domingo, 5 de abril de 2015

Feliz Páscoa!!!!

Estamos felizes, não porque tenha desaparecido a miséria, a injustiça, nem cessado a dor e a indiferença, mas porque sabemos que é possível vencê-las e transformá-las em vida e alegria. 

Cristo vive, venceu a morte !!!! Sabemos que nós mesmos podemos faze-lo. Se queremos encontrar o Cristo ressuscitado, o encontraremos em uma religião viva e cheia de amor, 
Feliz Páscoa!!!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Diálogo em um Mundo Plural - FSM2015

Com o tema Dignidade e Direitos, dezenas de milhares de pessoas se reuniram em Tunis, na Tunisia, nos dias 24 a 28 de março, para a realização do Forum Social (FSM) 2015. O Forum retornou à Tunisia, como forma de se solidarizar com uma sociedade que está mostrando um período de sucesso na construção de sua democracia. Contudo, o FSM2015 teve seu início cinco dias após o ataque terrorista que matou 22 pessoas. 

No contexto global, o Forum aconteceu em um ano particularmente crítico, em termos de decisões na comunidade internacional. Em 2015, duas grandes questões estão na agenda das Nações Unidas: a primeira em setembro, nos dias 25-27, quando acontecerá a Cúpula das Nações Unidas para a adopção da agenda de Desenvolvimento pós-2015 (que substitui os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio que termina agora em 2015), em Nova York, convocada como uma reunião plenária de alto nível da Assembleia Geral; e a segunda, será a Conferencia das Nações Unidas sobre Clima, a COP21, em Paris, no mês de dezembro, nos dias 30 de dezembro à 12 de novembro. É um momento critico, porque  se trata de questões fundamentais para humanidade: o desenvolvimento e o clima. Essas questões implicam na necessidade de pressão e participação da sociedade civil mundial, uma vez que o sistema ONU está cada vez mais capturado pelos interesses das corporações transnacionais.

Desenvolvimento e clima são duas questões interconectados. As mudanças no clima  estão intrinsicamente ligadas ao modelo de desenvolvimento hegemônico baseado na acumulação privada dos bens comuns e no crescimento econômico a todo custo, em nosso planeta, que é o capitalismo. A população começa notar essa ligação de uma tal maneira que se expressa em um dos slogans, da sociedade civil, para a conferencia do clima em Paris: “Mudemos o Sistema e não o Clima!”

Desde 2001, quando da primeira edição do FSM, em Porto Alegre, passaram-se 14 anos. A nossa sociedade global está cada vez mais injusta e a vida no planeta cada vez mais ameaçada. Segundo dados da Oxfam International, a desigualdade na distribuição da riqueza é tão grande que as 85 pessoas mais ricas do mundo possuem mais do que 3,5 bilhões de seres humanos. Esse modelo de sociedade cria uma sempre maior distancia entre riqueza e pobreza, gerando desigualdades sociais profundas que impactam na natureza. Ao analisarmos o quanto do planeta que está sendo utilizando para manter nossos hábitos de consumo, chegamos à conclusão que o tempo que o planeta precisa para conseguir se recuperar é cada vez maior. Isso  que significa que o meio ambiente começa a impor limites ao modelo de reprodução capitalista. Fica, então, o desafio de conjugar justiça social com justiça ambiental, essas fazem parte de uma mesma luta.

Ao longo desses 14 anos de FSM, representantes de JPIC (Justiça, Paz e Integridade da Criação) da Família Franciscana estivemos presentes e participando de suas atividades e articulações. Nesse FSM2015 nós participamos em colaboração com outras redes da sociedade civil internacional, como a Treaty Alliance (Aliança pelo Tratado), da qual fazemos parte. Essa rede já há alguns anos vem lutando para que o Conselho dos Direitos Humanos da ONU desenvolva um tratado vinculante sobre as violações dos direitos humanos cometidas pelas corporações transnacionais. No ano passado essa proposta foi apresentada pelo Equador, na reunião do Conselho e foi aprovada. Agora estamos organizados para participar e influenciar no processo de redação desse tratado. 
Com a "Aliança pelo Tratado" promovemos duas oficinas: 

Na  quarta-feira dia 25 de Março, 15:00-17:30, na sala R 107, realizamos uma oficina, com o tema: “Juntando-se ao movimento global para um tratado sobre direitos humanos e a atividade empresarial: uma sessão de informação e estratégia pelo Tratado de Aliança”. O objetivo foi o de informar e envolver grupos organizados na estratégia de defesa e planejamento para as ações. A prioridade é a construção de alianças. Da delegação franciscana, Francesca Restifio de Franciscans International, participou da mesa de debates.

