quinta-feira, 16 de março de 2017

A Crise da Política e a Política da Crise

Claramente, a crise da política tem suas raízes em profundas mudanças que ocorreram internacionalmente nos últimos anos dentro do sistema capitalista. 

Conferência
A Crise da Política I A Política da Crise

A ascensão da direita e as crescentes dificuldades enfrentadas pelos projetos nacionais progressistas, incluindo o aparente fim do ciclo de governos de esquerda na América Latina e os desafios enfrentados pela administração liderada pelo Syriza na Grécia, coloca a questão da estratégia como o foco central. A eleição de Donald Trump, um populista de direita, como presidente dos EUA, aliado ao ressurgimento das forças de extrema direita na Europa, torna mais urgente o repensar e a renovação da política emancipatória.

Visão geral da conferência

A conferência será estruturada como uma reunião de três dias (de 16 a 18 de março) com cerca de 60 pesquisadores, intelectuais públicos e ativistas sociais e políticos de todo o mundo, precedidos por uma série de workshops descentralizados e preparado por organizações locais sul-africanas (14 -15 de março ). A agenda da conferência será composta por sessões temáticas que começarão com algumas e breves observações introdutórias, seguidas de debate aberto. A conferência será realizada com base em discussões não-sectárias e sem censura em um ambiente amigável, destinado a incentivar o intercâmbio livre e construtivo.

A conferência não se concentrará no diagnóstico da natureza das crises globais multidimensionais que estão se desdobrando rapidamente em todo o mundo, mas sim na troca de idéias sobre estratégias coletivas de resistência e no desenvolvimento de alternativas contra-hegemônicas.

A conferência é concebida como um componente de um processo contínuo de produção conjunta de conhecimento, que inclui a produção de uma série de textos de instrução, documentários curtos, peças jornalísticas, podcasts e livros. As apresentações serão gravadas em vídeo e áudio, bem como transmitido ao vivo no site da New Politics e na mídia social.

A conferência não se concentrará no diagnóstico da natureza das crises globais multidimensionais que estão se desdobrando rapidamente em todo o mundo, mas sim na troca de ideias sobre estratégias coletivas de resistência e no desenvolvimento de alternativas contra-hegemônicas.

Contexto e racionalidade

Claramente, a crise da política tem suas raízes em profundas mudanças que ocorreram internacionalmente nos últimos anos dentro do sistema capitalista. O neoliberalismo, a globalização e a financerização, em conjunto com uma mudança da divisão global do trabalho, moldaram um novo equilíbrio geopolítico de forças que redefinem tanto as oportunidades quanto os desafios para a transformação radical. Além disso, a multifacetada natureza da crise global Econômica, social, política, ecológica e civilizacional, deu origem a novas lutas e novas agências.

As crises se cruzam e se reforçam e redefinem o papel do Estado-nação. Também remodelam as classes sociais, pauperizam e marginalizam grandes segmentos da população, elevando e cooptando outros. Elas também redefinem profundamente questões de identidade e cultura. O desemprego em massa, o aumento das formas precárias de trabalho, as crescentes pressões sobre o campesinato e a redução do peso do proletariado industrial, redefinem os espaços urbanos e rurais, reestruturam o papel reprodutivo das mulheres e acentuam o nosso ambiente e os recursos humanos relação das espécies para a biosfera e da natureza em geral.

Assim, os projetos emancipatórios são confrontados com uma série de novas questões às quais há poucas respostas e certezas bem definidas. Em muitos países, atravessar esses desafios e, ao mesmo tempo, construir um novo projeto político dentro de uma sociedade cada vez mais dividida e polarizada (atual África do Sul é um exemplo nítido), tem-se revelado difícil. Fazer isso num contexto de fragmentação e isolamento, com pouco diálogo e interação entre diferentes iniciativas, exigiria muito mais tempo e esforços. A profundidade das crises que enfrentamos torna tudo urgente e mina o tempo necessário para o trabalho teórico e intelectual.

Isso em parte constitui um elemento significativo do que chamamos de crise da política. Além disso, a crise refere-se a como as "soluções" convencionais (programas políticos de esquerda) dificilmente correspondem às realidades mudadas que enfrentamos hoje. É claro que o poder do capital financeiro globalizado, e sua capacidade de perturbar as economias nacionais, torna muito difícil tomar o poder institucional e implementar reformas radicais, fora de um confronto generalizado com o capital nacional, regional e globalmente.

