamente após sua eleição os frades Capitulares se dirigiram à Igrejinha da Porciúncula, na Basília de Santa Maria dos Anjos, em Assis, para formalizar a eleição, validada pelo cardeal representante do Papa Francisco. O canto do Te Deum recebeu os Frades na Basílica, canção de ação de graças, por mais este dom que o Senhor faz à Ordem e à Igreja. Uma longa fila de irmãos (aos Capítulares, se juntaram alguns outros frades) para felicitar pessoalmente o recém-eleito e confirmar o respeito e obediência. O ato terminou com a bênção do Ministro a todos os presentes. Vide o vídeo abaixo:


Nascido em Indianápolis (EUA) no dia 7 de junho de 1954, Frei Michael Perry foi Vigário Geral da Ordem antes de ser eleito Ministro Geral em 2013. Ele foi Ministro Provincial da Província do Sagrado Coração de Jesus (EUA), onde também foi professor de Teologia e trabalhou na Comissão Internacional de JPIC.


Durante dez anos, trabalhou como missionário na República Democrática do Congo, a serviço da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA.

Seu currículo acadêmico inclui doutorado em Antropologia Teológica, mestrado em Teologia, mestrado em Formação Sacerdotal e Bacharelado em História e Filosofia.

Frei Michael ingressou na Ordem Franciscana em 25 de junho de 1977 quando fez o noviciado e professou solenemente na Ordem no dia 10 de outubro de 1981.

Frei Michael é o terceiro norte-americano a ocupar o posto de São Francisco de Assis. Antes dele, o primeiro a ser eleito foi Frei Valentine Schaff, da Província São João Batista, e o segundo Frei John Vaughn, da Província de Santa Bárbara, para um mandato de 1979-1991.

Franciscana em 25 de junho de 1977 quando fez o noviciado e professou solenemente na Ordem no dia 10 de outubro de 1981.

Frei Michael é o terceiro norte-americano a ocupar o posto de São Francisco de Assis. Antes dele, o primeiro a ser eleito foi Frei Valentine Schaff, da Província São João Batista, e o segundo Frei John Vaughn, da Província de Santa Bárbara, para um mandato de 1979-1991.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Um vídeo de denúncia e esperança - Igrejas e Mineração na América Latina


Megaminas a céu aberto, desmatamento e expulsão de famílias e inteiras comunidades. Povos indígenas e comunidades quilombolas ameaçados por interesses minerários sobre seus territórios. Poluição das águas, da terra e do ar.

Processos de escoamento do minério que impactam centenas de comunidades ao longo dos minerodutos ou das ferrovias que exportam a grandíssima maioria de nossos minérios.
Conflitos e manifestações populares, espionagem e criminalização das lideranças.

Apesar de tudo isso, a mineração no Brasil pretende aumentar de 3 a 5 vezes nos próximos 20 anos. A proposta do novo Código de Mineração, cada vez mais criticada por comunidades, sindicatos, movimentos sociais e entidades do País inteiro, visa flexibilizar a legislação para facilitar os interesses das empresas mineradoras.
Diversas comunidades atingidas são apoiadas, assessoradas e defendidas também pelas igrejas. A Igreja Católica se posicionou com críticas contundentes contra a nova proposta de Marco Legal da Mineração. Várias lideranças cristãs de América Latina estão se articulando para buscar alternativas às agressões da mineração.
 ‘Iglesias y Minería’ é um grito de sobrevivência, resistência e esperança, o grito das comunidades e da vida que não se deixará arrancar.
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Iglesias y Minería é um grupo ecumênico de leigos, leigas, religiosas e religiosos empenhados em defesa das comunidades afetadas por mineração nos diversos países do Continente. Desde 2013 o grupo articula os atingidos entre si, com a hierarquia das igrejas que queiram e possam apoiá-los, e com instituições internacionais de defesa dos direitos humanos.