Na quinta-feira dia 26 de Março, 15:00-17: 30 realizamos na Faculdade de Direito, na sala de conferencias uma oficina, com o tema: “Parando abusos de direitos humanos e trabalhistas pelas empresas: Novos desenvolvimentos na regulamentação internacional e nacional”. O objetivo foi o de sensibilizar e incluir de novos grupos, compartilhando experiências e estratégias, mostrando como um tratado pode ajudar, iniciativas nacionais e regionais. Da delegação franciscana, Frei Rodrigo, participou da mesa de debates.

Outras duas atividades foram organizadas junto com as redes “Igrejas e Mineração”, “Diálogo dos Povos”, essa última é uma rede de organizações e movimentos sociais da África-Subsaariana e América Latina, e com a CIDSE. Foram as seguintes:

Na  quarta-feira dia 25 de Março, 15:00-17:30, no anfiteatro AA, realizamos a oficina com o tema: “Mineração, Territórios e Mudanças Climáticas”. O objetivo foi o de fortalecer e ampliar a articulação de organizações e movimentos rumo a COP21 e depois. Também foi o de criar uma estratégia para colocar a questão da mineração no âmbito das lutas em relação à COP21. Da delegação franciscana, Frei Rodrigo coordenou a oficina.

Na sexta-feira dia 27 de Março, 15:00-17: 30, na sala SP19, realizamos a oficina com o tema: “Igrejas Cristãs e Mineração”. O objetivo foi de aprofundar a reflexão sobre a necessidade de articular as bases das igrejas cristãs e ampliar a rede "Igrejas e Mineração". Da delegação franciscana, Frei Rodrigo  e Moema participaram da mesa de debates.

Os temas dessas oficinas são interligados. As atividades da mega mineração tem violado direitos humanos e impacta no meio ambiente. De um lado as violações dos direitos humanos cometidas pelas empresas mineradoras precisam ser controladas e essas empresas tem de respeitar os direitos humanos. Elas tem de compensar e remediar os impactos dessas violações. Temos de fortalecer a criação de um instrumento legal, um tratado internacional que considere legalmente responsáveis as empresas por suas violações aos direitos humanos. Por outro lado a mineração impacta no planeta, e no clima. É urgente reverter o modelo extrativo predatório e buscar o que é realmente necessário em termos de extração. As comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores e as populações atingidas pela mineração precisam se organizar para enfrentar esse desafio e terem o direito de decidir sobre seus territórios.

Como resultado das oficinas ligadas à mineração, a delegação franciscana se reuniu com organizações dos países da África-subsaariana, no âmbito da rede “Diálogo dos Povos” e traçamos uma agenda comum, rumo à COP21. Essa agenda visa a realização no mês de agosto, de um seminário na África do Sul, para aprofundar e criar uma visão comum sobre os desafios ligados à mineração. Ficou claro que a diversidade do mundo está demandando conectividade considerando  a múltipla diversidade, em que vivemos em nosso planeta: multicultural, multiétnica, múltiplas formas de expressão e vivência da fé.

Esse seminário, em agosto, terá como objetivo integrar os conhecimentos dos movimentos sociais, das comunidades e buscar aprofundar conceitos novos. Partilhar a diversidade de experiências, vivências, lutas e conhecimentos. Buscar superar a separação existente entre os movimentos sociais, que muitas vezes estão organizados de forma temática. Ver que as lutas são importantes e que a integração de agendas, para uma construção comum de soluções e alternativas, é muito importante. Ninguém sozinho tem como carregar sua própria agenda, não importa quão importante seja a sua agenda de luta. Aprofundar uma visão comum na perspectiva da fé, que possa ajudar na criação de uma nova narrativa.

