quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Lama de Mariana: Como o jornalismo é engolido nas grandes tragédias

Leonardo Sakamoto
Dez breves considerações para uma autocrítica necessária sobre a cobertura do rompimento das barragens de rejeitos de mineração, em Mariana (MG), ocorrido na última quinta (5):
1) Onde você escreve apenas “Samarco'', como responsável pela catástrofe da barragem de Mariana, acrescente “Vale'' e “BHP''. Diga ao seu chefe para esquecer que a Vale é grande anunciante do seu veículo pelo menos desta vez.
2) Essa foi uma das maiores catástrofes ambientais do país e vai alterar a vida de milhões de pessoas e animais. Trate isso como tal e não como curiosidade mórbida. Seja decente: sensacionalismo só é bom para a sua audiência.
3) Acidente, Papai Noel e Coelho da Páscoa… Investigações estão em curso, mas o uso irresponsável da palavra “acidente'' faz crer que tudo isso seria inevitável, concedendo ao acaso uma culpa que pode ser de empresas e governos, ao destino um poder que ele não tem e dando vida a essa figura mitológica – o acidente – endeusada em falhas corporativas.
4) Se todo pequeno tremor de terra derrubasse barragem, não sobrava uma hidrelétrica de pé no Brasil, como me disse ontem um velho engenheiro barrageiro. O que é derrubado com pequeno tremor de terra é pudor de usar a justificativa do terremoto em uma matéria e não ouvir especialistas a respeito.
5) Publicar release da empresa sobre o ocorrido em formato de notícia sem checar uma informação é passaporte para o inferno sem escalas.
6) Reportagens sobre a tragédia humana são importantes para que o país tenha a dimensão do caos que se estabeleceu. Mas o estrago trazido ao não tratar das responsabilidades dos atores econômicos e políticos nunca será compensado pela cobertura “humanizada'' que você teve orgulho de fazer.
7) Importante a solidariedade de pessoas que seguem para ajudar e mandam doações. Do ponto de vista da empatia social, não da necessidade material. Porque deveria ser a Vale a estar pagando agora até pelo banho e tosa do cachorro atingido pela massa de dejetos e não a sociedade brasileira. E links de TVs deveriam estar em vigília na sede da empresa questionando isso ao invés de mostrar apenas galpões repletos com sacolas de doações.
8) O governo mineiro tratar a empresa ora como “vítima'' ora como “responsável'' mostra que a Síndrome de Estocolmo, quando um agredido passa a ter simpatia pelo agressor, atinge sempre a administração pública de forma patética. A imprensa que faz um papel central na cobrança das investigações de corrupção, estranhamente perde o mesmo ímpeto nesta situação. Lembrando que empresas financiaram partidos em eleições.
9) Se o governo federal existisse e fosse autônomo, Dilma teria pego um avião imediatamente para sobrevoar o local, colocaria a Vale contra a parede e aproveitaria a comoção pública para reabrir a discussão sobre a regulamentação da mineração no Brasil,  com efetiva participação das comunidades atingidas e foco na responsabilidade empresarial e no direito ao território e à dignidade humana. O jornalista que acha que Brasília não tem responsabilidade neste caso precisa de um curso rápido sobre as competências da União.
10) Pouco depois do mar de lama chegar à praia, o assunto será substituído por outro. Mas a tragédia acontecerá de novo em Minas Gerais, como tem acontecido periodicamente. O cronômetro já foi posto em contagem regressiva. Com a anuência não só do Estado, que peca pela falta de fiscalização e punição, mas também de parte da imprensa, que segue mais competente em monitorar o poder político do que os atores econômicos.
FONTE: BLOG SAKAMOTO         Foto: Resgate de cadela após quatro dias do rompimento da barragem (Foto: Douglas Magno/AFP)

domingo, 8 de novembro de 2015

Represas que romperam estavam com a capacidade “no limite”, dizem laudos.

