quinta-feira, 12 de abril de 2012

Lago pode cobrir corpos de guerrilheiros do Araguaia

Os obstáculos no caminho da hidrelétrica de Santa Isabel não estão restritos a danos socioambientais ou arqueológicos. O que está em jogo é a perda de um importante capítulo da história recente do país. É na região projetada para receber a usina que ocorreu a Guerrilha do Araguaia, na década de 1960, quando um grupo de militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), recrutado nas regiões Sudeste e Nordeste do país, montaram uma frente de resistência contra o governo militar.
A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 11-04-2012.

O plano era dar início a um movimento de guerrilha rural no Brasil. Os militantes se agruparam na região de confluência dos Estados de Goiás, Maranhão e Pará. Em 1968, quando os militares intensificaram a repressão aos movimentos urbanos de resistência ao regime, militantes começaram a se deslocar para a região do Araguaia. Nos combates, dezenas foram executados. Em meados da década de 1970, o movimento guerrilheiro foi praticamente banido da região, com seus militantes presos ou mortos, sem que fossem dados detalhes sobre os desaparecidos. A estimativa é de que cerca de 80 guerrilheiros se envolveram na guerrilha, entre eles o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, detido pelo Exército em 1972.

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), historicamente contra a construção de Santa Isabel, alega que até hoje a área onde será formado o reservatório da hidrelétrica pode esconder os corpos de 58 pessoas executadas durante os combates com os militares.

O governo, pressionado pelos movimentos sociais e políticos e organizações de familiares de desaparecidos, reiniciou as atividades de busca dos restos mortais de guerrilheiros e militares, conforme aponta o estudo de impacto ambiental realizado pelo consórcio Gesai. O trabalho, liderado por um grupo denominado "Grupo de Trabalho Tocantins", é formado por membros da Polícia Federal, Exército, peritos forenses do Ministério da Defesa e governo do Pará, além de parentes de guerrilheiros mortos e desaparecidos durante a guerrilha.

Para os empreendedores de Santa Isabel, a polêmica está perto de seu fim. Em seu relatório, o grupo afirma que "os resultados das investigações realizadas até o momento têm conduzido a possíveis locais de enterramento dos desaparecidos, aparentemente fora da área que será ocupada pelo futuro reservatório".
Fonte: IHU

terça-feira, 3 de abril de 2012

Abril Vermelho inicia com ocupação na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais



Trabalhadores rurais do MST da região do Alto Paranaíba (MG) já começaram a traçar a vermelhidão deste mês abril com mais uma ocupação de um latifúndio.
Neste último domingo (01), cerca de 40 famílias de Sem Terra ligadas ao MST ocuparam a fazenda Palmeiras no município de Carmo do Paranaíba. A fazenda pertence à massa insolvente Ofir de Castro. 
A área de 120 hectares faz parte de um conglomerado de outras quatro propriedades dessa mesma massa solvente, que juntas totalizam cerca de 800 hectares. Atualmente, por volta de 150 famílias do Movimento ocupam quatro das cinco áreas pertencentes ao grupo, em que todas são reivindicadas para fins de Reforma Agrária. 
Além da pressão ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pela desapropriação da área para assentar as famílias que ali se encontram, o MST também ocupa a fazenda em gesto de solidariedade aos três companheiros (a) tombados há alguns dias na região do Triângulo Mineiro.
A ocupação faz parte da Jornada Nacional de Lutas do MST no mês de abril, relembrando a morte dos 19 companheiros (as) mortos em 1996 na cidade de Eldorado dos Carajás, no estado do Pará, cujos responsáveis pelo massacre ainda estão impunes.
Fonte: MST