Problemas socioambientais e econômicos tendem a aumentar com novo Código de Mineração, avalia bispo

O bispo de Pesqueira (PE) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Luiz Ferreira Sales, participou na última semana, do Seminário sobre o Marco Civil da Mineração, promovido pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados. Na audiência, realizada em 5 de maio, o bispo alertou sobre a tendência de problemas socioambientais e econômicos aumentarem caso o texto seja votado da forma que está.Com a presença de representantes de entidades sindicais e de movimentos sociais ligados à mineração, dom José Luiz recordou o posicionamento da CNBB por meio de carta aberta divulgada em março de 2013, pelo Conselho Permanente da entidade.“Devido à amplitude da lei, consideramos de fundamental importância que se promova um amplo debate com a sociedade e as populações a serem impactadas pelas atividades mineradoras. A ausência do debate público, percebido até o momento, impede a população de conhecer e opinar sobre assunto de grande relevância social e ambiental, que tem efeitos diretos em sua vida”, consta do texto.

O bispo analisou situações como o aumento do uso de energia para atividade mineral voltada à exportação, que implicará na necessidade de mais usinas hidrelétricas nos rios amazônicos, “exacerbando os atuais conflitos com as populações indígenas e ribeirinhas da região”.


A questão da água é outra problemática na realidade da mineração. “A mineração também consome e polui muita água, gerando conflitos com as comunidades locais onde há extração, que passa a se ver privada pelo uso de um bem tão essencial à vida”, analisou dom José Luiz.


Em Conceição do Mato Dentro (MG), comunidades quilombolas e de pequenos agricultores têm sofrido com a contaminação da água causada pela atividade minerária na região. “Casos como esse se multiplicam pelo país. Esses problemas socioambientais e econômicos tendem a aumentar com a aprovação do texto da forma como está”, reforça o bispo.


O questionamento da CNBB e de movimentos sociais deve-se ao fato de que determinadas situações não são previstas ou evitadas nos projetos em tramitação na Câmara (PLs 5807/13 e 37/11 e apensados). Apesar de reconhecer novidades no marco regulatório, o bispo denuncia que há uma série de aspectos “tão ou mais importantes” como os previstos no texto e que interessam à soberania da sociedade brasileira, mas que simplesmente não foram abordados pelo projeto, voltado apenas à questão econômica.


“As empresas têm investido no poder legislativo por meio do financiamento de campanha, por ser o mecanismo de criação das leis brasileiras e isso tem afetado a soberania das leis brasileiras, pois as leis estão sendo cada vez mais tendenciosas para garantir os interesses empresariais”, afirmou.


Ao final de sua fala, dom José Luiz Ferreira Sales citou o papa Paulo VI na reflexão sobre o desenvolvimento. “O desenvolvimento não justifica tudo e não é verdadeiro quando reduzido a um simples crescimento econômico. Para ser autêntico, recorda-nos o papa Paulo VI, o desenvolvimento deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo”, finalizou.


TramitaçãoO atual Código de Mineração (Decreto-Lei 227/67) foi publicado durante o regime militar. Em 2013, o governo federal enviou uma proposta para o Congresso Nacional. Esta foi concatenada com outros seis projetos de lei sobre o assunto e que estavam em tramitação na Câmara dos Deputados.


O projeto atual é acompanhado por deputados que tiveram suas campanhas financiadas por empresas mineradoras.


Com informações da Câmara dos Deputados
Fotografia de Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
FONTE: CNBB

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Em uma semana três lideranças indígenas assassinadas em emboscadas semelhantes no Maranhão e Bahia.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) protocolou denúncia em mais de 20 órgãos públicos pedindo providências quanto aos assassinatos em série ocorridos no Nordeste. Em uma semana, três lideranças indígenas foram mortas em emboscadas semelhantes no Maranhão e Bahia, além de um ataque que devastou casas e plantações na aldeia Patiburi, Terra Indígena (TI) Tupinambá de Belmonte, também na Bahia.

Eusébio Ka’apor, 42 anos, assassinado no dia 26 de abril na TI Alto Turiaçu (MA), liderava, junto com outros indígenas, ações de proteção e fiscalização do território, que culminaram no fechamento de todos os ramais que exploravam madeira ilegalmente na TI. Eusébio era um dos nomes da “lista de execução” dos madeireiros. O Agente Indígena de Saúde Adenilson da Silva Nascimento, 54 anos, da TI Tupinambá de Olivença (BA), foi morto no dia 1º de abril por três pistoleiros que atiraram também em sua esposa, Zenaildes, que sobreviveu. O casal estava acompanhado do filho de um ano e uma adolescente de quinze. No dia 3 de abril Gilmar Alves da Silva, 40 anos, se dirigia à aldeia Pambú, do povo Tumbalalá (BA), quando a moto que pilotava foi interceptada à força por um automóvel. Com o impacto, o corpo de Gilmar foi lançado ao chão de terra batida e alvejado por uma sequência de tiros.