POR  - Tijolaço
A documentação da barragem que se rompeu, levando destruição e morte ao povoado de Bento Rodrigues, em Mariana, traz informações mais objetivas e úteis ao descobrimento das causas do desastre do que as especulações sobre terremotos e outras que andamos lendo.
Por uma razão muito simples: a estrutura havia chegado ao seu limite máximo, a partir do qual deveria ser desativada, segundo os compromissos de licenciamento assumidos pela Samarco em 2008, quando da concessão da licença de instalação.
Segundo o Parecer Único da Superintendência Regional de Meio Ambiente, anexado ao processo  00015/1984/066 daquele ano, no projeto apresentado na fase de licença prévia era “prevista a implantação de 03 (três) diques no vale do Córrego do Fundão”, um para contenção de rejeito arenoso, e mais dois diques situados a montante (rio acima) para estocagem de lama”. E, segue o texto, “partindo da premissa que dos rejeitos gerados na mina da Samarco, 70% são rejeito arenoso e 30% correspondem à lamas, foi feita uma revisão do projeto, e a concepção inicial foi modificada a favor da eliminação de um dos diques, sendo instalado um dique para estocagem de rejeito arenoso e o segundo, para contenção de lama argilosa”. Ou seja, diminui-se a capacidade de estocagem de lama em favor da de rejeito arenoso.
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O projeto aprovado passou a prever, então,  uma represa que se estendia a partir da Elevação (cota) 850 até a cota 920 metros sobre o nível do mar. O tempo referido ao lado, retirada do parecer, é o de vida útil do barramento, isto é, a sua capacidade de receber resíduos até o esgotamento de sua capacidade. A previsão para que isso acontecesse, naquele licenciamento, era entre 2019 e 2020, quando se atingiria os 920 metros de elevação no dique, como está expresso na tabela 5 daquele documento.
O plano previa, assim, a desativação da represa, a cobertura da área de rejeitos arenosos usando a própria lama depositada na represa e o recobrimento vegetal da área.
Apenas cinco anos depois, em 2013, porém, a Samarco entrou com outro pedido, solicitando autorização para um Plano de Otimização da Barragem, que recebeu a Licença Certificado LP + LI Nº 197/2013 SUPRAM CM, no dia 17/12/2013. Embora a empresa tenha anunciado a elevação da represa até a cota 940 metros, não encontrei este valor expresso nos documentos, mas é provável que seja correto.
De qualquer forma, é isso que se depreende das razões do projeto constantes em novo parecer único, o GCA/DIAP Nº 121/2014, emitido em 28 de julho do ano passado, que trata das compensações ambientais:
A Samarco Mineração S.A. utiliza, atualmente, as barragens de Germano, Fundão e Santarém para a disposição dos rejeitos do processo de concentração de minério do Complexo Minerador Germano-Alegria.Essas barragens já estão com suas capacidades de reservação de rejeitos próximas do limite, o que acarreta a necessidade de viabilizar novas áreas para a disposição dos mesmos. A justificativa para o Projeto Otimização da Barragem de Rejeito do Fundão relaciona-se à continuidade das operações da Samarco para a produção de concentrado de minério de ferro (Pellet Feed) e, consequentemente, de rejeitos gerados nas Usinas de Concentração do Complexo Minerador Germano-Alegria. (os grifos são do Tijolaço)
Portanto, não é preciso ser nenhum especialista para dizer que, quatro anos antes do esperado, a carga de acumulação das represas já estava “próxima do limite” e mais próxima ainda só poderia estar mais de um ano depois.
Esta é a razão das obras de grande porte – na época do licenciamento, o valor estimado era de R$ 436.677.564,70, o que dá hoje mais de meio bilhão de reais – que estavam sendo realizadas.
A situação da Samarco era, aparentemente, de grande urgência na sua realização, porque o esgotamento da capacidade das represas implicaria na paralisação de sua planta de produção de pellets. É importante saber ainda qual era o nível de preenchimento da fase superior da barragem que, pelo vídeo do UOL do momento do acidente, foi a primeira a desabar.
Estas são as perguntas e situações que têm de ser esclarecidas, deixando os terremotos e explosões solares em segundo plano, caso se deseje fazer jornalismo.
FONTE: TIJOLAÇO

sábado, 7 de novembro de 2015

Rompimento de barragens é responsabilidade das empresas

Sindicato e movimento contra mineração apontam que 'lógica do lucro' está acima da vida dos trabalhadores e da comunidade; Para eles, tragédia poderia ter sido evitada. 
Por José Coutinho Júnior e Victor Tineo,
Brasil de Fato

O rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, empresa da Vale do Rio Doce, foi responsável pela morte de, ao menos, uma pessoa; pelo desaparecimento de dezenas e de inundar o distrito de Bento Rodrigues, em Minas Gerais.
De acordo com a Defesa Civil do estado, uma morte foi confirmada, 13 pessoas estão desaparecidas e quatro feridas. O sindicato Metabase de Inconfidentes contesta o número de mortes e avalia que os desaparecidos podem chegar a mais de uma centena.
“São toneladas de lama, um vilarejo desapareceu. De 620 pessoas, as informações que temos é que 500 foram localizadas. Só nesse vilarejo estão desaparecidas mais de 100 pessoas de acordo com as informações que nós temos. No local onde aconteceu a destruição da barragem, havia pelo menos quatro equipes de trabalhadores, que não tinham menos de 10 pessoas cada. É muito pouco provável que essas equipes tenham sido retiradas a tempo”, diz Jerônimo Castro, do Metabase.
Entidades sociais avaliam que o rompimento não foi um mero acaso ou acidente. Pelo contrário, ele poderia ter sido evitado. “Não é um acidente, é um acontecimento de total responsabilidade das empresas", afirma Marcio Zonta, membro do Movimento Nacional pela Soberania Popular Frente à Mineração (MAM).
Para ele, a empresa faz a barragem e não há uma fiscalização constante. Além disso, aponta ele, há o descumprimento com a legislação local, com as comunidades e com as questões ambientais. "Se houvesse um mínimo de planejamento, isso não aconteceria. Em uma região que é mineradora há mais de 300 anos como é Minas Gerais, há experiência o suficiente para conter este tipo de acontecimento. As empresas podem coibir este tipo de acontecimento e ao não fazer isso, elas são a principal responsável pelas mortes e pelos desaparecidos”, disse.
O ministério público de Minas Gerais abriu um inquérito para averiguar as causas e responsabilidades dos rompimentos. “Desde o processo da privatização do processo minerário brasileiro, no início dos anos 1990, temos uma mineração marcada pela seguinte lógica: extrair o mais rápido possível, com o menor custo. A solução é garantir que quem possa ser atingido pelo acidente tenha poder de fiscalizar e denunciar. Sem isso é impossível, não há uma saída por dentro da lógica das empresas”, completou Zonta.
Danos Ambientais
A Samarco emitiu uma nota sobre o rompimento das barragens, na qual afirma que “todas [barragens] possuem Licenças de Operação concedidas pela Superintendência Regional de Regularização Ambiental (SUPRAM) – órgão que, nos recorrentes processos de fiscalização, atesta o comportamento e a integridade das estruturas. A última fiscalização ocorreu em julho de 2015 e indicou que as barragens encontravam-se em totais condições de segurança. A Samarco também realiza inspeções próprias, conforme Lei Federal de Segurança de Barragens, e conta com equipe de operação em turno de 24 horas para manutenção e identificação, de forma imediata, de qualquer anormalidade”.
Marcio Zonta questiona o processo de fiscalização das barragens. “A empresa fazer a própria vistoria é um problema, porque ela faz de forma que a lucratividade dela não seja abalada. As mineradoras contratam as empresas que fazem as licenças, ou seja, elas fazem um laudo próprio para apresentar para a secretaria de meio ambiente”, disse.
A nota da Samarco também diz que a composição do rejeito que inundou Bento Rodrigues não é tóxico. Jerônimo avalia que, ao contrário do que alega a empresa, os danos ambientais na área serão sentidos por anos. “A barragem de rejeito é onde está exatamente tudo aquilo que não é aproveitado na mineração, e normalmente há muitos detritos químicos, porque essas lavagens não são feitas só com água. Essa lama vai afetar a saúde das pessoas, contaminar a água, vão ter consequências ecológicas. É uma pequena Hiroshima, que vai deixar sequelas a longo prazo, contaminando toda a região”, explicou.
FONTE: JORNAL BRASIL DE FATO