Nesse FSM ficou claro que precisamos de afirmar e fortalecer as nossas alternativas em relações às falsas soluções que estão sendo propostas pelo mercado, tanto no âmbito do desenvolvimento como no âmbito climático. Os desafios estão se globalizando de uma forma intensa e os problemas são os mesmo pelo mundo a fora. Estamos em busca de alternativas, mas não só de alternativas em relação à sistemas políticos, mas também em relação à modos de vida. Aqui a espiritualidade franciscana tem uma contribuição para essa construção e diálogo. O “Cântico das Criaturas” de São Francisco de Assis é uma cosmovisão que dialoga com as culturas de diferentes povos e aponta para sociedades mais integradas com o planeta. Como disse São Francisco:  A “Terra” nos sustenta e governa. Na perspectiva da espiritualidade franciscana, a "Terra" é ao mesmo tempo Irmã e Mãe. Com esse sentido vamos rumo a COP21 e na articulação em relação à mineração e mudanças climáticas. Agora estamos preparando nossa presença de franciscanos e franciscanas de JPIC, em Paris, na COP21, junto com a sociedade civil internacional.
Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, ofm

segunda-feira, 23 de março de 2015

Fórum Social Mundial, amanhã dia 24 de março, em Tunis.

Nesta terça feira inicia o  Fórum Social Mundial (FSM) 2015, na Tunísia, a delegação da família franciscana estará promovendo junto com outras organizações e movimentos sociais quatro oficinas sobre os impactos da mineração: "Mineração, Território e Mudança Climática" e "Igrejas Cristãs e Mineração". E duas outras na área de Direitos Humanos: "Parando os abusos de direitos humanos e trabalhistas por parte das empresas: Novos desenvolvimentos na regulamentação internacional e nacional" e "Aderindo ao movimento global para um tratado sobre direitos humanos e atividade empresarial: uma sessão de informação e estratégia pelo Tratado de Aliança

Os eventos do FSM2015 está marcado para a Universidade El Mar, em Tunis (capital).

Os Fórum Social Mundial teve seu início há 14 anos, em Porto Alegre. Se caracteriza por ser um espaço plural, diverso e democrático de debates para a construção de alternativas às políticas neoliberais. A ideia é articular movimentos sociais, redes, ONGs e demais organizações da sociedade civil mundial, "que se opõem ao neoliberalismo e à dominação do mundo pelo capital e por toda forma de imperialismo” para trocar experiências e "construir outro mundo através de ações concretas, sem pretender encarnar uma instância representativa da sociedade civil mundial”.


Frei Rodrigo de castro Amédée Péret, ofm

quinta-feira, 19 de março de 2015

CARTA FINAL DA XXVII ASSEMBLEIA NACIONAL DA CPT

CARTA FINAL DA XXVII ASSEMBLEIA NACIONAL DA CPT

Faz escuro, mas eu canto: memória, rebeldia e esperança

Reunidos/as em assembleia confirmamos nossa caminhada de Pastoral da Terra. Animados/as pela organização do IV Congresso da CPT em julho de 2015, reconhecemos a noite dos tempos difíceis que vivemos e celebramos a madrugada camponesa no compromisso radical de 40 anos com as lutas dos povos da terra.

“Nenhuma família sem casa! Nenhum camponês sem terra! Nenhum trabalhador sem direitos!”(Papa Francisco).

Faz escuro, companheirada!

a bancada ruralista, o agro e hidronegócio, as mineradoras, madeireiras, os grandes projetos do capital, o trabalho escravo, o judiciário criminalizador, as empresas de veneno e transgênico, o Legislativo que constantemente ameaçam  reduzir direitos  já conquistados, os governos e suas polícias, as mídias golpistas e os setores conservadores do país fazem a noite demorada, obscurecem a democracia na negação de direitos dos povos da terra e da cidade. Não querem permitir que a luz apareça!