O Cimi exige que as autoridades federais, que até agora não se manifestaram, investiguem os crimes. Para a entidade, os assassinatos são sequenciais e seletivos, derivados de um processo de incitação ao ódio às populações indígenas, intensificado nos últimos dois anos. 

No final de 2013, entidades ligadas aos interesses do agronegócio no Mato Grosso do Sul, além de políticos da bancada ruralista, promoveram o chamado “Leilão da Resistência”, que arrecadou cerca de R$ 1 milhão com a finalidade de “combater os índios”. O valor está depositado em juízo por força de um mandado de segurança.

Também em 2013 foram proferidos os discursos racistas dos parlamentares Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS), que, além de declararem que “quilombolas, índios, gays, lésbicas” são “tudo o que não presta”, incitaram a população de Vicente Dutra (RS) a contratarem seguranças privados para expulsar os indígenas de seu território. “Reúnam verdadeiras multidões e expulsem do jeito que for necessário”, disse Alceu Moreira. (Lembre).

O secretário Executivo do Cimi, Cleber Cesar Buzatto, lembra ainda da organização criminosa identificada em 2014 no Mato Grosso pelo Ministério Público Federal com apoio da Polícia Federal, que se articulava nos estados de Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão e Goiás com o objetivo de invadir terras indígenas. “Os três assassinatos estão dentro da área de atuação dessa organização criminosa, que inclusive é a mesma que patrocina a PEC 215/00 e faz lobby nos poderes da república”.

A paralisação dos procedimentos de demarcação e a omissão quanto à proteção das terras indígenas por parte do Poder Executivo, além das decisões da 2ª. Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que anularam atos administrativos de demarcações, também foram ressaltadas pelo Cimi como políticas decisivas no aumento da violência contra os povos indígenas.

Cleber Buzatto aponta que o ódio e o preconceito contra os povos indígenas têm sido incentivados, estrategicamente, pelos “principais representantes da bancada ruralista, que fazem discursos e organizam atos nas respectivas regiões para incentivar ataques contra povos e comunidades indígenas. Isso se dá com o objetivo de legitimar as ações parlamentares de ataque aos direitos dos povos, no âmbito do Congresso Nacional, especialmente por meio da PEC 215. Esse método foi se intensificando a partir de 2013 e, na nossa avaliação, os três assassinatos têm relação direta com esse processo”. Entre as solicitações do documento estão a retomada das demarcações de terras; o arquivamento, pelo Congresso Nacional, das proposições anti-indígenas e a revisão, pelo Poder Judiciário, das decisões contrárias aos direitos territoriais dos povos.

O documento foi protocolado no Supremo Tribunal Federal; Presidência da República; Ministério da Justiça; Casa Civil; Secretaria Geral da Presidência; Presidência da Câmara dos Deputados; Presidência do Senado Federal; Conselho Nacional dos Direitos Humanos; Coordenação Nacional do Programa de Proteção dos Defensores de DH; Secretaria de Direitos Humanos; Fundação Nacional do Índio; Secretaria Especial de Saúde Indígena; Ministério Público Federal (MPF); 6º Câmara do MPF; 4º Câmara do MPF; 2º Câmara do MPF; Delegação União Européia; Organização das Nações Unidas; Embaixada da Noruega e Embaixada da Áustria.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

PF investiga ação de instituições financeiras em extração ilegal de ouro e pedras preciosas em terras indígenas