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Chega de mortes, destruição e sofrimento para saciar a voracidade da mineração!

BASTA!

Chega de mortes, destruição e sofrimento para saciar a voracidade da mineração!
Mais uma tragédia que dói muito fundo e arregaça, de tristeza e revolta, o coração e a alma. Mais um acidente com barragem de rejeitos em Minas Gerais, desta vez em Mariana, município já tão impactada pelo complexo minerário da Vale Vale/Samarco, a ponto da sua população ficar sem água várias vezes por dia.

Hoje foi o distrito de Bento Rodrigues e sua gente, soterrados vivos pela lama da ganância de uma atividade econômica que avança voraz sobre lugares e pessoas para exportar nossos bens minerais e alimentar contas de acionistas e o mercado financeiro.

E além de Bento Rodrigues vários outros distritos foram afetados, e até a tarde de sexta-feira outros municípios também foram largamente atingidos pela lama da barragem, que continua causando um rastro de destruição por onde passa. Não se sabe ainda até onde irá essa enxurrada de lama.

Mesmo ainda sem notícias precisas das perdas humanas e da situação dos vitimados e famílias, já dói muito fundo porque nos sentimos no lugar de cada um deles e, assim, somos solidários.

Tudo é criminoso e terrível! Acidentes e impactos da mineração acontecem recorrentemente, as empresas continuam com a mesma postura prepotente de “responsabilidade social e ambiental” e ainda fazem uma cortina de fumaça sobre os reais fatos nesses momentos, como a Samarco (que é 50% da Vale e 50% da BHP Biliton) está fazendo.

E ainda precisamos estar em luta contra o Projeto de Lei nº 2946/2015 do Governador Pimentel, em regime de urgência para agilizar licenciamentos e reduzir o controle social sobre a segurança dos projetos prioritários para o Estado, que de certeza não são projetos prioritários para a população mineira.

Basta!
Não queremos este modelo econômico que nos é imposto!


Brasil, 06 de Novembro de 2015

Assinam essa nota:

Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade - AFES
Articulação Antinuclear Brasileira
Articulação dos Atingidos pela Mineração do Norte de Minas – MG
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Ame a Verdade
Associação Alternativa Terrazul
Associação Brasileira de Reforma Agrária
Associação Para a Recuperação e Conservação Ambiental - ARCA
Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária – AMAR
Associação de Proteção ao Meio Ambiente - APROMAC
Associação de Saúde Ambiental – TOXISPHERA
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – (APREMAVI – SC)
Associação do Patrimônio Histórico, Artístico e Ambiental de Belo Vale (APHAA-BV)
Associação PRIMO - Primatas da Montanha
Brasil Pelas Florestas
Brigadas Populares
Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de MG
CEPASP – PA
Cáritas Diocesana de Sobral – CE
Comissão Pró-Indio de São Paulo
Cantos do Mundo
Consulta Popular
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Coordenação Nacional das Comunidades
Coletivo Margarida Alves
Quilombolas – CONAQ
Comissão Paroquial de Meio Ambiente – CPMA Caetité/Ba.
Campanha contra o Mineroduto da Ferrous
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria – CNTI
CSP-Conlutas
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Conselho Pastoral dos Pescadores
Evangélicos Pela Justiça
FASE
Fórum de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente - FBOMS
Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Frente de Luta pelos Direitos Humanos
Fórum Carajás
Grupo de Estudos: Desenvolvimento,
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte - GPEA/UFMT
Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro (Angá) 
Greenpeace
Hutukara Associação Yanomami (HAY)
Instituto Caracol - iC
Instituto Socioambiental - ISA
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - Ibase
Instituto Brasileiro de Educação, Integração e Desenvolvimento Social - Ibeids
Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul – PACS
Justiça nos Trilhos – JnT
Juventude Atingida pela Mineração - PA e MA
Juventude Franciscana do Brasil – JUFRA
Justiça Global
Justiça Ambiental Dos Atingidos Projeto Minas-Rio 
Levante Popular da Juventude
Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra - MST
Movimento pela Soberania Popular na Mineração - MAM
Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB
Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA
Movimento pelas Serras e Águas de Minas (MovSAM)
Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela
Movimento Xô Mineradoras
Movimento Águas e Serras de Casa Branca, Brumadinho, MG.
Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça e Cidadania
Movimento Artístico, Cultural e Ambiental de Caeté - MACACA (Caeté/MG)
Marcha Mundial de Mulheres
Metabase Inconfidentes
Modernidade e Meio Ambiente da UFMA (GEDMMA)
Movimento Pela Moralidade Pública e Cidadania – Ong Moral Mt
Nos Ambiente
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - PSTU
Pastoral da Juventude Rural – GO
Paz e Ecologia
Pedra no Sapato
Pastorais Sociais da CNBB
Processo de Articulação e Diálogo entre Agências Ecumênicas Européias e Parceiros Brasileiros - PAD
Rede de Articulação - REAJA
Rede Brasileira de Justiça Ambiental
Rede Cearense de Juventude pelo Meio Ambiente – RECEJUMA
Rede Axé Dudu
Rede Brasileira de Ecossocialistas
Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental – REMTEA
Rede Causa Comum
Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia - SINFRAJUPE
Serviço SVD de JUPIC
Sindiquimica - PR 
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Simonésia - MG
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha - MG
Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Xapuri – Acre
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canaã dos Carajás – PA
Sindicato Unificado da Orla Portuária - SUPORT ES
Serviço Interfranciscano de Ecologia e Solidariedade – SINFRAJUPE
Sindicato Metabase Inconfidentes
SOS Serra da Piedade (MG)
VIVAT International

Nota da Arquidiocese de Mariana sobre a tragédia em Bento Rodrigues

Somos atribulados, mas não desanimamos; postos em dificuldade, mas não vencidos; prostrados por terra, mas não aniquilados (cf. 1Cor 4,8s)
A Arquidiocese de Mariana lamenta profundamente a tragédia ocorrida na tarde desta quinta-feira, 5 de novembro, no Distrito de Bento Rodrigues, neste Município de Mariana, provocada pelo rompimento da barragem de rejeitos Fundão, da empresa Samarco Mineradora, vitimando centenas de pessoas. Manifestamos nossa mais sentida solidariedade às famílias que tiveram suas casas e seus bens destruídos e às que choram a morte de seus entes queridos, vítimas dessa catástrofe de proporções incalculáveis.
O momento é de unir esforços para minimizar a aflição e o sofrimento de todos os que foram atingidos por essa tragédia. Exortamos nossas comunidades a prestarem sua solidariedade às vítimas, acolhendo-as, doando alimentos e roupas, confortando-as, oferecendo-lhes suas preces. A generosidade de todos será bálsamo a atenuar a aguda dor que toma o coração dos irmãos e irmãs que sofrem com essa terrível catástrofe.
A apuração das responsabilidades por tamanha tragédia é uma exigência da justiça e condição para que tal situação nunca mais se repita.
Rogamos a Deus fortalecer e consolar, com seu amor generoso, todos os que foram atingidos por esse acidente. A fé nos aqueça a esperança e nos estimule a solidariedade para diminuir a dor que é de todos os marianenses e que deixa enlutados este município e o Estado de Minas Gerais. Nossa Senhora da Assunção e São José, Padroeiros de nossa Arquidiocese, intercedam por todos nós neste momento de profunda dor e grande sofrimento.
Mariana, 5 de novembro de 2015
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Município do Serro (MG) diz não a mais uma mina da Anglo

