quinta-feira, 7 de abril de 2016
quarta-feira, 30 de março de 2016
Rejeito segue poluindo Rio Doce - Crime Samarco
de Jornal Estado de Minas
Mariana – Quase cinco meses após o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, as apostas da mineradora Samarco para impedir que lama e rejeitos de minério de ferro continuem poluindo os rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce falharam. A equipe do Estado de Minas constatou que a construção de três diques no caminho da lama, para reter e filtrar detritos que descem diariamente, não foi eficiente. Com isso, de acordo com o Ministério Público estadual, o dano ambiental a essas bacias hidrográficas segue ininterrupto e medidas judiciais complementares estão sendo estudadas para forçar a empresa e suas controladoras, Vale e BHP Billiton, a tomar providências para controlar os lançamentos nos corpos d’água.Em 5 de novembro, a Barragem do Fundão, no Complexo do Germano, pertencente à Samarco, se rompeu, liberando 50 milhões de metros cúbicos de lama. Os rejeitos desceram como uma onda pelo vale, atingindo primeiramente a Barragem de Santarém, que continha água, depois os distritos marianenses de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, e na sequência o município de Barra Longa, as calhas dos rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce, seguindo neste último até chegar ao mar. Ao todo, 18 pessoas morreram e uma continua desaparecida, no que é considerado o maior desastre socioambiental da história do país.

A construção dos diques foi um dos primeiros termos acordados entre a Samarco e o MP, na tentativa de cessar o dano ambiental continuado que o carreamento de lama e minério da barragem rompida ainda representa para os cursos d’água. A primeira estrutura, denominada S1-A, é uma barragem de cinco metros de altura, erguida na desembocadura de lama da Barragem de Santarém. Terminado em fevereiro, esse reservatório tem capacidade para 16 mil metros cúbicos (m3) de rejeitos, para decantação em um primeiro estágio de limpeza da água.
O segundo dique, denominado S2-A, tinha altura semelhante e capacidade para 45 mil m3, mas, segundo o MP, não resistiu às chuvas de janeiro e se rompeu. Foi reerguido, mas novamente não foi capaz de reter a lama e os rejeitos, que chegaram mais uma vez aos rios atingidos. Um terceiro dique, chamado S3, tem projeto para uma barragem atinja 11 metros de altura e capacidade para armazenar e decantar 1,3 milhão de m3 de rejeitos de mineração.
Porém, segundo o promotor de Justiça Mauro Ellovitch, a Samarco não dimensionou as estruturas de forma eficiente para reter o volume de lama, sobretudo durante as chuvas. Por isso, avalia, medidas complementares e urgentes precisam ser tomadas para estancar a degradação ambiental na Bacia do Rio Doce. “O planejamento está equivocado e é ineficiente para conter os danos já existentes, que dirá os futuros. Muito material ainda é carreado para os três rios. A empresa tenta fazer obras, mas nossa análise é de que não são intervenções suficientes para a dimensão do impacto, que claramente tem se agravado”, afirma o promotor.
Para Ellovitch, essa situação ilustra a fragilidade do acordo feito entre a Samarco, a União e os estados, que já prevê valores para os danos ambientais. “A degradação ainda não terminou. Como se pode impor um teto de reparação, se a empresa sequer consegue impedir que mais lama e rejeitos cheguem aos rios?”, questiona o promotor, acrescentando que novas medidas judiciais para exigir o estancamento da poluição estão sendo preparadas.

PROJETOS Questionada sobre a eficácia das estruturas, a Samarco avaliou que os diques têm apresentado “bons resultados” na redução da turbidez da água, e informou planejar novas estruturas para diminuir a concentração de sedimentos. Os técnicos afirmam que, nas áreas marginais dos rios Gualaxo e do Carmo, está em andamento a revegetação emergencial com gramíneas (com mais de 400 hectares concluídos), visando à contenção dos sedimentos depositados nas margens.
A empresa acrescentou que trabalha na dragagem do reservatório da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga), em Santa Cruz do Escalvado, que reteve grande quantidade de rejeitos após o desastre. A ação contribuirá para a melhoria de aspectos como cor e turbidez da água que segue pelo Rio Doce após o barramento, segundo a empresa. “Também já está em andamento a reabertura dos canais dos pequenos afluentes dos rios Doce e Gualaxo, permitindo que a água chegue mais limpa aos rios”, informou, texto da Samarco.
Segundo os técnicos “o que comumente é chamado de ‘vazamento’ na mídia é o carreamento de sedimentos misturados à água da chuva e dos córregos presentes no vale de Fundão”. “Para conter esse tipo de carreamento e melhorar a qualidade da água que chega aos cursos d’água, a Samarco construiu três diques, sendo o último entregue em fevereiro, abaixo de Santarém”, informou a empresa. (Colaborou Gustavo Werneck)
FONTE:UAI Jornal Estado de MInas
domingo, 27 de março de 2016
Páscoa Paz Inquieta.
Oremos, ouvindo o poema - "Dá-nos a Paz!" - de Dom Pedro Casaldáliga, narrado por ele mesmo. Segue transcrição do texto, abaixo.
Neste domingo dia 27 de março, em sua mensagem de Pácoa o Papa Francisco fez um apelo pela paz. Em um trecho de sua mensagem de Páscoa "Urbi et Orbi" ("À cidade e ao mundo"), disse: "A fila crescente de migrantes e refugiados que fogem da guerra, da fome, da pobreza e da injustiça não deve ser esquecida. Estes irmãos e irmãs encontram muitas vezes na estrada a morte ou a recusa daqueles que poderiam oferecer-lhes uma recepção e ajuda"
Dá-nos Senhor aquela paz inquieta.
Que denuncia a paz dos cemitérios
e a paz dos lucros fartos.
Dá-nos a paz que luta pela paz.
A paz que nos sacode coma urgência do Reino.
A paz que nos invade com o vento do espírito,
a rotina e o medo.
o sossego das praias e a oração de refugio.
A paz das armas rotas e a derrota das armas.
A paz do pão, da fome de justiça.
A paz da liberdade conquistada
A paz que se faz nossa,
Sem cercas nem fronteiras.
Que tanto é shalon como salam
Perdão, retorno, abraço.
Dá-nos a tua paz!
Essa paz marginal,
que soletra em Belém
e agoniza na cruz
e triunfa na páscoa
Dá-nos Senhor aquela paz inquieta
que não nos deixa em paz!
Pedro Casaldáliga
Versos Adversos – Antologia
Editora Fundação Perseu Abramo – 1ª edição, 2006
sexta-feira, 25 de março de 2016
Paixão, Justiça e Paz!
A meditação da Paixão deve alimentar nossa fome de Justiça e Paz
(Dom Hélder Câmara)
Para os cristãos a Sexta-feira Santa celebra a Paixão do Filho do Homem. Jesus, identificado com todas as vítimas da história. Paixão que se atualiza no dia a dia de tantas paixões de tantas pessoas. Cristo crucificado no planeta crucificado.
Segue para meditação, esse pequeno texto de Dom Helder Câmara:
"É bom que ninguém se iluda, ninguém aja de maneira ingênua: quem escuta a voz de Deus e faz sua opção interior e arranca-se de si e parte para lutar pacificamente por um mundo mais justo e mais humano, não pense que vai encontrar caminho fácil, pétalas de rosas debaixo dos pés, multidões à escuta, aplausos por toda a parte e, permanentemente, como proteção decisiva, a Mão de Deus. Quem se arranca de si e parte como peregrino da justiça e da paz, prepare-se para desertos." (Dom Hélder Câmara)
quinta-feira, 24 de março de 2016
Estátua de "Jesus sem teto" no Vaticano
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| "Jesus Sem Teto" |
da Rádio Váticano
Foi colocada esta Semana Santa na entrada da Elemosineria Apostólica, no pátio de Santo Egídio, no Vaticano, uma estátua de Jesus, em tamanho natural, representado como um sem-teto deitado num banco, envolto num leve cobertor do qual despontam somente os pés marcados pelos pregos da crucifixão.
Nos pobres e nos últimos está o rosto da presença de Cristo
Super realista, a obra é de autoria do escultor canadense Timothy P. Schmalz. O artista teve a ideia de representar a pessoa de Cristo deste modo original após ter visto, durante as festas de Natal, um sem-teto que dormia num banco ao ar livre. “Quando vemos o marginalizados, devemos ver Jesus Cristo”, escreveu o escultor. Na pessoa do pobre e dos últimos estão o rosto e a presença do Cristo: “Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40).
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| Pés de Jesus Seme Teto marcados pelos estigmas da crucifixão |
Em novembro de 2013, durante uma audiência geral na Praça São Pedro, o autor teve a oportunidade de apresentar ao Papa Francisco uma cópia em formato reduzido do "Jesus sem-teto". “Quando o Santo Padre viu a obra, tocou-a nos joelhos e nos pés e rezou. O Papa Francisco está fazendo propriamente isso, aproximar-se dos marginalizados”, ressaltou o autor à mídia estadunidense.
Cópias da imagem foram colocados em várias partes do mundo
A estátua doada à Elemosineria Apostólica por iniciativa do próprio autor é feita de bronze e o primeiro exemplar foi colocado em 2013 em Toronto, no Canadá, no Regis College, Faculdade teológica dos jesuítas, e vários outros exemplares já foram colocados em vários lugares no mundo: Austrália, Cuba, Índia, Irlanda, Espanha e EUA. Alguns contatos estão em andamento para a colocação do "Jesus sem-teto" também em muitos outros lugares (África do Sul, Argentina, Brasil, Chile, México, Polônia...).
O trabalho é uma doação de um canadense
| "Jesus Mendigo" |
FONTE: RÁDIO VATICANO
sábado, 19 de março de 2016
A luta continua, na cidade e no campo ...
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| Ocupação sem-teto foto MTST |
Na madrugada do dia 19 de março, sob o eco das ruas e grito de não vai ter golpe, em defesa da democracia, 400 famílias do MTST, ocupam uma área de terra urbana, abandonada há 40 anos.
O dia 18, também, amanhecera com outra ocupação, a de 4500 pessoas do MST numa fazenda de envolvidos na operação Lava Jato, no Paraná.
O avanço da direita se combate lutando.
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| Ocupação sem-terra foto MST |
O dia em defesa da democracia e contra o golpe, dia 18 de março, iniciou com cerca de 4500 pessoas do MST ocupando a Fazenda Santa Maria, em Santa Terezinha de Itaipu, região oeste do Paraná, para denunciar o desvio de recursos públicos e reivindicar à área para a reforma agrária. Segundo o MST: “A fazenda ocupada pelos Sem Terra pertence aos irmãos Licínio de Oliveira Machado Filho, presidente da Etesco, e a Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro, ambos envolvidos no desvio de dinheiro público na Petrobrás, citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura, durante as investigações da Operação Lava Jato, da Policia Federal.” (Pagina MST)
Durante esse dia 18 de março as manifestações reuniram mais de 1 milhão e 350 mil pessoas, por todo o Brasil
Na madrugada do dia 19 de março, cerca de 400 famílias, organizadas pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), ocuparam um terreno na Cidade Tiradentes, zona leste de SP. Se trata de área abandonada fazem 40 anos, localizada em uma Zeis (Zona Especial de Interesse Social). O MTST também comunica que a ocupação é uma resposta “à direita que prepara um golpe contra a democracia”.
A democracia se defende construindo a justiça, o direito, a dignidade das pessoas, a defesa dos bens comuns e do meio ambiente. Na Encíclia Laudato Si', Papa Francisco reflete: «Não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas uma única e complexa crise sócio-ambiental».
O Papa Francisco falando ao movimentos sociais, em outubro de 2014, em Roma, afirmou a necessidade de empenharmos pelos chamados três “Ts”, dizendo: «Digamos juntos, de coração: nenhuma família sem teto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá», declarou, perante trabalhadores precários e da economia informal, migrantes, indígenas, sem-terra e sem-teto, juventude e seus movimentos. E acrescentou: «Terra, teto e trabalho, aquilo por que lutam, são direitos sagrados. Reclamar isso não é nada de estranho, é a Doutrina Social da Igreja».
O Papa Francisco falando ao movimentos sociais, em outubro de 2014, em Roma, afirmou a necessidade de empenharmos pelos chamados três “Ts”, dizendo: «Digamos juntos, de coração: nenhuma família sem teto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá», declarou, perante trabalhadores precários e da economia informal, migrantes, indígenas, sem-terra e sem-teto, juventude e seus movimentos. E acrescentou: «Terra, teto e trabalho, aquilo por que lutam, são direitos sagrados. Reclamar isso não é nada de estranho, é a Doutrina Social da Igreja».
Frei Rodrigo Péret, ofm
Vem para a democracia
Em todo o Brasil, nesta sexta-feira (18), mais de 1 milhão e 350 mil pessoas foram às ruas dizer não ao golpe e sim para democracia. Foi marcante a presença da diversidade da população brasileira. O maior ato foi na avenida Paulista, em São Paulo; houve manifestações em todos os estados do País.
Em um artigo, publicado no mesmo dia das manifestações, Leonardo Sakamoto, em seu Blog, reflete: "Pelo menos dois grupos dividiam o mesmo espaço na manifestação, nesta sexta (18), na avenida Paulista, em São Paulo: os que apoiavam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores. E aqueles que não os apoiavam ou, pelo contrário, são críticos a eles, mas acreditam que tanto o impeachment quanto uma prisão de Lula não se sustentam com os elementos postos à mesa e significam uma esvaziamento das instituições democráticas." (Blog do Sakamoto)
Guilherme Boulos do MTST, no dia 17, véspera das manifestações, disse: "É preciso compreender o que está em jogo nesses dias tumultuados. Não se trata nem de defender o governo Dilma e muito menos de brecar as investigações de corrupção . Dilma decidiu por aplicar o programa derrotado nas urnas e encampar retrocessos em relação às políticas sociais, acreditando que atrairia o mercado. Conseguiu desagradar a todos e, com isso, criou a base social para o golpismo. Paga o preço de suas escolhas. Em relação às investigações, devem ser levadas adiante. Mas uma investigação que assegure as garantias constitucionais e que não escolha alvos politicamente. Sem linchamento, sem seletividade. O que está em jogo é deter uma ofensiva odiosa, que impõe o pensamento único e métodos de intolerância. O clima construído nas ruas é de caça às bruxas e não apenas contra o petismo. É contra a bicicleta vermelha, a “cara de petista” e a recusa em entoar seus gritos. Representa um risco real a liberdades democráticas. Aos que insuflam esta situação é sempre bom lembrar o destino de Carlos Lacerda após o golpe de 1964. Quem aposta na tática incendiária tem sempre o risco de ver o fogo sair do controle." (Pagina do MTST)
Guilherme Boulos do MTST, no dia 17, véspera das manifestações, disse: "É preciso compreender o que está em jogo nesses dias tumultuados. Não se trata nem de defender o governo Dilma e muito menos de brecar as investigações de corrupção . Dilma decidiu por aplicar o programa derrotado nas urnas e encampar retrocessos em relação às políticas sociais, acreditando que atrairia o mercado. Conseguiu desagradar a todos e, com isso, criou a base social para o golpismo. Paga o preço de suas escolhas. Em relação às investigações, devem ser levadas adiante. Mas uma investigação que assegure as garantias constitucionais e que não escolha alvos politicamente. Sem linchamento, sem seletividade. O que está em jogo é deter uma ofensiva odiosa, que impõe o pensamento único e métodos de intolerância. O clima construído nas ruas é de caça às bruxas e não apenas contra o petismo. É contra a bicicleta vermelha, a “cara de petista” e a recusa em entoar seus gritos. Representa um risco real a liberdades democráticas. Aos que insuflam esta situação é sempre bom lembrar o destino de Carlos Lacerda após o golpe de 1964. Quem aposta na tática incendiária tem sempre o risco de ver o fogo sair do controle." (Pagina do MTST)
Na manifestação em São Paulo, Lula discursou em cima de um carro de som, na avenida Paulista e reafirmou seu compromisso pela democracia. “O que vocês estão fazendo hoje na Paulista é uma lição sobre a capacidade do povo brasileiro”, disse o ex presidente.
Frei Rodrigo Péret, ofm
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