Por Alex Rodrigues, da Agência Brasil
Instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a atuar no mercado de capitais são o alvo final da Operação Warari Koxi (destruição do meio ambiente em língua Yanomami), deflagrada ontem (7 de maio), pela Polícia Federal (PF), para desmantelar esquema criminoso de extração ilegal de ouro e pedras preciosas em reservas indígenas. O principal alvo da atividade ilícita é a Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
Segundo a delegada federal Denisse Dias Rosas Ribeiro, responsável pelo inquérito policial, o principal objetivo da investigação iniciada em novembro de 2014 é mapear toda a cadeia da extração ilegal de ouro, diamantes e tantalita para, assim, identificar e punir quem financia a ação ilegal dos garimpeiros. Tantalita é um minério bastante valorizado no mercado: por oferecer resistência ao calor é aplicado na indústria eletrônica.
“Tivemos que atuar em três frentes: executores, pessoas que retiram o ouro [e outros minérios valiosos] das áreas indígenas; intermediários, lojistas que captam os produtos e fornecem insumos [recursos] para os executores atuarem; financiadores, que estão nos grandes centros”, disse Denisse.
Segundo ela, em Roraima, há pessoas de baixa renda usadas pelo esquema. No topo da cadeia, como beneficiárias financeiras do esquema, há Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVMs). Ela acrescentou que lojistas e garimpeiros já autuados “são explorados: a maior parte do dinheiro movimentado vai para os grandes centros urbanos, para as mãos de poucos”.
“Já sabemos o destino final deste ouro: estamos atuando na base para demonstrar a materialidade desse crime e [identificar] toda a cadeia para, quando formos atuar em relação aos financiadores, não restar dúvidas sobre como isso é feito”, disse Denisse.
Supervisionadas pelo Banco Central, as DTVMs, entre outras ações, intermedeiam a oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado. Operam também no mercado acionário, comprando, vendendo e distribuindo títulos e valores mobiliários, inclusive ouro.
De acordo com o chefe da delegacia regional de Combate ao Crime Organizado em Roraima, Alan Robson Alexandrino, as DTVMs investigadas – cujos nomes não foram revelados – realizavam operações para aparência legal a todo o montante movimentado ilicitamente. Durante as investigações, a PF identificou movimentação suspeita de cerca de R$ 1 bilhão.
Por Alex Rodrigues, da Agência Brasil.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

EXPO215: a ambiguidade de uma feira do agronegócio

É O PLANETA QUE NOS NUTRE

por Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, ofm
Rivista Milena Edizione

A EXPO2015 inicia-se no 1º de Maio de 2015, em Milão. Apresenta-se como uma “Exposição Universal” e como “o maior evento jamais realizado sobre alimentação e nutrição (1). Em um espaço de mais de um milhão de metros quadrados, com 140 países, onde é esperado passarem mais de 20 milhões de pessoas. O que chama a atenção e desafia a consciência, e creio que possa servir como uma chave de leitura para este evento é o seu slogan: "Alimentar o Planeta, Energia para a Vida".

"Alimentar o Planeta, Energia para a Vida" é um slogan que captura a atual lógica do mercado tecnológico associado ao poder da indústria de alimentos. As incursões cada vez mais intensas das inovações tecnológicas no setor agroalimentar, tais como o consumo de biotecnologia expande o domínio das grandes corporações multinacionais no setor de vegetais, produtos químicos, animais, e bioinformática.

É importante notar que não somos nós que nutrimos o planeta, como nos quer fazer crer o slogan de EXPO215, mas é o planeta que nos nutre. Apesar da deterioração a que está submetido o planeta, nenhuma tecnologia pode prescindir dos elementos da natureza. Seja ela nano-, bio-, info- e cogno-, as tecnociências com qualquer que seja a retórica à elas associadas, tal como a de "alimentar o mundo", a intervenção, o controle, a engenharia, a sintetização, o construir ou o crear, se voltarmos à origem, em algum momento, no entanto, a natureza revela-se como fonte.

Recordando São Francisco de Assis, no Cântico das Criaturas, nós dizemos: "Irmã e Mãe Terra que nos sustenta e governa". A Terra é irmã e mãe, e não um objeto. A Terra é irmã, porque como nós, ela é a natureza. É Mãe, porque nos dá vida, nos sustenta. A terra é uma comunidade viva. Na perspectiva da fé, São Francisco diz que o ser humano é uma criatura entre as criaturas, é uma parte da criação, e dela depende. Ele vive em uma fraternidade cósmica e universal. Neste sentido, o conceito moderno de bem-estar está longe desta concepção de São Francisco. A Terra como irmã e mãe, que sustenta e governa, nos abre a possibilidade de dialogar com muitas outras visões de mundo, “cosmovisões”, como o "Bien Vivir" próprio do pensamento indígena andino. Terra como irmã e mãe, que nos sustenta e governa. nos ajuda na construção de novas idéias, juntamente com muitos outros conceitos e realidades como os direitos da natureza, justiça ambiental, o bem comum da humanidade e da própria natureza.

De acordo com a Global Footprint Network, a nossa pegada ecológica, que é o indicador utilizado para avaliar a pressão sobre o ambiente, nos mostra que o modelo hegemônico de desenvolvimento, nos colocou à cima dos próprios  meios de recuperação, em termos de meio ambiente . A demanda anual de recursos utilizados está acima do que a Terra é capaz de se regenerar a cada ano. Nós usamos, hoje, o equivalente a 1,3 planetas por ano.

"Alimentar o Planeta, Energia para a Vida": se trata de dar outro sentido à realidade. Isto não é senão o resultado da exacerbação do dualismo ocidental, marcado pela separação entre sujeito e objeto, entre os seres humanos e a natureza. O planeta é visto como elemento externo, como sem vida e passivo. Em uma feira do agronegócio este slogan é o resultado da incorporação da natureza (objeto) no circuito da produção / consumo / mercado para a expansão do capital, eliminando a generosidade natural do planeta. Querem nos fazer acreditar que a dinâmica dos ciclos naturais não é importante, e que a tecnologia resolve tudo.

A este respeito, a feira EXPO2015 apresenta a subordinação da ciência e da tecnologia à lógica de mercado, e sua transformação em bens, em mercadoria.

Aqui, é importante considerar também que a tecnologia não é uma entidade autônoma. O controle e a transformação de natureza não são separados do controle dos seres humanos. A tecnologia se desenvolve em um processo dialético de poder, o que limita a sua autonomia. Se olharmos, por exemplo, para a eficiência, que geralmente é apresentada como um fator determinante para o desenvolvimento tecnológico se pode ver que essa é definida por interesses sociais e econômicos. O que nos leva a entender que "objetos técnicos também são objetos sociais" e o desenvolvimento tecnológico se dá em "um cenário de luta social". (Feenberg, 2002) (2).

"Alimentar o Planeta, Energia para a Vida" é propor o planeta como carente e pobre. É inverter a questão, não colocar em discussão o que tira a vitalidade do planeta, é não superar o paradigma da era moderna: produção / consumo; desenvolvimento / crescimento; propriedade / lucro / acumulação.

Assim, na tentativa de manter a expansão do capital é proposta a venda de novas tecnologias, muitas delas de alto risco, tais quais a transgênica, a biologia sintética, a genômica, a nanotecnologia, geoengenharia, como a chave para a resolução de problemas como as mudanças climáticas, a fome, a falta de energia e a perda de biodiversidade, para mencionar algumas.

A lógica da EXPO2015 é considerar a irreversibilidade do modelo e buscar como se adaptar a ele. Assim, para explicar melhor, se pode fazer referimento à lógica da "agricultura climaticamente inteligente". Essa na realidade visa incorporar a agricultura no mercado de carbono, na venda do carbono sequestrado (armazenado) em solos agrícolas. Isto não é senão propor uma agricultura adaptada às mudanças climáticas e a criação de um novo mercado. Aqui, como contraponto, vale a pena recordar o slogan da Cúpula dos Povos Frente às Mudanças Climáticas, realizada em Lima, no Peru, por ocasião da 20ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP20), em 2014, que dizia: "Vamos mudar o sistema, não o clima. "

As empresas que produzem o maior impacto sobre o planeta e violam os direitos humanos, como o direito à alimentação, patrocinam a EXPO2015.

Resta salientar que a agricultura não é um pacote tecnológico, mas é sobretudo uma base da vida e de convivência com os ciclos da natureza. Não é possível um desenvolvimento econômico e social que se assente sobre a base de uma exploração predatória do meio ambiente e dos seres. A justiça ambiental e os direitos da natureza nos desafiam a uma vida melhor.

Temos, portanto, um desafio, o da luta pela vida. A luta contra a privatização e mercantilização da natureza, da terra, da água, das sementes, da cultura e do conhecimento. Os chamados "bens comuns", da  humanidade e da natureza. O desafio de repensar a nossa relação com o planeta. Um planeta vivo, a vida comunitária, onde tudo e todos estão interligados e interdependentes. 
(2) Feenberg, Andrew. Transforming technology. A critical theory revisited. Oxford, Oxford University Press, 2002.