Ao mesmo tempo, os desenvolvimentos recentes trazem inspiração para novas formas de organização e ação política. As novas experiências municipalistas e de comunitárias na Espanha, as Marcha das Mulheres, o movimento Black Lives Matter e a resistência “Standing Rock” nos Estados Unidos e a iniciativa de construir um tratado internacional para responsabilizar as empresas transnacionais por suas violações dos direitos humanos, no contexto do sistema das Nações Unidas - entre muitos outros exemplos inspiradores - mostram que existem estratégias vencedoras das quais podemos aprender, nacional e globalmente. Além disso, essas experiências colocam novas questões na forma como os movimentos emancipatórios se relacionam com os meios de comunicação tradicionais, mas também como usar novas ferramentas de comunicação que estão quebrando um monopólio histórico da produção e disseminação da informação.

A conferência Nova Política de 2017 na África do Sul é assim confrontada com muitas questões críticas. A agenda da conferência está organizada em torno dos seguintes nove temas:
  • A ascensão da direita e os espaços da esquerda: o significado de mudança das Novas Política
  • A crise social do neoliberalismo e os desafios da política emancipatória
  • A crise global ea atual reestruturação do capitalismo: implicações para a Nova Política
  • Identidade: gênero, raça e classe. Como desenvolver políticas não-eurocêntricas?
  • Estratégia, poder e contra-poder: experiências pré-figurativas e estratégias de emancipação
  • As questões de organização e agência: trabalho, política urbana e rural
  • O Antropoceno eo significado (s) do "desenvolvimento": implicações para a Nova Política
  • E o estado? Lições da esquerda no governo: limitações e possibilidades
  • O (s) caminho (s) em frente: construir convergências e colaboração mais próxima em tempos perigosos

A conferência será precedida por oito oficinas simultâneas preparadas por organizações sul-africanas em parceria com participantes da conferência.
Os focos serão:
  • Democracia Energética
  • Trabalho e nova política
  • O movimento estudantil e a nova política
  • Rumo a um sindicato radical de mídia política
  • O Direito à Cidade e a política urbana transformadora
  • O Estado, as empresas públicas e a Nova Política
  • O espaço encolhido para a dissidência social e política. Como recuperar
  • democracia?
  • Extrativismo, movimentos rurais e Nova Política

Objetivos e resultados pretendidos

A conferência proporcionará um espaço para pensadores progressistas e ativistas sociais e políticos para atender, analisar e compartilhar suas perspectivas sobre a crise da política e da política de crise.

Os objetivos da conferência são: 
  • Criar um espaço para o intercâmbio de perspectivas distintas e abertas sobre a conjuntura política atual e os desafios e oportunidades para o desenvolvimento de alternativas contra-hegemônicas;
  • Difundir para uma audiência sul-africana o trabalho desenvolvido pela plataforma New Politics;
  • Promover sinergias e colaboração entre a Nova Plataforma Política e iniciativas internacionais semelhantes;
  • Obter apoio externo para a implementação da agenda de pesquisa da Nova Plataforma Política;Produzir um relatório substancial para difusão generalizada em diferentes línguas regiões do mundo.
FONTE: TNI e AICD

quarta-feira, 15 de março de 2017

Até quando? Rompimento em duto de rejeito da VALE atinge rios em Minas


Ribeirão Mata Porcos, que vira o Rio Itabirito,
tomado pelos rejeitos
(Foto: Divulgação/ Secretaria Municipal de Meio Ambiente
da Prefeitura de Itabirito)
Rompeu-se um duto de rejeitos da Vale atingiu rios na região de Itabirito, Congonhas e Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais.  O rejeito desceu por meio de uma canaleta e atingiu a região de Mata Porcos, no município itabiritense. Consequentemente, o rio Itabirito foi atingido, colocando  em risco a vida de amimais que dependem da água.

Duto de rejeitos da Vale se rompeu em Congonhas
 e atingiu rios da região de Itabirito e Ouro Preto
(Foto: Divulgação/ Secretaria Municipal de Meio Ambiente
 da Prefeitura de Itabirito)
Segundo o site Projeto Manuelzão, "o fato provavelmente teria acontecido no último domingo 12, uma vez que qualquer poluição vinda da Vale não chega de imediato a Itabirito. De acordo com autoridades locais, isso pode demorar mais ou menos 20 horas. Outro fato que preocupa é que a captação de Bela Fama, que abastece Belo Horizonte teria sido atingida. “Ainda não sabemos os impactos que poderão ocorrer sobre a água. Com certeza os tratamentos para consumo humano deverão ser modificados. No entanto, é inadmissível que eventos como esse ainda aconteçam. Não foi a primeira vez. O Comitê tomará as devidas providências para que tudo seja esclarecido.”, disse o presidente do CBH Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano."




sexta-feira, 10 de março de 2017

Reunião Geral do Clero manifesta apoio a Frei Gilberto

Ameaças a Frei Gilberto levaram o Clero e Bispo de Leopoldina a se manifestarem solidários e em comunhão com o frade e a comunidade de Belisário na defesa do território contra o avanço da mineração na região.

