terça-feira, 24 de agosto de 2021

Presidência da CNBB expressa apoio e pede respeito aos povos indígenas

Dom Walmor Oliveira, presidente da CNBB, 
fala aos povos indígenas no acampamento 
Luta pela Vida. Foto: Carol Lira/Repam-Brasil
da página da REPAM

O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, defendeu a inconstitucionalidade do marco temporal e expressou sua “expectativa” e “esperança” de que o Supremo Tribunal Federal (STF) vote contra a tese e respeite a Constituição.  

Ele falou durante a visita da CNBB, da Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM-Brasil e da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) em solidariedade e apoio aos milhares de indígenas que estão mobilizados no acampamento “Luta pela Vida”, em Brasília. 

Participaram da visita o presidente da CNBB, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, o secretário-geral da CNBB, Dom Joel Portella, o presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), secretário da REPAM-Brasil e arcebispo de Porto Velho (RO), Dom Roque Paloschi, e a presidente da CRB Nacional, Ir. Maria Inês Vieira Ribeiro, e a diretora executiva da REPAM-Brasil, Ir. Maria Irene Lopes.  

Dom Walmor destacou o compromisso da CNBB com a causa indígena e pediu respeito aos povos indígenas. “Queremos dizer do nosso apoio, da nossa alegria e que daqui a nossa voz chegue às portas do STF esperando que os nossos juízes, na sua lucidez e no seu compromisso de fazer valer a Constituição Federal, votem a favor de tudo aquilo que ajuda os povos indígenas”, ressaltou o presidente.  

Para Dom Joel Portella, o apoio e solidariedade à mobilização indígena “expressa os 70 anos de solidariedade” aos povos indígenas, suas lutas e direitos. “O que hoje se faz aqui precisa transbordar para um Brasil diferente. Se vocês estão lutando pelo respeito aos povos originários e para que o marco temporal não seja a grande referência vencedora, estamos todos nós trabalhando por um Brasil diferente, que respeita a democracia, a Constituição, o suor, o sangue e a vida de muitos que se foram”, afirmou.  

Testemunho de resistência e confiança 

Dom Roque Paloschi manifesta apoio
aos povos indígenas. Foto: Carla Lira

Dom Roque Paloschi agradeceu o testemunho de resistência e de confiança dos povos indígenas na proteção dos territórios e ressaltou que a luta dos povos indígenas é de todos nós. “A causa indígena é de todos nós e nós queremos continuar caminhando também como Igreja e Cimi, onde os senhores e senhoras, comunidades e etnias são os sujeitos e protagonistas da história. Nós queremos caminhar como aliados, na certeza de que somos chamados à essa grande experiência do pluralismo da diversidade”, disse.   

Ir. Maria Inês Vieira afirmou que a comunhão da Vida Consagrada com os povos indígenas vem de longa data e que sempre tiveram “religiosos e religiosas defendendo a causa indígena”. A presidente ressaltou ainda que está ao lado dos povos indígenas e de seus territórios.  

Elza Xerente, liderança do povo Xerente no Tocantins, falou da importância do apoio da CNBB e chamou atenção para destruição do território indígena.


Liderança indígena Elsa Xerente
presenteia comitiva da CNBB. Foto: Carol Lima REPAM Brasil

“Nossos antepassados não ensinaram a vender os nossos direitos não. O dinheiro é passageiro, hoje nós perdemos e amanhã não tem nada, mas o território será nosso para o resto da vida. Eu posso morrer, mas os meus netos e os meus filhos vão viver. Essa é a esperança que nós temos!”

Na ocasião, Elza Xerente presenteou os bispos e a presidente da CRB com um colar típico da cultura Xerente, em sinal de bênção e proteção.  

A mobilização, que reivindica direitos e promove atos contra a agenda anti-indígena que está em curso no Congresso Nacional e no Governo Federal, segue até o dia 28 de agosto com atividades, plenárias, marchas e manifestações culturais e políticas. Durante o período, indígenas de todas as regiões do país ficarão acampados na Praça da Cidadania. 

Marco temporal  

A pauta central da mobilização está relacionada ao julgamento marcado para amanhã (25) no Supremo Tribunal Federal (STF), que definirá o futuro das demarcações de terras indígenas. A Corte vai analisar a ação de reintegração de posse movida pelo governo de Santa Catarina contra o povo Xokleng, referente à Terra Indígena (TI) Ibirama-Laklãnõ, onde também vivem os povos Guarani e Kaingang. 

Com status de “repercussão geral”, a decisão tomada neste julgamento servirá de diretriz para a gestão federal e todas as instâncias da Justiça, também como referência a todos os processos, procedimentos administrativos e projetos legislativos no que diz respeito aos procedimentos demarcatórios. 

 Entenda porque o caso de repercussão geral no STF 

pode definir o futuro das Terras Indígenas 

A CNBB atua como amicus curiae – “amiga da Corte” – no processo e já se manifestou contrariamente à tese do chamado marco temporal. Em junho, a REPAM-Brasil e a CNBB também visitaram o acampamento Levante Pela Terra, levando uma mensagem de apoio e solidariedade à mobilização que durou o mês inteiro e reuniu cerca de 1500 indígenas de mais de 50 povos em Brasília. O acampamento Luta pela Vida dá continuidade à intensa mobilização indígena iniciada em junho. 

Fonte REPAM, CIMI CNBB

Plenária do acampamento Luta pela Vida. Fotos: Ascom CNBB

sábado, 24 de julho de 2021

A Perda da Eficácia da Lei Ante o Negociado com a VALE

As manifestações e comemorações do Poder Executivo, do Poder Judiciário e Legislativo  do  Estado de Minas Gerais  sobre o acordo realizado pela  VALE S/A a despeito  do crime cometido no município Brumadinho refletido em mais de 22 cidades na bacia do Rio Paraopeba, do qual resultou danos ao patrimônio público e privado, danos ambientais e homicídio doloso contra cerca de 300 pessoas que morreram pela deliberada tragédia ocorrida, demonstra  a predisposição dos 3 poderes, a monopolizar  o debate sobre a condução  dos procedimentos a serem adotados quanto às condenações nas esferas civil e criminal resultante  da punição por esses diversos crimes cometidos.  

O Poder Público ao adotar  a monopolização  das narrativas e discursos  sobre a tragédia ocorrida sem a participação   direta da  sociedade civil e pelos também diretamente atingidos,  demonstra que o debate travado pelo Estado de Minas Gerais em conluio  entre  seus 3  poderes, é de uma terrível  e clara  suspeição, pois, abre  precedentes  que negam  o devido processo legal democrático, pois, consolida uma jurisprudencialização  favorável aos empreendimentos minerários  a ser seguida  em detrimento da  legislação esparsa que tem como escopo a  punição de   outros casos semelhantes  que porventura ocorram. 

Por essa lógica adotada, qualquer tragédia ambiental que possa acontecer daqui para o futuro, seja de grande, médio ou pequeno impacto danoso, se amoldará a este precedente acordado que reputo suspeito. Tal  precedente jurisprudencial  admitido deverá ser  acatado  nas instâncias jurisdicionais primárias, que pelo modelo desse acordo,   será reduzido em mera equação monetária, suprimindo o debate da complexidade das sequelas deixadas nas famílias dos mortos e na natureza. 

Portanto, o sentido da reparação integral, com esse precedente sob suspeição, será   reducionista no sentido de negar a vida e a memória dos mortos e sobreviventes desse crime da VALE S/A. 

Nesse sentido, a celebração e a comemoração desse acordo monetário pelo Judiciário, executivo e legislativo, reduz a vida a apenas valores indenizáveis, frise-se, que esse precedente não deixará margem para o debate sobre cada caso concreto semelhante, cada desastre ambiental, cada morte decorrente da ação predatória da mineração, porque no Estado de MG já está decidido o paradigma a ser adotado. 

Se vingar essa metodologia na qual para cada ação detratora ao meio ambiente autoriza-se apenas o tabelamento dos bens naturais e o pagamento do valor econômico que cada um representa, se estará, em ultima razão, minimizando ou banalizando, a culpa, as penas e as condenações contra o agente poluidor.

Nesse sentido, ao pagar pelo desastre causado e apenas isso, o empresariado se estará estimulando à ação predatória sem os devidos cuidados e obediência às Leis ambientais protetivas dos direitos e dos bens naturais.

