sábado, 21 de dezembro de 2019

Um Natal Indígena

Diante da situação dramática que vivem povos indígenas de nosso país, chegando ao limite de assassinatos neste tempo do Advento, e em sintonia com o pronunciamento de D. Walmor Oliveira de Azevedo, Presidente da CNBB, divulgado no dia 18 de dezembro de 2019 (veja em https://youtu.be/V0jo5b_3owo), gostaríamos de sugerir um gesto de solidariedade com nossos irmãos das comunidades indígenas neste tempo litúrgico no qual adoramos o
Senhor que nasce em uma manjedoura. O Papa Francisco nos convidou a olhar para o Presépio como um SINAL ADMIRÁVEL. Inspirados pelo Deus que nasce nos meio dos pobres, como pobre, possamos estar juntos/as daqueles/as que neste momento da história estão na manjedoura sem nenhuma proteção.
Convidamos as comunidades eclesiais, paróquias, pastorais, movimentos e organismos eclesiais, ordens e congregações religiosas a inserir, se possível já na liturgia do 4° domingo do Advento, ou nas do Natal, ou no dia em que celebramos a Paz Universal, segundo o costume e a realidade de cada grupo ou local, este gesto de compromisso com a defesa da dignidade da vida ameaçada de descendentes de quem primeiro habitou nosso território.
Algumas sugestões:
– Colocar nos presépios algo que possa simbolizar os povos indígenas, fazer uma oração e um canto em memória indígena (pode ser a oração da Campanha da Fraternidade de 2002 – Fraternidade e Povos Indígenas, que teve como lema “Por uma terra sem males”);
– Rezar pela Paz nos territórios indígenas nas celebrações, vigílias e caminhadas pela paz que serão realizadas no dia 01/01/2020, usando velas, roupas brancas e a oração da CF 2002 nestas celebrações;
– Na medida do possível, projetar o pronunciamento de D. Walmor nestas ocasiões e/ou dar ampla divulgação ao mesmo, inclusive nos meios de comunicação católicos;
– Um exemplo inspirador vem do Regional Nordeste 2: no 4º domingo do Advento será celebrado o 39º Natal das Comunidades, reunindo 3 dioceses do Agreste de Pernambuco (Garanhuns, Floresta e Caruaru). Na ocasião será passado o vídeo do presidente da CNBB, e na Celebração Eucarística a situação dos indígenas será lembrada no Ato Penitencial, nas Preces e a Oração e pela Paz;
– Nos locais onde há comunidades indígenas, convidar algum/a deles a para relatar a situação que enfrentam nas celebrações;
– Convidar as famílias a acender velas na frente ou na janela das casas em uma noite determinada.
São apenas alguns exemplos. Peçamos que Espírito Santo que tudo move e renova suscite a criatividade e o empenho das equipes de liturgia e demais grupos para que possamos estar em sintonia com as indicações do Sínodo Pan-Amazônico.
Assinam:
  • Conselho Nacional de Leigos e Leigas do Brasil
  • Coordenação da Ampliada Nacional das CEBs do Brasil
  • Pastoral da Juventude
  • Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB) – Regional Piauí
  • Juventude Franciscana (JUFRA) do Brasil
  • Ateliê 15
  • Instituto Catarinense de Juventude
  • Iser Assessoria
  • Pastoral Operária
  • Movimento Católico Global pelo Clima
  • Conselho Indigenista Missionário – CIMI
  • Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM): paróquias da Zona Leste de São Paulo
  • Articulação Brasileira pela Economia de Francisco
  • Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade-AFES
  • Católicos/as contra o Fascismo
  • Ordem Franciscana Secular (OFS) do Brasil
  • Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Frades Franciscanos Capuchinhos do Brasil
OBS.: convidamos a todos/as os/as que quiserem somarem no esforço de distribuir e assinar esta sugestão.

Baixe a carta aqui e leia e divulgue nas comunidades.

Oração da Campanha da Fraternidade 2002
Pai de todos os povos,

Queremos rezar pelos nossos irmãos indígenas,
Que lutam pela realização de seus sonhos.
Animados pelo vosso Espírito,
Consigam construir a terra sem males,
Que revela a busca do vosso reino.

Queremos também pedir por nós,

Para que nos convertamos,
Sejamos solidários com os povos indígenas,
Aprendamos com seus sonhos
E nos inspiremos em sua caminhada
Rumo à terra sem males.

Que possamos compreender

Que é possível a terra sem males,
Onde aconteça a plena libertação,
E a restauração da justiça,
De modo que possamos todos viver em fraternidade,
E haja a valorização de todos os povos.

Ó Pai, isso vos pedimos

Com a Virgem de Guadalupe,
Padroeira da América,
Por Jesus Cristo, que nos congrega num só povo
E alimenta nossas esperanças.
Amém.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Família Franciscana repudia ato de Bolsonaro


Neste dia Internacional de Direitos Humanos, 10 de dezembro, a Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB) e o Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia repudiam, em nota, lei sancionada por Bolsonaro, que declara o dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis e dia dos animais, como dia Nacional do Rodeio. Afirma a nota que se trata de "uma perversa associação de datas", dentro do "quadro de ações do atual Governo, que responde exclusivamente ao interesse do capital financeiro acima de qualquer perspectiva de cuidado e valorização da vida." Leiam a integra da nota:

NOTA DE REPÚDIO
“A vida acima de qualquer interesse”

O presidente Jair Bolsonaro sancionou na última quinta-feira (06/12/2019) a Lei nº 13.922, de 04 de dezembro de 2019, que institui o Dia Nacional do Rodeio, resultado do projeto de autoria do deputado Capitão Augusto (PL/SP). Na justificativa da proposta, seu autor afirma que o Dia do Rodeio deve ser comemorado “(...) no dia 04 de outubro de cada ano, em alusão ao dia dos animais, mesma data em que também se festeja o dia de São Francisco de Assis, que é santo protetor dos animais”.

Nós, Franciscanos e Franciscanas do Brasil, em nome da Família Franciscana do Brasil e do Serviço Interfrancisacno de Justiça, Paz e Ecologia - SINFRAJUPE,  repudiamos com toda veemência a perversa associação entre as datas mencionadas.

Francisco de Assis representa a partir de sua história uma relação cuidadosa e respeitosa com toda a forma de vida. Baseado nisso e na perspectiva da integralidade e da interdependência da vida no planeta, o Papa Francisco, assim aponta:

“Seria errado pensar que os outros seres vivos devem ser considerados como meros objetos submetidos ao domínio arbitrário do ser humano. Quando se propõe uma visão da natureza unicamente como objeto de lucro e interesse, isso comporta graves consequências também para a sociedade”. (Laudato Sí)

É evidente que esta “sanção” compõe um quadro de ações do atual Governo, que responde exclusivamente ao interesse do capital financeiro acima de qualquer perspectiva de cuidado e valorização da vida. Nestes últimos meses, são inúmeros os retrocessos na área ambiental, desde a perseguição às ONGs, passando pela militarização das entidades científicas e chegando até a ampla liberação de agrotóxicos, onde 30% dos ingredientes que são liberados no Brasil, são barrados na Europa. Sobre a Reforma Agrária, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em 2019, paralisou 66 projetos de assentamentos. Em relação a luta pelos direitos dos indígenas, suas terras têm sido ameaçadas, justificada pela desvirtuada alegação de que elas “inviabilizam o país” e fragilizam a soberania nacional, e que deveriam ter suas demarcações liberadas para as mineradoras.

Estas ações são parte de uma estratégia política e econômica em todos os âmbitos e setores do Estado. As recentes reformas trabalhista e previdenciária, assim como “ajustes” e cortes no orçamento público tem gerado índices alarmantes de desemprego e aumento de trabalhos informais, o que gera mais empobrecimento e miséria, outros dados, apontam ainda o crescimento do genocídio da juventude, da população negra e indígena. Atrelado a isto, a agenda ideológica contra o enfoque de gênero, desrespeito a diversidade cultural e religiosa, o descaso frente às políticas básicas de saúde e educação agravam ainda mais o atual contexto.

Enquanto isso, na contramão histórica, a agenda ambiental e de direitos humanos é prioridade internacional em diversos marcos e tratados entre as nações. Destacando-se os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS, que segundo relatórios de organizações da sociedade civil o Brasil não cumprirá esta agenda, por consequência das atuais políticas adotadas.

Os valores franciscanos defendem práticas, normas e políticas públicas que valorizam a vida e reprimam todas as formas de crueldade contra a natureza. Somos parte dela! Por isso, rejeitamos toda ação que sobrepõe o lucro ao meio ambiente e quaisquer formas de violações de direitos.

Repudiamos a nefasta e contraditória associação simbólica e política entre a Lei nº 13.922/2019, que institui o Dia do Rodeio, e o Dia de São Francisco e dos Animais: o primeiro por representar um projeto de violência e morte, e o segundo um projeto de defesa e proteção da vida.


Por todas estas razões, convocamos Movimentos, Coletivos, Redes, Fóruns, Sociedade em Geral e a todas as instâncias do Estado para revisão imediata dessa equivocada e ultrajante decisão.


10 de Dezembro de 2019

Dia Internacional dos Direitos Humanos
Ano do Sínodo da Amazônia


Família Franciscana do Brasil
Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia
SINFRAJUPE