A seguir o artigo publicado na página web da Diocese de Leopoldina.

Aconteceu, na terça-feira, dia 07 de março, mais uma reunião do Clero Diocesano. Nesta ocasião os padres de nossa diocese puderam tomar maior conhecimento dos fatos que envolvem o atentado sofrido por Frei Gilberto, Administrador Paroquial de Belisário, na manhã do dia 19 de fevereiro, quando foi abordado por um homem armado que exigia que o frade se calasse em assuntos referentes à mineração na região.

Frei Rodrigo Peret, ofm, residente em Uberlândia, membro do Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia e da Rede Igrejas e Mineração abordou o tema, ressaltando o envolvimento da Igreja nessa temática, citando documentos da CNBB, CELAM e Pontifícios que tratam desse tema.

A mineração no entorno da Serra do Brigadeiro, onde está situado o Distrito de Belisário, prevê a extração de bauxita. Um grande movimento popular tem sido articulado há anos, buscando ressaltar a importância da região na produção de água e preservação de importante reserva de Mata Atlântica que guarda espécies raras de na nossa fauna e flora, bem como o espaço da agricultura familiar.

O Clero de nossa diocese mostrou-se solidário a essa causa e decidiu por manifestar-se numa celebração da unidade presbiteral e de comunhão com a causa de defesa da vida, no embalo da Campanha da Fraternidade de 2017. Decidiu-se por transferir da Catedral para Belisário a celebração da Unidade, na manhã da Quinta-feira Santa. Um gesto de solidariedade e comunhão com Frei Gilberto e toda a comunidade de Belisário, afinal as ameaças não foram feitas apenas ao Administrador Paroquial, mas a toda a comunidade que resiste aos empreendimentos depredadores do bioma Mata Atlântica.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Jagunços executam sem terra no Triângulo Mineiro

A União Nacional de Luta Camponesa, (UNLC) vem a público denunciar a execução a sangue frio do nosso companheiro sem terra, da coordenação regional, Silvone Gonçalves da Silva de 45 anos de idade, na noite desta quarta-feira 01 de março , no Acampamento  BR 153, na Fazenda Piedade,no  Município de Araporã , Minas Gerais.

Dos fatos

Ás 21:00 horas, do dia 01 de março dois  indivíduos encapuzados entraram no acampamento  BR 153,  renderam sua  esposa Joyce, um outro acampado, e o enteado de apenas 07 anos de idade, trancando-os no banheiro e em seguida o Silvone foi à força levado pelos 02 (dois) indivíduos. No inicio do dia seguinte Silvone foi encontrado tombado ao solo com as mãos no rosto e três tiros na cabeça.

A Fazenda Piedade foi ocupada em Dezembro  de 2016 , é imóvel improdutivo,de propriedade de Ricardo Montes.

Silvone, Coordenador Regional da UNLC, liderava dese setembro do ano de 2016 a ocupação da Fazenda Pau Seco, de 19 mil hectares, na usina Triálcool no município de Canápolis- MG, pertencente a massa falida do grupo João Lira.

A única forma possível de resolver o conflito é punir os mandantes dessa EXECUÇÃO         e os assassinos,;
Estaremos atentos e acompanhando cada passo deste processo para que  mais um crime não fique impune.         
Exigimos às autoridades que seja feita a justiça, a desapropriação das fazendas e se acelere o processo da reforma agrária.
União Nacional de Luta Camponesa
Uberlândia, 02 de Março de 2017 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Seguranças - jagunços da VALE agridem agricultores em Canaã do Carajás (PA)

Agiram como jagunços os funcionários da Prosegur, terceirizada da Vale para fazer a segurança patrimonial da empresa em Canaã dos Carajás (PA), que agrediram fisicamente trabalhadores em virtude deles estarem trabalhando em uma cerca na divisa com a Fazenda Boa Sorte, de propriedade da Vale.

Diz a mensagem veiculada nas redes socias:


"Na última segunda - feira 27 foi um dia de muita angústia para mim e todos os nossos familiares. Eu estava na fazenda do meu pai localizada na VP 12 ( a propriedade faz divisa com o Projeto S11D) e na ocasião, ele e meu irmão saíram cedo junto com alguns trabalhadores para consertar uma cerca para impedir que o gado dele se perca em meio a área da vale, já que a mineradora nunca cumpriu com o que a justiça determinou que seria fazer a cerca em todo o ramal ferroviário. Então no local que meu pai estava trabalhando apareceram guardas questionando  o que estavam fazendo, em resposta meu pai afirmou que estava solucionando o problema relacionado a saída do gado de sua propriedade  e em seguida ligou para minha mãe levar os documentos para eles verem que a vale está em dívida em relação as cercas, eles fizeram uma ligação e logo chegou mais um veiculo com outros guardas somando 10 ao todo, encapuzados,  com armas pesadas, spray de pimenta e facão. Eles chegaram espancando meu pai e rendendo todos os trabalhadores que ali estavam, meu irmão sem aguentar ver a covardia partiu em defesa do meu pai, nesse momento juntaram vários homens para espancar ele, jogaram spray de pimenta neles,deram vários socos, chutes e coronhadas. Meu irmão chegou a ter convulsões de tantas coronhadas na cabeça, e mesmo assim eles não param, amarraram os dois e continuaram o espancamento e ainda os ameaçaram de morte, eles só pararam quando minha mãe chegou junto com minha cunhada e um sobrinho de 3 anos no local, agrediram minha mãe verbalmente e ameaçaram quebrar o celular dela. No desespero ela retornou para casa para me buscar e ligar para polícia, mais quando chegamos no local eles já tinham partido com meu pai e irmão, os demais trabalhadores saíram do local ainda rendidos sem poder olhar para trás, porque essa foi a ordem que deram, se alguém olhasse levava tiro. Ao chegarmos em Canaã fomos para a delegacia onde estavam todos, a imprensa fez a reportagem e na hora da entrevista meu irmão passou mal novamente. E foi hospitalizado. Só que lidar com uma empresa desse porte é bem difícil porque o país em que vivemos a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco $. Então peço a todos que ajudem a minha família a fazer Justiça, a cobrar das autoridades que sejam justos. Vamos divulgar esse caso, por que essas pessoas não tem o direito de fazer tamanha covardia. Eu grito por justiça,não podemos admitir que eles abafem esse caso... Me ajude Canaã, me ajuda região."

quarta-feira, 1 de março de 2017

Papa: mensagem para a Campanha da Fraternidade 2017

A campanha, que tem como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, alerta para o cuidado da Casa Comum, de modo especial dos biomas brasileiros.

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Desejo me unir a vocês na Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2017, tem como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, lhes animando a ampliar a consciência de que o desafio global, pelo qual toda a humanidade passa, exige o envolvimento de cada pessoa juntamente com a atuação de cada comunidade local, como aliás enfatizei em diversos pontos na Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado de nossa casa comum.

O criador foi pródigo com o Brasil. Concedeu-lhe uma diversidade de biomas que lhe confere extraordinária beleza. Mas, infelizmente, os sinais da agressão à criação e da degradação da natureza também estão presentes. Entre vocês, a Igreja tem sido uma voz profética no respeito e no cuidado com o meio ambiente e com os pobres. Não apenas tem chamado a atenção para os desafios e problemas ecológicos, como tem apontado suas causas e, principalmente, tem apontado caminhos para a sua superação. Entre tantas iniciativas e ações, me apraz recordar que já em 1979, a Campanha da Fraternidade que teve por tema “Por um mundo mais humano” assumiu o lema: “Preserve o que é de todos”. Assim, já naquele ano a CNBB apresentava à sociedade brasileira sua preocupação com as questões ambientais e com o comportamento humano com relação aos dons da criação.

O objetivo da Campanha da Fraternidade deste ano, inspirado na passagem do Livro do Gênesis (cf. Gn 2,15), é cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho. Como “não podemos deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas” (LS, 43), esta Campanha convida a contemplar, admirar, agradecer e respeitar a diversidade natural que se manifesta nos diversos biomas do Brasil – um verdadeiro dom de Deus - através da promoção de relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles vivem. Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais.

Os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem nos oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa, portadora de plenitude e misericordiosa. Por isso, é necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres.

Todos os anos, a Campanha da Fraternidade acontece no tempo forte da Quaresma. Trata-se de um convite a viver com mais consciência e determinação a espiritualidade pascal. A comunhão na Páscoa de Jesus Cristo é capaz de suscitar a conversão permanente e integral, que é, ao mesmo tempo, pessoal, comunitária, social e ecológica. Reafirmo, assim, o que recordei por ocasião do Ano santo Extraordinário: a misericórdia exige “restituir dignidade àqueles que dela se viram privados” (Misericordia vultus, 16). Uma pessoa de fé que celebra na Páscoa a vitória da vida sobre a morte, ao tomar consciência da situação de agressão à criação de Deus em cada um dos biomas brasileiros, não poderá ficar indiferente.

Desejo a todos uma fecunda caminhada quaresmal e peço a Deus que a Campanha da Fraternidade 2017 atinja seus objetivos. Invocando a companhia e a proteção de Nossa Senhora Aparecida sobre todo o povo brasileiro, particularmente neste Ano mariano, concedo uma especial Bênção Apostólica e peço que não deixem de rezar por mim.

Vaticano, 15 de fevereiro de 2017.

Franciscus PP.