Famosa pelos queijos, a cidade do Serro, na região Central de Minas, disse não a uma mina de minério de ferro que a Anglo American pretende instalar no município. No dia 28 de outubro, o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) rejeitou o empreendimento por unanimidade. O prefeito Epaminondas Pires Miranda adiantou que seguirá a decisão dos conselheiros e não emitirá a declaração de conformidade, requisito para que a empresa dê entrada do processo de licenciamento ambiental. “Penso que as decisões construídas por meio das reuniões do Codema devem ter o respaldo do prefeito, uma vez que esse conselho é composto por representantes de várias instituições e seguimentos sociais”, destaca Miranda.

Mas a Anglo não contava com essa negativa, pois, no dia 22 de outubro, seis dias antes da reunião do conselho, já havia protocolado na Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semad) um pedido de Licença Prévia (LP) para o Serro.

Por meio de nota, a Anglo afirma que a conformidade diz respeito à legislação de uso e ocupação do solo no município e a empresa entende que o projeto se enquadra nessa legislação. Segundo Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) da empresa, o projeto Serro tem como objetivo produzir 500 mil toneladas de minério de ferro por ano, para atender o mercado interno. Ainda segundo o relatório, o investimento seria em torno de R$ 85 milhões.


Um dos membros do Codema, professor Matheus Mendonça, da PUC-Serro, afirma que a votação de sete votos a zero contra a mina da Anglo American é justificada pela ameaça ambiental e cultural que o empreendimento pode significar.
“É uma área de recarga hídrica que abastece os rios Guanhães e do Peixe, e essas bacias serão diretamente afetadas. Além disso, está na zona de amortecimento do Pico do Itambé e vai afetar a comunidade de quilombolas Queimadas, reconhecida pela Fundação Palmares. Mas a empresa entrou com pedido de certidão de conformidade antes de considerar a opinião dessa comunidade quilombola”, afirma Mendonça, que é coordenador de um projeto de extensão de estudos sobre comunidades quilombolas da região.
Segundo o professor, são cerca de 50 famílias, que ainda não foram consultadas e, caso tenham que ser transferidas, terão comprometidas tradições que sobrevivem há várias gerações. “Pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), quando houver intenção de fazer um empreendimento minerário, povos tradicionais que forem diretamente afetados devem ser previamente consultados”, ressalta.
Por meio de nota, a Anglo afirma que a discussão da natureza dessas comunidades e sua relação com o empreendimento será realizada após a formalização do pedido de licenciamento durante trâmite junto ao órgão estadual competente (Superintendência de Regularização Ambiental/ Supram) e, se necessário, junto a outras instituições que possuem competência no licenciamento.
Empregos
Potencial do empreendimentoSegundo a Anglo American, o projeto Serro vai gerar 300 empregos durante a fase de implantação e 193 quando a mina entrar em operação.
Impactos em Conceição do Mato Dentro pesam na decisão

O Serro fica a cerca de 60 km de Conceição do Mato Dentro, onde a Anglo instalou a mina para abastecer o Minas-Rio – o maior mineroduto do mundo, que provocou impactos denunciados pelo jornal O TEMPO, como invasão de terrenos e soterramento de nascentes. Apesar da proximidade, a empresa afirma que o projeto Serro não tem vinculação com o Minas-Rio. O pesquisador de memória social Ariel Lucas Silva destaca que a votação unânime do Codema contra a chegada da mina no Serro é simbólica. “Pesou muito o fato de a Anglo não ter cumprido todas as ações compensatórias que ela prometeu para Conceição do Mato Dentro”, diz Silva. Nesta sexta, a Anglo inaugura uma contrapartida prometida: o Anel Rodoviário do Serro, com presença do governador Fernando Pimentel.
FONTE: O TEMPO

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Manifesto: Contra toda forma de violência - Espírito de Assis