Faz escuro, companheirada!

os direitos já fragilizados dos povos indígenas, quilombolas, assentados e acampados, pescadores, ribeirinhos, vazanteiros, seringueiros, extrativistas, fundo e fechos de pasto, posseiros e camponeses são esmagados pelos interesses de um modelo de desenvolvimento que devora terras, territórios, tradições e modos de vida distorcendo a lei a seu dispor, cooptando e corrompendo processos e lideranças, usando a força e até assassinatos. Sofrem a juventude, as mulheres e crianças das comunidades. É uma noite escura e de medo: fica difícil de andar na escuridão. Querem os povos parados no escuro do medo. 

Faz escuro, companheirada!

conquistas importantes acenderam luzes nos últimos anos fruto da luta no voto e nas lutas nas bases. Essas luzes prometiam a claridade de acesso aos direitos de terra, pão, trabalho e casa, saúde e dignidade. Mas o direito e o poder de “acender e apagar” continuou fora das nossas mãos. As reformas necessárias não vieram! Nem reforma agrária! Nem reforma urbana! Nem reforma política. Nem reforma do marco regulatório da mídia! Os governos negociam e negam nossas conquistas para contentar as elites e impedem que programas e políticas acendam os caminhos da igualdade e da dignidade.

Faz escuro, companheirada!

em nome de Deus setores das igrejas cristãs apóiam políticos, governos e polícias que criminalizam a luta pela água, pela terra e na terra e abençoam o latifúndio e a privatização da natureza... querem apagar a luz do evangelho subversivo de Jesus vivo na vida dos pobres, homens e mulheres lutadoras do campo e da cidade. Querem fazer virar mercadoria o pão e a água da vida. Querem apagar as luzes das religiões de outras matrizes, altares de terreiros e rituais de torés. Faz escuro e silêncio na longa noite da religião do patriarcalismo, individualismo e consumismo.

Faz escuro companheirada!

Às vezes dentro de nós. Tantos desafios que não fomos capazes de enfrentar. Tantas novas relações entre nós que ainda não aprendemos a cuidar, conviver.

...faz escuro MAS eu canto! cantamos porque a manhã vai chegar!

estendemos  a mão mesmo no escuro e  vamos ao encontro de quem está do nosso lado. Aprendemos a ver no escuro! Somos nós companheirada na rebeldia necessária de forçar o dia. Nos reconhecemos como comunidades de iguais: novas formas de ser igreja no meio do povo, na luz de mártires da caminhada: Cristo vivo ressuscitado na humana solidariedade e no amor pelo mundo e seus viventes.Haja luz!(Gênesis 1, 3)

cantamos a luta e a esperança  no trabalho de base, na educação popular, na espiritualidade, nas diversas experiências da agricultura agroecológica, na formação permanente, na celebração dos saberes de ervas medicinais e valorização das sementes nativas e crioulas; com estas práticas adiantamos o dia,  iluminamos nosso cotidiano... ninguém acende uma luz pra ficar escondida!(Lucas 8, 16)

somos parte das ocupações de terra, denunciamos empresas e políticos, documentamos os conflitos e fazemos memória ativa das violências. Junto de nós nessa madrugada de rebeldia nos encontramos com os povos indígenas e quilombolas, assentados e acampados, pescadores, ribeirinhos, vazanteiros, extrativistas, fundo e fechos de pasto, posseiros, nas lutas pelos territórios e contra o avanço do capitalismo no campo. A luz brilha nas trevas!(João 1, 5)

confirmamos na tradição de profetas que vieram antes de nós na luta radical contra o capitalismo no campo nas formas do trabalho escravo, latifúndio e o agronegócio e afirmamos a luta pela reforma agrária e um projeto camponês para agricultura brasileira, condições necessárias para a soberania alimentar, a defesa e vivência da natureza e a saúde de todos/as no campo e na cidade... O povo que andava em trevas viu grande luz! (Isaías 9, 2)

sonhamos com a sociedade do bem viver e do conviver rumo a Terra sem Males. Nós somos o povo da esperança, o povo da Páscoa. O outro mundo possível somos nós! A outra Igreja possível somos nós!(Pedro Casaldáliga).

convocamos todos e todas companheiros/as, parentes e amigos/as da CPT e da luta pela terra e na terra a caminhar conosco rumo ao IV Congresso fazendo memória, vivendo a rebeldia e antecipando a esperança.


Já é quase tempo de amor.Colho um sol que arde no chão,
lavro a luz dentro da cana,minha alma no seu pendão.

Madrugada camponesa.Faz escuro (já nem tanto),
vale a pena trabalhar.
Faz escuro mas eu cantoporque amanhã vai chegar.

 Thiago de Mello

 XXVII Assembleia Nacional da CPT

quarta-feira, 18 de março de 2015

Movimentos Sem Teto interditam rodovias próximas a Uberlândia

Movimentos de Sem Teto de Uberlândia participa de protesto que se estende por 13 estados do país, hoje dia 18 de março.

Membros dos movimentos Sem Teto do Brasil (MSTB), Ocupando Vira Assentamento (MOVA), Movimento dos Sem Casa (MSC), União Nacional de Luta Camponesa (UNLC), dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fecharam as principais rodovias que cortam Uberlândia nesta quarta-feira (18), como a BR-050, próximo à ocupação da Fazenda do Glória, entre Uberlândia a Uberaba, em ambos os sentidos; a BR-365, no trecho que leva a Romaria; e a BR-452, que liga a cidade a Araxá. Entre as reivindicações dos manifestantes estão a aceleração da reforma agrária e dos programas habitacionais. Eles também são contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a intervenção militar. Cerca de duas pessoas participaram da ação nas rodovias que cortam Uberlândia.


Periferia ocupa a cidade! Reforma Urbana de Verdade!

As cidades, espaços de vida da maioria do povo brasileiro, são historicamente produzidas e reproduzidas pelo manto do capital imobiliário, segundo interesses das elites políticas e econômicas, fortalecendo a segregação urbana e a desigualdade social. Milhões de pessoas, trabalhadores e trabalhadoras, constroem coletivamente as cidades, mas são privadas de exercitarem os direitos mais elementares no espaço urbano e sofrem violências diversas do Estado.

No Brasil há uma crise urbana aguda em função do enorme deficit habitacional que ultrapassa 7 (sete) milhões de moradias. Além disso, milhões de brasileiros vivem em áreas urbanas sem acesso à água, sem serviços de coleta de lixo, sem sistema de saneamento básico, com graves restrições no que toca à mobilidade urbana, sofrendo com a militarização das cidades e com a violência policial.

O modelo de política urbana adotado pelo governo federal nos últimos anos privilegia abertamente o setor imobiliário - as construtoras, incorporadoras e os proprietários de terra urbana - que lucraram e lucram bilhões de reais. Não há uma política urbana que contenha os avanços do capital imobiliário e que seja capaz de fortalecer as políticas públicas de habitação de interesse social e de urbanização no país. Prova dessa postura foi a indicação de Gilberto Kassab para o Ministério das Cidades como representante do setor imobiliário em detrimento de políticas que produzam justiça urbana.

O projeto de reforma urbana baseado em um modelo de desenvolvimento que entende a cidade como uma mercadoria, o povo enquanto consumidor e privilegia as grandes construtoras e empresas é incapaz de sanar a crise urbana e resolver os problemas de falta de moradia digna, transporte e serviços públicos de qualidade. O maior programa de moradia do país - Minha Casa, Minha Vida - lançado para dar resposta à crise internacional de 2008 - foi incapaz de reduzir o deficit habitacional no país, pois ao mesmo tempo que construiu moradias, alimentou a concentração fundiária e a especulação imobiliária: cerca de 70% dos contratos do Minha Casa, Minha Vida estão concentrados nas dez maiores construtoras e incorporadoras do país. Não será fortalecendo a lógica do capital imobiliário que resolveremos a crise urbana.

A reforma urbana de verdade é construída a partir da iniciativa do povo de periferia organizado que ocupa terras improdutivas, constrói o espaço urbano e luta pelo direito à cidade e pela efetividade dos mecanismos de controle urbano do capital.

