terça-feira, 23 de setembro de 2014

Desafio é construir unidade de juventude e sindicatos pela Constituinte

Por Ricardo Gebrim, dirigente da Consulta Popular e 

A construção de uma candidatura presidencial é sempre um problema para a classe dominante, por mais restrita que sejam nossa democracias. Em primeiro lugar, porque as verdadeiras intenções programáticas nunca podem ser reveladas, exigindo um esforço artístico para camuflá-las. Porém, o problema maior é sempre a escolha de um candidato.
Uma simples pesquisa na internet em edições antigas dos principais jornais brasileiros mostra que praticamente todos os analistas políticos previam que o vitorioso nas primeiras eleições diretas presidenciais seria Ulisses Guimarães, do PMDB.
Em janeiro de 1989, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) financiou uma pesquisa denominada “Projeto Leader” com o objetivo de “traçar o perfil de um candidato à Presidência da República que representasse os anseios da sociedade” e “entre os nomes que estavam sendo cogitados, qual deles correspondida à expectativa dos eleitores”.
Construção de um candidato
O resultado acendeu a luz amarela. As conclusões são bem interessantes: “O clima geral favorece um candidato com retórica populista, capaz de identificar-se com os problemas populares; o candidato deveria ser sensível ás questões relativas à justiça social. O candidato não poderia ser velho, caracterizar-se como um político tradicional nem deve estar associado à Nova República. O candidato deveria ser jovem, ter ideias novas, identificar-se com o futuro, com soluções inovadoras. O eleitor buscará uma personalidade honesta e que demonstre ser competente. Estará em alta o comportamento ético, prevalecendo traços moralistas ”.
Definitivamente, não poderia ser Ulisses Guimarães… Em fevereiro de 1989, as pesquisas mostravam Collor com apenas 2% das intenções de votos. O elemento da “virada política” ocorre em março, quando as pesquisas mostram Lula com 15% e Brizola com 17%. Começou o pânico.
O PT havia aprovado seu programa democrático popular em 1987, com medidas como a estatização do setor financeiro e da grande mídia, reforma agrária e diversos outros itens de mudanças estruturais. A ideia de um segundo turno entre Lula e Brizola aterrorizou o “andar de cima”.
Era preciso construir uma solução. Tão rápido quanto a mudança de posição política nas manifestações de junho de 2013, a grande mídia operou unitariamente a construção de um novo produto que atendesse o anseio das pesquisas. Publicitários qualificados construíram em poucas semanas o “fenômeno Collor”, “Jovem Caçador de Marajás”.
Foi uma jogada de risco. Eleger como Presidente da República um jovem playboy, de família tradicional, cuja carreira havia sido construída com as benesses da ditadura… Um grande desafio para testar a eficácia dos poderosos meios de comunicação.
Não era algo novo em nossa história. A postura pragmática de investir num candidato temerário, sem um histórico claro de serviços prestados à classe dominante, mas com viabilidade eleitoral já havia sido testada na eleição de Jânio Quadros em 1960, com a então maior votação de nossa história. Dessa lembrança fica o ensinamento sobre a capacidade dos aparatos dominantes em construir, num curto período, uma imagem política que se enquadre na moldura das pesquisas de opinião.
É com esta classe dominante, bem aparelhada de mecanismos de propaganda de massa e hegemônica no Congresso Nacional, que estamos lidando. Com ela, toda a capacidade e experiência conspirativa dos aparatos que implementam a política externa dos EUA. Somente os muito ingênuos ou perdidos politicamente podem achar que os EUA não moverão peças em nossas eleições ou tratariam a campanha presidencial com uma disputa inter-burguesa indiferente.
Quadro geral
Mas isso é apenas recordação histórica para aprendermos com o modo de ação do inimigo. O que realmente importa é o cenário no qual ocorrem nossas eleições gerais. Os dados recentes divulgados pelo IBGE sugerem um quadro de recessão econômica. Mesmo os analistas mais otimistas, que contam com as possibilidades geradas pelo pré-sal e a nova fase de obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) são extremamente cautelosos em relação aos próximos anos.
A combinação de quadro recessivo na economia com eleições é sempre perigosa. Mais três fatores se somam a esse cenário:
1-O primeiro é a manutenção de um sistema político que favoreceu a ampliação desproporcional de todos os setores burgueses no Congresso Nacional, gerando uma correlação de forças na esfera parlamentar, que desequilibra a chamada frente neodesenvolvimentista (aliança política não formalizada entre setores da burguesia nacional e a classe trabalhadora organizada).
2-O segundo foi a ausência de uma perspectiva de organização de massas ao longo dos governos petistas de Lula e Dilma, gerando uma juventude proletária que – -mesmo se beneficiando desse período, não se reconhece no governo – exige legítimos avanços e pode ser disputada pela direita. O resultado é que hoje temos uma juventude beneficiada por programas de ensino como o ProUni que nem mesmo apoia outros programas como o Bolsa Família ou o Mais Médicos e vice versa.
3-O terceiro é a perda da classe média tradicional (ou classe média alta, segundo algumas classificações). Tais setores médios sentiram-se os menos beneficiados pela gestão petista e alimentam uma crescente insatisfação difusa. Os grandes meios de comunicação são muito eficazes na alimentação do rancor desse setor social. Não será fácil desenvolver medidas que recuperem tais parcelas a curto e médio prazo. Leia a matéria completa »
FONTE: ESCREVINHADOR

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