Elcio Pacheco -  OAB-MG nº 117511


quinta-feira, 22 de julho de 2021

22 de julho - Dia Mundial contra a Mineração.


A violência é uma condição necessária para a existência do setor minerário. As mineradoras são responsáveis ​​por enormes sacrifícios humanos e ecológicos, verdadeiros crimes, em todos os continentes. Violações de direitos humanos, conflitos com e dentro das comunidades atingidas, exploração do trabalho e aprofundamento das desigualdades socioeconômicas e destruição ambiental.

“A mineração é uma das poucas indústrias que emergiu do pior da crise econômica pandêmica COVID-19 em excelente forma financeira e operacional. Na verdade, 2020 foi um ano marcante para o setor de mineração." Isso de acordo com um relatório, de junho de 2021, da PricewaterhouseCoopers PwC.*

É escandaloso saber que, em plena pandemia, as 40 maiores empresas de mineração saíram de 2020 em excelente forma financeira. O lucro líquido foi de cerca de 15%, o dinheiro em caixa aumentou 40% e a capitalização de mercado aumentou 64%. A previsão para 2021 indica que a receita subirá 29%, o EBITDA, um indicador da saúde financeira da empresa, mostrando apenas os lucros gerados através das atividades operacionais, desconsiderando possíveis empréstimos, investimentos e impostos será de 40% e o lucro líquido 68%, vai superar, segundo eles, os ganhos do ano passado.

O relatório anual, Panorama Social da América Latina 2020, da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), divulgado em março de 2021, examinou o impacto social da pandemia COVID 19. Estima que o número total de pobres aumentou para 209 milhões no final de 2020, o que é 22 milhões a mais do que no ano anterior, e a pobreza extrema aumentou 8 milhões de pessoas, isso somente em relação à America Latina e Caribe.

O setor de mineração sempre desconsidera as populações dos territórios em que está inserida e, como sempre, coloca suas vidas em risco, agindo de forma criminosa em relação às pessoas e ao meio ambiente. Viver em risco permanente é o que a realidade da mineração nos revela.

As corporações transnacionais de mineração são, historicamente, um setor ambientalmente destrutivo. Suas consequências prejudiciais associadas a conflitos sociais estão bem documentadas. 

Apesar da realidade e urgência causada pela pandemia, as mineradoras não suspenderam suas operações na maior parte do mundo. 

Como as mineradoras lucraram nesse período?

Segundo o relatório Vozes da Terra - Como a indústria de mineração global está lucrando com a pandemia COVID-19" , de junho de 2020, elaborada por várias organizações internacionais, se pode identificar um padrões de exploração, que leva ao aumento dos lucros das mineradoras, neste período de pandemia. 

O relatório identificou 4 padrões: (a) As empresas de mineração estão ignorando a ameaça real da pandemia e continuam a funcionar usando qualquer meio para este fim; (b) Governos do mundo inteiro estão tomando medidas extraordinárias para silenciar protestos legítimos e para promover o setor da mineração; (g) As mineradoras estão usando a pandemia como oportunidade para encobrir suas operações sujas e se apresentarem como salvadores preocupados com os interesses públicos; (e) Empresas mineradoras e governos estão usando a crise para promover mudanças regulatórias, que favoreçam o setor às custas das pessoas e do planeta.

A lógica do lucro rege o setor mineiro e o mesmo está sujeito a movimentos do sistema financeiro, ciclos de alta e baixa de preços das matérias-primas, que acabam por prevalecer sobre a segurança das pessoas e da natureza. Na realidade, a manutenção dos ritmos de mineração não são aqueles que estão descritos nos processos de licenciamento, mas sim aqueles ligadas à manutenção da rentabilidade das empresas e dos fluxos do mercado financeiro.

Comunidades e organizações têm lutado para defender a saúde pública e o meio ambiente contra a destruição e devastação do extrativismo minerário.