A periferia que ocupa a cidade faz o Brasil parar no dia 18 de Março para colocar para todo o País a necessidade de uma reforma urbana popular e de massas nos seguintes termos:
1. O Governo Federal deve lançar imediatamente a terceira etapa do Programa Minha Casa Minha Vida - barrado até o momento pelo ajuste fiscal antipopular - e modificando profundamente a configuração em relação às primeiras duas etapas. O programa deve priorizar a gestão direta pelos movimentos em detrimento das empreiteiras; a localização central e maior qualidade das moradias; e a garantia de ao menos 70% das moradias para famílias com renda inferior a 3 salários mínimos, mantendo o subsídio.
2. As comunidades e os movimentos sociais devem ser tratados como caso de política e não de polícia pelos governos e pelo judiciário. É necessário que se suspenda todos os despejos e urbanize as áreas ocupadas, garantindo o pleno acesso aos bens e serviços públicos essenciais para o exercício do direito à cidade.
2. Os municípios devem efetivar os mecanismos de regulação urbana e controle da especulação imobiliária previstos no Estatuto das Cidades, como o IPTU progressivo, a desapropriação sansão e as áreas de especial interesse social. Sem a contenção da especulação, construir mais moradias para sanar o deficit habitacional é como enxugar gelo!
3. É necessário promover o controle social dos alugueis mediante a mudança na lei federal nº 8.245/1991. O aumento no valor dos aluguéis, impulsionado pela especulação imobiliária, tem despejado de maneira silenciosa milhões de pessoas no Brasil.
4. Tarifa zero nas cidades brasileiras como forma de garantir o direito de ir e vir de toda a população. Efetivação do transporte público como direito social, financiado por tributação progressiva, caraterizado como serviço público fundamental que assegura o acesso a outros direitos tais como o direito ao lazer, trabalho, saúde e educação.
5. Combate à Violência Policial, uma das principais materializações da Violência do Estado. A violência policial em vilas, favelas, aglomerados, ocupações e bairros de periferia é sistemática e estrutural, ceifando centenas de milhares de vidas, principalmente voltada para jovens negros e pobres. A lógica da Polícia Militar é a lógica do inimigo interno materializado no povo pobre das periferias. Como resposta faz-se urgente a desmilitarização da Polícia Militar!
PERIFERIA OCUPA A CIDADE!
REFORMA URBANA DE VERDADE!
Assinam o manifesto:
RESISTÊNCIA URBANA - Frente Nacional de Movimentos:
MUST (Movimento Urbano Sem Teto de SJC/Pinheirinho)
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
Brigadas Populares
Movimento Luta Socialista (MLS)
Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB)
Nós da Sul
Comitê Popular da Copa/RS
Movimento Luta Popular (MLP)
Fórum Reforma Urbana Uberlândia

sexta-feira, 13 de março de 2015

Ir para as ruas por mais direitos, reforma política e contra a ofensiva conservadora


O ato tem três eixos: em Defesa da Petrobras (contra a corrupção e contra a privatização), defesa da Reforma Política via uma Constituinte exclusiva para isso, e contra a retirada de direitos.
Hoje, 27 capitais e por todas as regiões do Brasil os movimentos sociais, o povo na rua, contra a ofensiva conservadora.



sexta-feira, 6 de março de 2015

Mineração: as propostas da Igreja



Clique e escute a entrevista com Frei Rodrigo Péret

Cidade do Vaticano (RV) – Neste espaço dedicado aos Direitos Humanos, hoje vamos falar de extrativismo – atividade em que o Brasil é campeão na América Latina.

Na verdade, desde os tempos coloniais, o Brasil transformou a mineração em um dos setores básicos da economia nacional e ainda hoje continua em forte expansão.

Na obtenção de matérias-primas, é utilizada por indústrias metalúrgicas, siderúrgicas, fertilizantes e petroquímica. O subsolo brasileiro, portanto, constitui um rico depósito mineral e consequentemente, uma rica fatia para a economia nacional e para interesses privados.

Atualmente, há um debate para atualizar o Código de Mineração, que foi publicado durante o regime militar. O projeto tramita na Câmara dos Deputados desde 2011.
Na Igreja brasileira, um dos especialistas do assunto é o Fr. Rodrigo Peret, que representa os franciscanos na Rede Igreja e Mineração.


Em entrevista à margem do encontro da Repam, Rede Eclesial Pan-amazônica, Fr. Rodrigo concedeu uma entrevista a Cristiane Murray, em que fala do neo-extrativismo, da sua incidência e da luta da Igreja neste setor. Ouça clicando acima.