sábado, 31 de março de 2012

Movimentos de Sem Terra fecham rodovias no Triângulo Mineiro

Manifestantes protestam contra morte de três integrantes do MLST Cerca de 500 manifestantes de grupos ligados aos movimentos dos sem-terra e dos sem-teto realizaram, na tarde desta sexta-feira (30), uma manifestação conjunta que gerou o fechamento das entradas de Uberlândia nas quatro rodovias federais que cortam a cidade. Ao todo, as pistas ficaram interditadas entre as 14h e 15h nas rodovias BR-050, no quilômetro 81, sentido Uberaba, BR-452 sentido Araxá, BR-497 sentido Prata e BR-365 próximo ao trevo do bairro Tocantins, zona oeste de Uberlândia. Os manifestantes atravessaram galhos de árvores na pista e atearam fogo. O protesto, de acordo com os integrantes dos movimentos, aconteceram como protesto pela morte de três membros do grupo, mortos no último sábado (24). “Queremos que as autoridades tomem uma providência o mais rápido possível, essas mortes não podem ficar impunes. Temos certeza de que sem-terra, não mata sem-terra”, disse Welligton Marcelino, 27 do Movimento dos Sem-Teto do Brasil (MSTB). Na BR-050, cerca de 300 manifestantes se reuniram na pista. O congestionamento cerca de quatro quilômetros, segundo a Polícia Rodoviária Federal. A Polícia Militar esteve no local e de acordo com o tenente Eduardo Lima, do 17º BPM, nenhuma ocorrência foi registrada nos locais. “Foi uma manifestação pacífica. Eles cooperaram e liberaram a pista quando pedimos”, afirmou. Participaram do protestos membros do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), do Movimento pela Luta pela Terra (MLT), Movimento Passe Livre (MPL), do Movimento Popular pela Reforma Agrária (MPRA) e do Movimento dos Sem-Teto do Brasil (MSTB). FONTE: Correio de Uberlândia - Frederico Silva

quarta-feira, 28 de março de 2012

Nota da CPT / AFES sobre assassinato de sem terra, lideranças do MLST, em Uberlândia (MG)

O tríplice homicídio, que ceifou as vidas de Milton Santos Nunes, 52 anos, Clestina Leonor Sales Nunes, 48 anos e Valdir Dias Ferreira, 39 anos, lideres do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra), clama por justiça.
Há muito, os movimentos sociais do campo, pastorais e organizações da sociedade civil vêm denunciando a violência do latifúndio e sua impunidade, na região do Triângulo Mineiro. Não é possível que a vida humana seja considerada como um nada, diante da voracidade do agronegócio e das ações de grupos armados, ligados a latifundiários.
As famílias sem terra do Triângulo Mineiro, e em particular aquelas acampadas na Fazenda São José dos Cravos, estão vivenciando na carne a Semana Santa, que se aproxima com a paixão e morte de Cristo. O sangue derramado por Clestina, Milton e Valdir, covardemente executados pelo latifúndio, se junta ao sangue de Cristo e de tantos outros irmãos e irmãs, martirizados por causa de conflitos agrários e dos crimes do agronegócio.
O ser humano tem o direito sagrado à terra, base da vida. Não é justo que famílias fiquem neste nosso país, acampadas sob tensão e em condições inumanas, enquanto sobra terra, nas mãos de uns poucos. Não é justo que monoculturas, como a cana, se espalhem tomando territórios, para satisfazer as necessidades de lucro dos negócios de mercado. Não é justo que o direito constitucional à função social e ambiental da terra, não seja aplicado, e não se desapropriem os latifúndios.
Que a ressurreição, já vivida pelos que foram assassinados, venha para os sem terra com a reforma agraria e que se faça justiça em mais essa tragédia na luta agrária, no nosso querido Brasil.
Uberlândia, 28 de março de 2012
CPT – Triângulo Mineiro (Comissão Pastoral da Terra)
AFES – Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade

domingo, 25 de março de 2012

Sem Terra assassinados no Triângulo Mineiro


MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DOS SEM TERRA
 O MLST DENUNCIA O ASASSINATO DE TRÊS LIDERANÇAS NO TRIANGULO MINEIRO
 
Ontem os companheiros Valdir Dias Ferreira, 40 anos e Milton Santos Nunes da Silva, 52 e a companheira Clestina Leonor Sales Nunes, 48, membros da Coordenação Estadual do MLST no Estado de Minas Gerais, foram executados na rodovia MGC-455, a dois quilômetros de Miraporanga, distrito de Uberlândia. O bárbaro crime aconteceu na presença de uma criança de 5 anos.
Os companheiros e a companheira eram acampados na Fazenda São José dos Cravos, no município do Prata, Triangulo Mineiro/MG. A Usina Vale do Tijuco (com sede na cidade de Ribeirão Preto/SP) entrou com pedido de reintegração de posse apenas com um contrato de arrendamento. Diversas usinas vem implementando na região o monocultivo da cana de açúcar, trabalho degradante e o uso intensivo de agrotóxico e destruição do meio ambiente.
Essa área foi objeto de audiência no último dia 8 de março de 2012, não havendo acordo entre as partes. Dezesseis dias depois da Audiência as três lideranças que tinham uma expressiva atuação na luta pela terra na região e eram coordenadoras do acampamento foram assassinadas.
Trata-se de mais um crime agrário, executado pelo tão endeusado Agronegócio onde a vida e o direito de ir e vir não são respeitados. A impunidade e a ausência do Estado de Direito na região vem causando o aumento da violência e da tensão social.
Os nomes dos companheiros Ismael Costa, Robson dos Santos Guedes e Vander Nogueira Monteiro estão na lista de morte. Solicitamos imediatamente do Governo do Estado de Minas Gerais e da Política Federal proteção às lideranças ameaçadas. Não podemos mais ficar chorando a perda de pessoas, a obrigação do Estado é garantir o direito a vida de sua população, independente de classe social, cor e raça.  
Por tudo isso, O MLST reivindica aos Governos Federal e Estadual a constituição imediata de uma Força Tarefa na região do Triangulo Mineiro com a participação efetiva da Ouvidoria Agrária Nacional do MDA, INCRA, Secretaria Especial de Direitos Humanos, Secretaria da Presidência da República, Ministério da Justiça, Polícia Federal e o Promotor Agrário de Minas Gerais, Dr. Afonso Henrique.
Reivindicamos o assentamento imediato das famílias acampadas na região do Triangulo Mineiro.
Por fim, exigimos a prisão imediata dos fazendeiros mentores intelectuais dos assassinatos, bem como dos executores. Basta de Impunidade. Basta de Violência.  
O MLST presta sua última homenagem aos três dirigentes do Movimento no Triangulo Mineiro, clama por justiça e reafirma seu compromisso na luta pela democratização da terra para construir um País mais justo e igualitário.
Viva Clestina Leonor Sales Nunes!
Viva Valdir Dias Ferreira!
Viva Milton Santos Nunes da Silva!
Uberlândia, 24 de março de 2012
Coordenação Nacional do MLST

sábado, 24 de março de 2012

Trabalhadores sem terra do MLST são assassinados em Uberlândia (MG)

Três integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) foram encontradas mortos com um tiro na cabeça na rodovia estadual MGC-455, próximo ao distrito de Miraporanga, a 40 quilômetros de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Dois dos mortos são homens e tinham 40 e 52 anos. A outra vítima é uma mulher de 48 anos, segundo a Polícia Militar. Segundo a Polícia Militar, os corpos de Nilton Santos Nunes, 52, e Valdir Dias Ferreira, 40, estavam do lado de fora do carro. Já o de Clestina Leonor Sales Nunes, 48, estava dentro do veículo. Uma criança de 5 anos, neta de Nilton e Clestina e sobrinha de Valdir, estava no banco de trás do veículo quando os três foram mortos. A garoto foi encontrada pelo Corpo de Bombeiros em estado de choque.

A polícia agora apura se a criança conseguiu se esconder atrás de um dos bancos ou se os suspeitos de cometerem o crime a pouparam. “Ainda estamos em processo de apuração do caso. Colhemos informações no local e agora fica a cargo da Polícia Civil”, disse o sargento da PM Reis.

Testemunhas informaram aos policiais que dois homens chegaram em um carro prata e pararam o veículo deles. Em seguida, os dois homens desceram para saber o que era e nesse momento foram baleados com um tiro na cabeça. A mulher, que estava no banco da frente do carro, foi morta antes de tentar sair do veículo.

A polícia descarta a hipótese de latrocinio (roubo seguido de morte), porque no colo de Clestina Nunes estava uma bolsa com R$ 1.600 em dinheiro. Toda a documentação das três vítimas estavam espalhadas pelo chão. A polícia suspeita que a motivação possa ser acerto de contas ou rixas por conta da atuação dos três no MLST. Até o momento nenhum suspeito foi localizado.
Fonte: UOL