Frei Rodrigo Péret, ofm

* Pwc é uma Rede de firmas independentes presente em 158 territórios, de prestação de auditoria e asseguração, consultoria tributária e societária, consultoria de negócios e assessoria em transações. A firma está entre as 4 maiores empresas de consultoria e auditoria.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Comissão da CNBB vai ao acampamento Levante Pela Terra e reafirma solidariedade aos povos indígenas

Dom Joel Portella, secretário-geral da CNBB, fala
aos povos indígenas no acampamento Levante Pela Terra. Foto: Carol Lira/Repam-Brasil

da página do CIMI

Nesta segunda-feira (28), uma comissão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) visitou o acampamento Levante pela Terra, em Brasília, que reúne cerca de 850 indígenas de mais de 50 povos de todo o país. A comissão, acompanhada por uma representação da Rede Eclesial Pan-Amazônica – Repam-Brasil, prestou solidariedade aos povos e lideranças que, acampados há três semanas na capital federal, lutam em defesa de seus direitos.

A representação de bispos foi composta pelo secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, pelo assessor político da CNBB, padre Paulo Renato Campos, pelo arcebispo de Porto Velho e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Roque Paloschi e pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e secretário da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB, dom Vicente Ferreira. Também participaram da visita a diretora executiva da Repam-Brasil, Ir. Maria Irene Lopes, e o coordenador de articulação, Paulo Henrique Martins.

“Em nome do acampamento Levante Pela Terra, quero agradecer a presença de todos, porque sei do compromisso que a CNBB tem com os povos indígenas, acompanhando a questão da repercussão geral no Supremo e também os ataques que temos sofrido por meio de projetos de lei no Congresso”, afirmou Kretã Kaingang, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e uma das lideranças do acampamento.

“Os povos indígenas decidiram fazer essa mobilização vindos de todas as partes do Brasil, porque seus direitos conquistados na Constituição Federal estão sob forte ameaça. Eles estão colocando suas vidas em risco, devido à pandemia, mas decidiram que tem homens, mulheres, crianças, jovens, idosos, todos com o mesmo objetivo de lutar pela vida”, explicou Antônio Eduardo de Oliveira, secretário executivo do Cimi, que vem acompanhando a mobilização desde seu início.

O secretário-geral da CNBB afirmou que a ida ao acampamento representava “uma visita de irmãos” e que a enorme mobilização dos povos indígenas traz um “sinal de resistência”.
“Resistir é preciso. É preciso garantir direitos, porque se nós não somos um país que pode confiar sequer na garantia e na proteção dada por sua lei maior, onde que nós vamos parar?”, questionou Dom Joel Portella. “Vejo muitos outros grupos que sonham, lutam e precisam aprender a mesma força, coragem e resistência de vocês”.

“Não podemos deixar cair essa resistência de vocês, porque ela é o futuro. De vocês e nosso”, concordou dom Vicente Ferreira. “Nesse momento, onde os projetos de morte são muito claros e os de vida também, não tem como a gente ficar em dúvida. Deus vai exigir de nós: de qual lado vocês estiveram, da vida ou da morte? Por isso estou em paz aqui: estar com vocês é estar do lado da vida”.

A relação entre a luta indígena e o futuro – não só dos povos originários, mas da própria humanidade e da vida no nosso planeta – também foi abordada por Sônia Guajajara, coordenadora executiva da Apib, que agradeceu a presença da comissão no acampamento. 

“Nossa luta há muito tempo deixou de ser uma luta só nossa. Então, essa responsabilidade não pode ser só nossa. Todo mundo precisa entender a causa indígena como uma causa humanitária e civilizatória. E é esse chamado que temos feito, enquanto ainda há tempo. Estamos ouvindo esse chamado da Mãe Terra, mas poucas pessoas estão escutando e entendendo esses sinais”, alertou Sônia.

“Não podemos deixar cair essa resistência de vocês, 
porque ela é o futuro de vocês e nosso.”

Dom Vicente Ferreira, secretário da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB, 
manifesta apoio aos povos indígenas no acampamento Levante Pela Terra, em Brasília. 
Foto: Tiago Miotto/Cimi

O presidente do Cimi, dom Roque Paloschi, ressaltou a grande preocupação com projetos como o Projeto de Lei (PL) 490/2007,  contra o qual os povos indígenas vinham se manifestando contrariamente há semanas, e que foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

“São projetos que abrem as terras tradicionais para a monocultura, a mineração, a degradação do meio ambiente e, sobretudo, que querem retirar de vocês a única coisa que vocês têm, que são as terras, para não lhes oferecer nada, a não ser o caminho da invisibilidade e da exclusão”, denunciou dom Roque Paloschi.

“Vocês estão gritando que a vida é dom precioso de Deus e nós não podemos brincar nesta hora”, agradeceu o arcebispo de Porto Velho.

A Ir. Maria Irene Lopes, da Repam-Brasil, chamou atenção para a mobilização das mulheres indígenas em defesa de seus direitos e territórios.

“Gostaria de parabenizar todas as mulheres que estão aqui, porque são as mulheres que são a força nas comunidades, que cuidam da Casa Comum. Que vocês continuem tendo essa força, essa coragem, e contem conosco”, afirmou a integrante da Comissão Episcopal da Amazônia.

“Entramos no STF como amicus curiae e acompanhamos muito de perto o resultado, porque sabemos que aqui não está a questão deste ou daquele governo, mas uma questão de Estado, de país. Que Brasil, afinal de contas, nós precisamos, queremos e pelo qual lutaremos?”

Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho e presidente do Cimi, 
no acampamento Levante Pela Terra, em Brasília. Foto: Carol Lira/Repam-Brasil

Repercussão Geral

Em sua fala, os bispos também reforçaram o apoio da CNBB na luta em defesa dos direitos indígenas travada no Supremo Tribunal Federal (STF), que retoma, nesta quarta-feira (30),  o julgamento de repercussão geral que definirá o futuro das demarcações de terras indígenas no Brasil.

O processo trata, no mérito, de uma reintegração de posse movida pelo estado de Santa Catarina contra o povo Xokleng. O status de “repercussão geral” dado pelo Supremo ao caso significa que a decisão tomada nele servirá de referência a todos os processos, procedimentos administrativos e projetos legislativos que tratem do tema – com possibilidade, inclusive, de esvaziar projetos anti-indígenas como o PL 490, considerado inconstitucional.

A CNBB atua como “amiga da corte” – ou, no termo em latim, amicus curiae – neste processo e manifestou-se nele defendendo a proteção dos direitos constitucionais indígenas e posicionando-se contra o “marco temporal”, tese defendida por ruralistas, mineradoras e outros setores econômicos interessados na exploração das terras indígenas e que busca restringir a demarcação de terras indígenas.

“A CNBB assumiu a causa indígena praticamente desde o começo da própria CNBB. Trabalhou com outras entidades para que os artigos 231 e 232 da Constituição ali estivessem, e desde então, principalmente através do Cimi, tem procurado se fazer presente”, relembrou dom Joel Portella.

“Entramos no STF como amicus curiae e acompanhamos muito de perto o resultado, porque sabemos que aqui não está a questão deste ou daquele governo, mas uma questão de Estado, de país. Que Brasil, afinal de contas, nós precisamos, queremos e pelo qual lutaremos?”, questionou o secretário-geral da CNBB.

“Precisamos que nosso direito seja respeitado”, afirmou Brasílio Priprá, liderança do povo Xokleng. “A terra pela qual estamos lutando tem sangue do povo Xokleng. Essa é a terra que nós queremos, é a nossa terra”.

Fonte: CIMI

sexta-feira, 18 de junho de 2021

NOTA DE SOLIDARIEDADE A DOM VICENTE FERREIRA


Dom Vicente Ferreira, bispo auxiliar de Belo Horizonte e responsável pela região episcopal onde ocorreu o crime da Vale, em Brumadinho, é um profeta em nosso meio. 

Suas posições claras na defesa da vida,  principalmente dos "descartáveis", e contra "essa economia que mata" (pessoas, o  meio ambiente e a relação com um Deus amoroso) têm incomodado os arautos do moralismo e os defensores de necropolíticas que excluem, condenam,  segregam; enfim, matam.

Se por um lado Dom Vicente é atacado por servidores do deus-dinheiro e organizações religiosas fundamentalistas, como o Centro Dom Bosco, por outro, ele recebe o apoio,  a solidariedade e o afeto de milhões de cristãos comprometidos com a paz, a justiça e  a solidariedade, "para que todos tenham vida e vida em abundância".

Com Dom Vicente enfrentaremos os pseudo-profetas que, disfarçados em peles de cordeiro, propagam ódio,  mentiras,  calúnias e todo o tipo de ataque àqueles que estão ao lado dos sofredores e abandonados.

Nossa solidariedade e apoio incondicionais a Dom Vicente Ferreira e a todos/as os que lutam pela vida, igualdade,  fraternidade e paz.

Assinam:

- Movimento Nacional de Fé e Política 

- Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas 

- Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz da Arquidiocese de BH 

- Rede Brasileira de Fé e Política

- Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara 

- Iser Assessoria

- SINFRAJUPE 

- Setor Ambiental do Vicariato Episcopal para a Ação Social, Política e Ambiental da Arquidiocese de BH

- Comitê Arquidiocesano de Bioética da Arquidiocese de BH

- Pastoral Operária

- Missionários Combonianos

- Anima/PUC Minas

- CLASP - Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo

- International Movement We Are Church - São Paulo/Brasil

- Conselho Nacional de Leigos e Leigas do Brasil - CNLB

- Pastoral Universitária PUC Minas 

- NEPAC/PUC Minas

- Academia de Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de BH

- Instituto de Pastoral Vocacional

- CEFAP/ PUC Minas 

- Coletivo de Fé e Política 

- Articulação do Grito dos/as Excluídos/as de BH. 

- Movimento AMOR - Pastoral do Povo de Rua SASJT

- Cáritas Brasileira - Regional MG

- Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM)

- Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

- Movimento Mineiro de Fé e Política

- Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC MG

- Pastoral do Surdo da Arquidiocese de Belo Horizonte

- Pastoral Metropolitana dos Sem Casa - BH 

- Pastoral Carcerária - BH 

- Pastoral do Povo de Rua - BH

- Pastoral do Menor - BH

- Movimento Fé e Política -  Espírito Santo

- Movimento Fé e Política - Planalto Central (DF e Região Metropolitana)

- Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário -  Arquidiocese BH

- Comissão Justiça e Paz - Brasília

- CEBI-MG

- Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas - Grupo MG Central

- Diáconos pela Vida

- Fórum Político Inter-religioso

- Setor Social do Vicariato Episcopal para a Ação Social Política e Ambiental

- Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário (RENSER)

- Irmandade dos Mártires

- Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD)

- Sindieletro - MG

- MiDHia- Comunicação e Direiros Humanos

- Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil

- Rede Grito Pela Vida (CRB/BH)

- Coletivo Mineiro Popular

- Coletivo Vozes Maria

- MiDHia- Comunicação e Direiros Humanos

- Pastoral da Juventude da Arquidiocese de BH

- Associação Campo das Vertentes

- Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares / Minas Gerais (RENAP/MG)

- Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade AFES

- Rede Igrejas e Mineração

sábado, 5 de junho de 2021

Poluidores e Saqueadores: As raízes das crises da África.

Ao comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, WoMin, uma organização africana, de mulheres, contra o extrativismo destrutivo,  lança o primeiro de uma série de curtas-metragens de animação - Poluidores e Saqueadores: as raízes das crises da África.





Através de uma animação bonita e comovente, elas contamos uma parte da história que as comunidades rurais, camponesas e da classe trabalhadora em todo o continente africano têm enfrentado desde o início da colonização até o atual capitalismo neoliberal global. Esta é uma história de vidas e meios de subsistência interrompidos e destruídos, de catástrofe ambiental causada por indústrias extrativas irrestritas, da violência perpetrada contra pessoas pardas e negras cujas vidas são constantemente desvalorizadas, e da exploração do trabalho feminino de cuidado e violência perpetrada em seus corpos. Mas, é também uma história de resistência liderada por mulheres e comunidades que se levantam para defender as pessoas e a natureza, e apresentam uma visão diferente da África e suas idéias para uma vida diferente para seus povos livres de saqueadores e poluidores.

WoMin Alliance | Mulheres africanas se unem contra o extrativismo destrutivo

WoMin é uma organização, que concentra seus esforços no apoio a mulheres afetadas por projetos de desenvolvimento destrutivos em 13 países africanos. Trabalha com mulheres ativistas africanas e aliadas para expor os custos deste modelo de desenvolvimento atual e co-criar e promover alternativas ecofeministas transformadoras.

A visão de WoMin é de uma África em que todas as mulheres tenham acesso seguro aos recursos de que elas, suas famílias e comunidades precisam para viver e sobreviver, e uma África na qual todas as mulheres possam exercer controle total sobre seus corpos e opções de desenvolvimento.