Manifesto: Contra toda forma de violência
O mundo vive sob o signo de uma profunda violência para com o povo, a partir dos avanços do capitalismo e do estado autoritário nas experiências de democracias. No Brasil este cenário de violência é generalizado para as camadas excluídas dos bolsões do capital: sendo a população de rua, os egressos do sistema penitenciário, os encarcerados, a juventude, as populações LGBT’s, as mulheres, os/as indígenas, os/as negros e os/as imigrantes. No campo religioso, a violência é deflagrada por religiões fundamentalistas favorecendo a perseguição às religiões de matriz africana.
Em 27 de outubro de 1986 na Cidade de Assis, na Itália, reuniram-se centenas de líderes religiosos para uma prece pela paz, de lá para cá essa data vem sendo celebrada e articulada por debates, mesas e reflexões conhecida como Dia do Espírito de Assis. Neste ano, pensamos em articular um grupo de entidades sociais, movimentos populares, pastorais, organizações e grupos ecumênicos em favor da temática que perpassa à todos. Pensamos em um ato de urgência contra toda a forma de violência praticada pelo estado e pelas religiões, a realizar-se em 6 de novembro de 2015. Um ato de união da sociedade pela luta em favor da paz.
Nós, coletivos oriundos das mais distintas essências destes Brasis, na encruzilhada da luta pela dignidade dos mais pobres e marginalizados nos insurgimos num brado forte contra a violência fruto da criminalização das camadas populares. Cremos que o empoderamento do povo se dá nas ruas, articulando-se e forjando denúncias ao sistema que oprime e deixa-nos à miséria. Pensamos que as bandeiras de um país em crise não seja o resgate da economia, mas a opção radical pela dignidade do nosso povo que morre nas esquinas, pela caneta dos poderes executivos, legislativos e judiciários, pela perseguição militar nas favelas, morros e periferias, pelo assassinato de nossos indígenas brasileiros, pelo machismo-patriarcal do homem que mata as mulheres e persegue a diversidade de gênero, pelo encarceramento em massa, pelas filas do SUS, pelo racismo aos nossos terreiros e por toda a qualquer ação que encerre nossas vidas pela violência. 
Nossa caminhada percorrerá uma trilha mistagógica, onde alimentados da mística do povo que luta, semeamos um estado laico que acolhe todos e todas na sororidade e na justiça. O povo brasileiro quer poder andar na cidade ou no campo com a liberdade e o direito, semeando a justiça e a resistência.
Nossa voz se levantará pelos prédios do centro de São Paulo num grito de justiça e libertação do nosso povo. Que todas e todos nos unamos, para pedir: #Chegadeviolência. #BastadeCriminalizarOPobre #OEspíritodeAssis #PelaPazcomResistência!  
Nosso desejo é a vida do nosso povo: vida bonita, vida justa e vida doada pelas vidas. Somos todas e todos lutadores pela Casa Comum, onde o povo é contra toda forma de violência.
Quando: 6 de novembro (sexta-feira). Local e hora da concentração: Pátio do Colégio, às 17h. - São Paulo
Assinam e convocam:
SEFRAS - Serviço Franciscano de Solidariedade.
Anchietanum.
Rede Marista de Solidariedade.
Católicas Pelo Direito de Decidir.
Pastoral Carcerária Nacional
Conselho Indigenista Missionário - CIMI-SP.
Educafro.
CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs.
JUPROG – Movimento de Judeus Progressistas.
REJU - Rede Ecumênica da Juventude.
MJD - Movimento Juvenil Dominicano.
MIRE – Mística e Revolução.
PJ - Pastoral da Juventude
Pastoral do Povo de Rua – Arquidiocese de SP.
Pastoral Fé e Política - Arquidiocese de SP.
CEBS - Comunidades Eclesiais de Base– SP.
Movimento Jesus Cura a Homofobia.
RUA – Juventude Anticapitalista
CASTO - Coletivo Autônomo dos Trabalhadores Sociais.
KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço.