sábado, 24 de julho de 2021

A Perda da Eficácia da Lei Ante o Negociado com a VALE

As manifestações e comemorações do Poder Executivo, do Poder Judiciário e Legislativo  do  Estado de Minas Gerais  sobre o acordo realizado pela  VALE S/A a despeito  do crime cometido no município Brumadinho refletido em mais de 22 cidades na bacia do Rio Paraopeba, do qual resultou danos ao patrimônio público e privado, danos ambientais e homicídio doloso contra cerca de 300 pessoas que morreram pela deliberada tragédia ocorrida, demonstra  a predisposição dos 3 poderes, a monopolizar  o debate sobre a condução  dos procedimentos a serem adotados quanto às condenações nas esferas civil e criminal resultante  da punição por esses diversos crimes cometidos.  

O Poder Público ao adotar  a monopolização  das narrativas e discursos  sobre a tragédia ocorrida sem a participação   direta da  sociedade civil e pelos também diretamente atingidos,  demonstra que o debate travado pelo Estado de Minas Gerais em conluio  entre  seus 3  poderes, é de uma terrível  e clara  suspeição, pois, abre  precedentes  que negam  o devido processo legal democrático, pois, consolida uma jurisprudencialização  favorável aos empreendimentos minerários  a ser seguida  em detrimento da  legislação esparsa que tem como escopo a  punição de   outros casos semelhantes  que porventura ocorram. 

Por essa lógica adotada, qualquer tragédia ambiental que possa acontecer daqui para o futuro, seja de grande, médio ou pequeno impacto danoso, se amoldará a este precedente acordado que reputo suspeito. Tal  precedente jurisprudencial  admitido deverá ser  acatado  nas instâncias jurisdicionais primárias, que pelo modelo desse acordo,   será reduzido em mera equação monetária, suprimindo o debate da complexidade das sequelas deixadas nas famílias dos mortos e na natureza. 

Portanto, o sentido da reparação integral, com esse precedente sob suspeição, será   reducionista no sentido de negar a vida e a memória dos mortos e sobreviventes desse crime da VALE S/A. 

Nesse sentido, a celebração e a comemoração desse acordo monetário pelo Judiciário, executivo e legislativo, reduz a vida a apenas valores indenizáveis, frise-se, que esse precedente não deixará margem para o debate sobre cada caso concreto semelhante, cada desastre ambiental, cada morte decorrente da ação predatória da mineração, porque no Estado de MG já está decidido o paradigma a ser adotado. 

Se vingar essa metodologia na qual para cada ação detratora ao meio ambiente autoriza-se apenas o tabelamento dos bens naturais e o pagamento do valor econômico que cada um representa, se estará, em ultima razão, minimizando ou banalizando, a culpa, as penas e as condenações contra o agente poluidor.

Nesse sentido, ao pagar pelo desastre causado e apenas isso, o empresariado se estará estimulando à ação predatória sem os devidos cuidados e obediência às Leis ambientais protetivas dos direitos e dos bens naturais.

Elcio Pacheco -  OAB-MG nº 117511


quinta-feira, 22 de julho de 2021

22 de julho - Dia Mundial contra a Mineração.


A violência é uma condição necessária para a existência do setor minerário. As mineradoras são responsáveis ​​por enormes sacrifícios humanos e ecológicos, verdadeiros crimes, em todos os continentes. Violações de direitos humanos, conflitos com e dentro das comunidades atingidas, exploração do trabalho e aprofundamento das desigualdades socioeconômicas e destruição ambiental.

“A mineração é uma das poucas indústrias que emergiu do pior da crise econômica pandêmica COVID-19 em excelente forma financeira e operacional. Na verdade, 2020 foi um ano marcante para o setor de mineração." Isso de acordo com um relatório, de junho de 2021, da PricewaterhouseCoopers PwC.*

É escandaloso saber que, em plena pandemia, as 40 maiores empresas de mineração saíram de 2020 em excelente forma financeira. O lucro líquido foi de cerca de 15%, o dinheiro em caixa aumentou 40% e a capitalização de mercado aumentou 64%. A previsão para 2021 indica que a receita subirá 29%, o EBITDA, um indicador da saúde financeira da empresa, mostrando apenas os lucros gerados através das atividades operacionais, desconsiderando possíveis empréstimos, investimentos e impostos será de 40% e o lucro líquido 68%, vai superar, segundo eles, os ganhos do ano passado.

O relatório anual, Panorama Social da América Latina 2020, da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), divulgado em março de 2021, examinou o impacto social da pandemia COVID 19. Estima que o número total de pobres aumentou para 209 milhões no final de 2020, o que é 22 milhões a mais do que no ano anterior, e a pobreza extrema aumentou 8 milhões de pessoas, isso somente em relação à America Latina e Caribe.

O setor de mineração sempre desconsidera as populações dos territórios em que está inserida e, como sempre, coloca suas vidas em risco, agindo de forma criminosa em relação às pessoas e ao meio ambiente. Viver em risco permanente é o que a realidade da mineração nos revela.

As corporações transnacionais de mineração são, historicamente, um setor ambientalmente destrutivo. Suas consequências prejudiciais associadas a conflitos sociais estão bem documentadas. 

Apesar da realidade e urgência causada pela pandemia, as mineradoras não suspenderam suas operações na maior parte do mundo. 

Como as mineradoras lucraram nesse período?

Segundo o relatório Vozes da Terra - Como a indústria de mineração global está lucrando com a pandemia COVID-19" , de junho de 2020, elaborada por várias organizações internacionais, se pode identificar um padrões de exploração, que leva ao aumento dos lucros das mineradoras, neste período de pandemia. 

O relatório identificou 4 padrões: (a) As empresas de mineração estão ignorando a ameaça real da pandemia e continuam a funcionar usando qualquer meio para este fim; (b) Governos do mundo inteiro estão tomando medidas extraordinárias para silenciar protestos legítimos e para promover o setor da mineração; (g) As mineradoras estão usando a pandemia como oportunidade para encobrir suas operações sujas e se apresentarem como salvadores preocupados com os interesses públicos; (e) Empresas mineradoras e governos estão usando a crise para promover mudanças regulatórias, que favoreçam o setor às custas das pessoas e do planeta.

A lógica do lucro rege o setor mineiro e o mesmo está sujeito a movimentos do sistema financeiro, ciclos de alta e baixa de preços das matérias-primas, que acabam por prevalecer sobre a segurança das pessoas e da natureza. Na realidade, a manutenção dos ritmos de mineração não são aqueles que estão descritos nos processos de licenciamento, mas sim aqueles ligadas à manutenção da rentabilidade das empresas e dos fluxos do mercado financeiro.

Comunidades e organizações têm lutado para defender a saúde pública e o meio ambiente contra a destruição e devastação do extrativismo minerário.

Frei Rodrigo Péret, ofm

* Pwc é uma Rede de firmas independentes presente em 158 territórios, de prestação de auditoria e asseguração, consultoria tributária e societária, consultoria de negócios e assessoria em transações. A firma está entre as 4 maiores empresas de consultoria e auditoria.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Comissão da CNBB vai ao acampamento Levante Pela Terra e reafirma solidariedade aos povos indígenas

Dom Joel Portella, secretário-geral da CNBB, fala
aos povos indígenas no acampamento Levante Pela Terra. Foto: Carol Lira/Repam-Brasil

da página do CIMI

Nesta segunda-feira (28), uma comissão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) visitou o acampamento Levante pela Terra, em Brasília, que reúne cerca de 850 indígenas de mais de 50 povos de todo o país. A comissão, acompanhada por uma representação da Rede Eclesial Pan-Amazônica – Repam-Brasil, prestou solidariedade aos povos e lideranças que, acampados há três semanas na capital federal, lutam em defesa de seus direitos.

A representação de bispos foi composta pelo secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, pelo assessor político da CNBB, padre Paulo Renato Campos, pelo arcebispo de Porto Velho e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Roque Paloschi e pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e secretário da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB, dom Vicente Ferreira. Também participaram da visita a diretora executiva da Repam-Brasil, Ir. Maria Irene Lopes, e o coordenador de articulação, Paulo Henrique Martins.

“Em nome do acampamento Levante Pela Terra, quero agradecer a presença de todos, porque sei do compromisso que a CNBB tem com os povos indígenas, acompanhando a questão da repercussão geral no Supremo e também os ataques que temos sofrido por meio de projetos de lei no Congresso”, afirmou Kretã Kaingang, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e uma das lideranças do acampamento.

“Os povos indígenas decidiram fazer essa mobilização vindos de todas as partes do Brasil, porque seus direitos conquistados na Constituição Federal estão sob forte ameaça. Eles estão colocando suas vidas em risco, devido à pandemia, mas decidiram que tem homens, mulheres, crianças, jovens, idosos, todos com o mesmo objetivo de lutar pela vida”, explicou Antônio Eduardo de Oliveira, secretário executivo do Cimi, que vem acompanhando a mobilização desde seu início.

O secretário-geral da CNBB afirmou que a ida ao acampamento representava “uma visita de irmãos” e que a enorme mobilização dos povos indígenas traz um “sinal de resistência”.
“Resistir é preciso. É preciso garantir direitos, porque se nós não somos um país que pode confiar sequer na garantia e na proteção dada por sua lei maior, onde que nós vamos parar?”, questionou Dom Joel Portella. “Vejo muitos outros grupos que sonham, lutam e precisam aprender a mesma força, coragem e resistência de vocês”.

“Não podemos deixar cair essa resistência de vocês, porque ela é o futuro. De vocês e nosso”, concordou dom Vicente Ferreira. “Nesse momento, onde os projetos de morte são muito claros e os de vida também, não tem como a gente ficar em dúvida. Deus vai exigir de nós: de qual lado vocês estiveram, da vida ou da morte? Por isso estou em paz aqui: estar com vocês é estar do lado da vida”.

A relação entre a luta indígena e o futuro – não só dos povos originários, mas da própria humanidade e da vida no nosso planeta – também foi abordada por Sônia Guajajara, coordenadora executiva da Apib, que agradeceu a presença da comissão no acampamento. 

“Nossa luta há muito tempo deixou de ser uma luta só nossa. Então, essa responsabilidade não pode ser só nossa. Todo mundo precisa entender a causa indígena como uma causa humanitária e civilizatória. E é esse chamado que temos feito, enquanto ainda há tempo. Estamos ouvindo esse chamado da Mãe Terra, mas poucas pessoas estão escutando e entendendo esses sinais”, alertou Sônia.

“Não podemos deixar cair essa resistência de vocês, 
porque ela é o futuro de vocês e nosso.”

Dom Vicente Ferreira, secretário da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB, 
manifesta apoio aos povos indígenas no acampamento Levante Pela Terra, em Brasília. 
Foto: Tiago Miotto/Cimi

O presidente do Cimi, dom Roque Paloschi, ressaltou a grande preocupação com projetos como o Projeto de Lei (PL) 490/2007,  contra o qual os povos indígenas vinham se manifestando contrariamente há semanas, e que foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

“São projetos que abrem as terras tradicionais para a monocultura, a mineração, a degradação do meio ambiente e, sobretudo, que querem retirar de vocês a única coisa que vocês têm, que são as terras, para não lhes oferecer nada, a não ser o caminho da invisibilidade e da exclusão”, denunciou dom Roque Paloschi.

“Vocês estão gritando que a vida é dom precioso de Deus e nós não podemos brincar nesta hora”, agradeceu o arcebispo de Porto Velho.

A Ir. Maria Irene Lopes, da Repam-Brasil, chamou atenção para a mobilização das mulheres indígenas em defesa de seus direitos e territórios.

“Gostaria de parabenizar todas as mulheres que estão aqui, porque são as mulheres que são a força nas comunidades, que cuidam da Casa Comum. Que vocês continuem tendo essa força, essa coragem, e contem conosco”, afirmou a integrante da Comissão Episcopal da Amazônia.

“Entramos no STF como amicus curiae e acompanhamos muito de perto o resultado, porque sabemos que aqui não está a questão deste ou daquele governo, mas uma questão de Estado, de país. Que Brasil, afinal de contas, nós precisamos, queremos e pelo qual lutaremos?”

Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho e presidente do Cimi, 
no acampamento Levante Pela Terra, em Brasília. Foto: Carol Lira/Repam-Brasil

Repercussão Geral

Em sua fala, os bispos também reforçaram o apoio da CNBB na luta em defesa dos direitos indígenas travada no Supremo Tribunal Federal (STF), que retoma, nesta quarta-feira (30),  o julgamento de repercussão geral que definirá o futuro das demarcações de terras indígenas no Brasil.

O processo trata, no mérito, de uma reintegração de posse movida pelo estado de Santa Catarina contra o povo Xokleng. O status de “repercussão geral” dado pelo Supremo ao caso significa que a decisão tomada nele servirá de referência a todos os processos, procedimentos administrativos e projetos legislativos que tratem do tema – com possibilidade, inclusive, de esvaziar projetos anti-indígenas como o PL 490, considerado inconstitucional.

A CNBB atua como “amiga da corte” – ou, no termo em latim, amicus curiae – neste processo e manifestou-se nele defendendo a proteção dos direitos constitucionais indígenas e posicionando-se contra o “marco temporal”, tese defendida por ruralistas, mineradoras e outros setores econômicos interessados na exploração das terras indígenas e que busca restringir a demarcação de terras indígenas.

“A CNBB assumiu a causa indígena praticamente desde o começo da própria CNBB. Trabalhou com outras entidades para que os artigos 231 e 232 da Constituição ali estivessem, e desde então, principalmente através do Cimi, tem procurado se fazer presente”, relembrou dom Joel Portella.

“Entramos no STF como amicus curiae e acompanhamos muito de perto o resultado, porque sabemos que aqui não está a questão deste ou daquele governo, mas uma questão de Estado, de país. Que Brasil, afinal de contas, nós precisamos, queremos e pelo qual lutaremos?”, questionou o secretário-geral da CNBB.

“Precisamos que nosso direito seja respeitado”, afirmou Brasílio Priprá, liderança do povo Xokleng. “A terra pela qual estamos lutando tem sangue do povo Xokleng. Essa é a terra que nós queremos, é a nossa terra”.

Fonte: CIMI

sexta-feira, 18 de junho de 2021

NOTA DE SOLIDARIEDADE A DOM VICENTE FERREIRA


Dom Vicente Ferreira, bispo auxiliar de Belo Horizonte e responsável pela região episcopal onde ocorreu o crime da Vale, em Brumadinho, é um profeta em nosso meio. 

Suas posições claras na defesa da vida,  principalmente dos "descartáveis", e contra "essa economia que mata" (pessoas, o  meio ambiente e a relação com um Deus amoroso) têm incomodado os arautos do moralismo e os defensores de necropolíticas que excluem, condenam,  segregam; enfim, matam.

Se por um lado Dom Vicente é atacado por servidores do deus-dinheiro e organizações religiosas fundamentalistas, como o Centro Dom Bosco, por outro, ele recebe o apoio,  a solidariedade e o afeto de milhões de cristãos comprometidos com a paz, a justiça e  a solidariedade, "para que todos tenham vida e vida em abundância".

Com Dom Vicente enfrentaremos os pseudo-profetas que, disfarçados em peles de cordeiro, propagam ódio,  mentiras,  calúnias e todo o tipo de ataque àqueles que estão ao lado dos sofredores e abandonados.

Nossa solidariedade e apoio incondicionais a Dom Vicente Ferreira e a todos/as os que lutam pela vida, igualdade,  fraternidade e paz.

Assinam:

- Movimento Nacional de Fé e Política 

- Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas 

- Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz da Arquidiocese de BH 

- Rede Brasileira de Fé e Política

- Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara 

- Iser Assessoria

- SINFRAJUPE 

- Setor Ambiental do Vicariato Episcopal para a Ação Social, Política e Ambiental da Arquidiocese de BH

- Comitê Arquidiocesano de Bioética da Arquidiocese de BH

- Pastoral Operária

- Missionários Combonianos

- Anima/PUC Minas

- CLASP - Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo

- International Movement We Are Church - São Paulo/Brasil

- Conselho Nacional de Leigos e Leigas do Brasil - CNLB

- Pastoral Universitária PUC Minas 

- NEPAC/PUC Minas

- Academia de Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de BH

- Instituto de Pastoral Vocacional

- CEFAP/ PUC Minas 

- Coletivo de Fé e Política 

- Articulação do Grito dos/as Excluídos/as de BH. 

- Movimento AMOR - Pastoral do Povo de Rua SASJT

- Cáritas Brasileira - Regional MG

- Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM)

- Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

- Movimento Mineiro de Fé e Política

- Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC MG

- Pastoral do Surdo da Arquidiocese de Belo Horizonte

- Pastoral Metropolitana dos Sem Casa - BH 

- Pastoral Carcerária - BH 

- Pastoral do Povo de Rua - BH

- Pastoral do Menor - BH

- Movimento Fé e Política -  Espírito Santo

- Movimento Fé e Política - Planalto Central (DF e Região Metropolitana)

- Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário -  Arquidiocese BH

- Comissão Justiça e Paz - Brasília

- CEBI-MG

- Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas - Grupo MG Central

- Diáconos pela Vida

- Fórum Político Inter-religioso

- Setor Social do Vicariato Episcopal para a Ação Social Política e Ambiental

- Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário (RENSER)

- Irmandade dos Mártires

- Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD)

- Sindieletro - MG

- MiDHia- Comunicação e Direiros Humanos

- Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil

- Rede Grito Pela Vida (CRB/BH)

- Coletivo Mineiro Popular

- Coletivo Vozes Maria

- MiDHia- Comunicação e Direiros Humanos

- Pastoral da Juventude da Arquidiocese de BH

- Associação Campo das Vertentes

- Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares / Minas Gerais (RENAP/MG)

- Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade AFES

- Rede Igrejas e Mineração

sábado, 5 de junho de 2021

Poluidores e Saqueadores: As raízes das crises da África.

Ao comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, WoMin, uma organização africana, de mulheres, contra o extrativismo destrutivo,  lança o primeiro de uma série de curtas-metragens de animação - Poluidores e Saqueadores: as raízes das crises da África.





Através de uma animação bonita e comovente, elas contamos uma parte da história que as comunidades rurais, camponesas e da classe trabalhadora em todo o continente africano têm enfrentado desde o início da colonização até o atual capitalismo neoliberal global. Esta é uma história de vidas e meios de subsistência interrompidos e destruídos, de catástrofe ambiental causada por indústrias extrativas irrestritas, da violência perpetrada contra pessoas pardas e negras cujas vidas são constantemente desvalorizadas, e da exploração do trabalho feminino de cuidado e violência perpetrada em seus corpos. Mas, é também uma história de resistência liderada por mulheres e comunidades que se levantam para defender as pessoas e a natureza, e apresentam uma visão diferente da África e suas idéias para uma vida diferente para seus povos livres de saqueadores e poluidores.

WoMin Alliance | Mulheres africanas se unem contra o extrativismo destrutivo

WoMin é uma organização, que concentra seus esforços no apoio a mulheres afetadas por projetos de desenvolvimento destrutivos em 13 países africanos. Trabalha com mulheres ativistas africanas e aliadas para expor os custos deste modelo de desenvolvimento atual e co-criar e promover alternativas ecofeministas transformadoras.

A visão de WoMin é de uma África em que todas as mulheres tenham acesso seguro aos recursos de que elas, suas famílias e comunidades precisam para viver e sobreviver, e uma África na qual todas as mulheres possam exercer controle total sobre seus corpos e opções de desenvolvimento.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Dom André Witte: simplicidade e profecia


Faleceu neste domingo, 25 de abril, Domingo do Bom Pastor, dom André de Witte, bispo emérito de Ruy Barbosa (BA), presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e membro da Comissão Especial de Ecologia Integral e Mineração da CNBB. Internado no sábado (24) o com problemas de saúde e aguardava resultados de exames clínicos. Apesar de não apresentar sintomas característicos de Covid-19, o bispo havia sido testado e aguardava o resultado. Em nota divulgada nesta segunda-feira, a diocese informou que dom André foi vítima de choque séptico e celulite infecciosa.

Dom André, esteve sempre ligado ao trabalho com os camponeses e à defesa da terra, ele era formado em agronomia. Ele sempre foi uma pessoa de extrema simplicidade, pobre entre os pobres, com grande disposição para escutar e acolher todo mundo, um pastor com cheiro de ovelha. Ele sempre teve atitude profética em defesa do povo diante das injustiças, um compromisso do qual nunca abriu mão.

Luta sem fronteiras:

Dom André Witte, nas Nações Unidas, Genebra

Em outubro de 2018, nas Nações Unidas, em Genevra, ele se juntou à Franciscans International, durante a sessão do Grupo de Trabalho Intergovernamental da ONU sobre Direitos Humanos e Corporações Transnacionais para pedir um melhor acesso à justiça e recursos para as comunidades atingidas pelas atividades empresariais.

Durante esse evento, Dom André Witter (Brasil), Dom Ramazin (Guatemala) e o Reverendo Ralf Häussler (Alemanha) denunciaram os desafios de buscar reparação de violações de direitos por meio de mecanismos não vinculantes existentes e suas inadequações na prevenção de abusos aos direitos humanos.

Apesar da necessidade urgente de prevenir e reparar os abusos de direitos humanos cometidos por corporações transnacionais, o grupo de bispos denunciou que o progresso em direção à adoção de um instrumento legalmente vinculativo permanece lento, com muitos Estados economicamente poderosos se envolvendo apenas nominalmente nas deliberações ou boicotando todo o processo.

Dom André alertou para o fato de que projetos industriais de grande escala afetam desproporcionalmente aqueles que estão na base das cadeias produtivas globais, com consequências muitas vezes invisíveis para os que estão no topo.

Dom Witte testemunhou esses problemas a partir de sua própria diocese quando seus 50.000 paroquianos, esparsos por uma área maior do que muitos países europeus, encontraram sua vidas ameaçadas por projetos de mineração em grande escala. 

“Um pequeno trabalhador, que não possui as terras que cultiva, pode acordar uma certa manhã, e encontrar pequenas estacas ao redor de sua casa dizendo que agora ela é reivindicada por uma empresa de mineração. Isso não acontece com os poderosos”, disse André.

Dom André foi clao sobre o papel da a Igreja e a responsabilidade da mesma de desempenhar um papel importante no processo de construção de um Tratado Internacional Vinculante sobre Corporações Transnacionais e Direitos Humanos. 

“Precisamos participar dessas discussões porque nosso trabalho se apoia em dois pilares: um é a catequese, mas também devemos nos esforçar para criar uma sociedade igualitária e justa a serviço da vida. Em última análise, este tratado não é contra a economia ou contra as corporações transnacionais. Está a serviço das vidas das vítimas - está a serviço de todos nós".


Vida Missionária:

Dom André de Witte nasceu na Bélgica, em em 31 de dezembro de 1944, 3º filho de um casal
de agricultores familiares. Chegou ao Brasil no dia 12 de fevereiro de 1976, para trabalhar na Diocese de Alagoinhas, BA. Em equipe com um colega missionário trabalhou na Paróquia de Inhambupe e na Pastoral Rural da Diocese. Recebeu ainda a missão de Vigário Episcopal do Zonal do Sertão, Diretor Espiritual dos seminaristas, Coordenador Diocesano da Pastoral e Vigário Geral. Em 1994,  foi nomeado pelo Papa João Paulo II como bispo da diocese de Ruy Barbosa (BA). Adotou como lema episcopal “Cristo Sempre”. 

De 1995 a 2003 foi Presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM). Foi Presidente do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), em Juazeiro, BA, e representou a Igreja Católica na Diretoria da Coordenadoria Ecumênica de Serviços (CESE).

Dom André ao completar 75 anos, no dia 31 de dezembro de 2019, teve seu pedido de renúncia aceito pelo Papa Francisco no dia 15 de abril de 2020. 

Dom André, esteve sempre ligado ao trabalho com os camponeses e à defesa da terra, ele era formado em agronomia. Dom André sempre foi uma pessoa de extrema simplicidade, pobre entre os pobres, com grande disposição para escutar e acolher todo mundo, um pastor com cheiro de ovelha. Ele sempre teve atitude profética em defesa do povo diante das injustiças, um compromisso do qual nunca abriu mão.

Fontes: CNBB, CPT, Franciscans International