segunda-feira, 1 de abril de 2013

Roberto Marinho, a Globo e a Ditadura Militar


Nestes dias em que o golpe militar de 1964 completa 49 anos, ‘Carta Maior’ traz a seus leitores o editorial escrito por Roberto Marinho no jornal ‘O Globo’, em 1984, em que exalta conquistas políticas e econômicas supostamente obtidas pela ditadura, assim como a própria participação de seu grupo empresarial no golpe.


Em 7 de outubro de 1984, às vésperas do fim da ditadura militar e da retomada do governo federal pelos civis, o presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, publicava um editorial no jornal ‘O Globo’ em que exaltava conquistas políticas e econômicas supostamente obtidas pela ditadura, assim como a própria participação de seu grupo empresarial no golpe de 1964. Veja a seguir a íntegra do texto assinado por Roberto Marinho.

”Julgamento da Revolução

Roberto Marinho

Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das lnstituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada. Quando a nossa redação foi invadida por tropas anti-revolucionárias, mantivemo-nos firmes e nossa posição.Prosseguimos apoiando o movimento vitorioso desde os primeiros momentos de correção de rumos até o atual processo de abertura, que se deverá consolidar com a posse do novo presidente. 

Temos permanecidos fiéis aos seus objetivos, embora conflitando em várias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir o controle do processo revolucionário, esquecendo-se de que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o Marechal Costa e Silva, "por exigência inelutável do povo brasileiro". Sem o povo não haveria revolução, mas apenas um 'pronunciamento" ou "golpe" com o qual não estaríamos solidários. 

O Globo, desde a Aliança Liberal, quando lutou contra os vícios políticos da Primeira República, vem pugnando por uma autêntica democracia, e progresso econômico e social do País. Em 1964, teria de unir-se aos companheiros jornalistas de jornadas anteriores, aos 'tenentes e bacharéis' que se mantinham coerentes com as tradições e os ideais de 1930, aos expedicionários da FEB que ocupavam a Chefia das Forças Armadas, aos quais sob a pressão de grandes marchas populares, mudando o curso de nossa história. 

Acompanhamos esse esforço de renovação em todas as suas fases. No período de ordenação de nossa economia, que se encerrou em 1977. Nos meses dramáticos de 1968 em que a intensificação dos atos de terrorismo provocou a implantação do AI-5. Na expansão econômica de 1969 a 1972, quando o produto nacional bruto cresceu à taxa média anual de 10 %. Assinale-se que, naquele primeiro decênio revolucionário, a inflação decrescera de 96 % para 12,6 % ao ano, elevando-se as exportações anuais de 1 bilhão e 300 mil dólares para mais de 12 bilhões de dólares. Na era do impacto da crise mundial do petróleo desencadeada em 1973 e repetida em 1979, a que se seguiram aumentos vertiginosos nas taxas de juros, impondo-nos , uma sucessão de sacrifícios para superar a nossa dependência externa de energia, a deterioração dos preços dos nossos produtos de exportação e a desorganização do sistema financeiro internacional. Essa conjunção de fatores que violaram a administração de nossas contas externas obrigou- nos a desvalorizações cambiais de emergência que teriam fatalmente de resultar na exacerbação do processo inflacionário. Nas respostas que a sociedade e o governo brasileiros deram a esses desafios, conseguindo no segundo decênio revolucionário que agora se completa, apesar das dificuldades, reduzir de 80 % para menos de 40% a dependência ex- terna na importação de energia, elevando a produção de petróleo de 175 mil para 500 mil barris diários e a de álcool, de 680 milhões para 8 bilhões de litros; e simultaneamente aumentar a fabricação industrial em 85%, expandir a área plantada para produção de alimentos com 20 milhões de hectares a mais, criar 13 milhões de novos empregos, assegurar a presença de mais de 10 milhões de estudantes nos bancos escolares, ampliar a população economicamente ativa de 29 milhões para 45 milhões, 797 mil, elevando as exportações anuais de 12 bilhões para 22 bilhões de dólares. 

Volvendo os olhos para as realizações nacionais dos últimos vinte anos, há que se reconhecer um avanço impressionante: em 1964, éramos a quadragésima nona economia mundial, com uma população de 80 milhões de pessoas e uma renda per capita de 900 dólares; somos hoje a oitava, com uma população de 130 milhões de pessoas, e uma renda média per capita de 2.500 dólares. 

O Presidente Castello Branco, em seu discurso e posse, anunciou que a Revolução visava? à arrancada para o desenvolvimento econômico, pela elevação moral e política". Dessa maneira, acima do progresso material, delineava-se o objetivo supremo da preservação dos princípios éticos e do restabelecimento do estado de direito. Em 24 de junho de 1978, o Presidente Geisel anunciou o fim dos atos de exceção, abrangendo o AI-5, o Decreto-Lei 477 e demais Atos Institucionais. Com isso, restauravam-se as garantias da magistratura e o instituto do habeas-corpus. Cessava a competência do Presidente para decretar o fechamento do Congresso e a intervenção nos Estados, fora das determinações constitucionais. Perdia o Executivo as atribuições de suspender os direitos políticos, cassar mandatos, demitir funcionários e reformar militares. Extinguiam-se as atividades da C.G.1 (Comissão Geral de Inquéritos) e o confisco sumário de bens. Desapareciam da legislação o banimento, a pena de morte, a prisão perpétua e a inelegibilidade perene dos cassados. Findava-se o período discricionário, significando que os anseios de liberalização que Castello Branco e Costa e Silva manifestaram em diversas ocasiões e que Médici vislumbrou em seu primeiro pronunciamento finalmente se concretizavam. 

Enquanto vários líderes oposicionistas pretenderam considerar aquelas medidas fundamentais como 'meros paliativos", o então Deputado Tancredo Neves, líder do MDB na Câmara Federal, reconheceu que a determinação governamental ?foi além do esperado". 

Ao assumir o Governo, o Presidente Flgueiredo jurou dar continuidade ao processo de redemocratização. A concessão da anistia ampla e irrestrita, as eleições diretas para Governadores dos Estados, a colaboração federal com os novos Governos oposicionistas na defesa dos interesses maiores da coletividade, são demonstrações de que o presidente não falou em vão. 

Não há memória de que haja ocorrido aqui, ou em qualquer outro país, que um regime de força, consolidado há mais de dez anos, se tenha utilizado do seu próprio arbítrio para se auto-limitar, extinguindo os poderes de exceção, anistiando adversários, ensejando novos quadros partidários, em plena liberdade de imprensa. É esse, indubitavelmente, o maior feito da Revolução de 1964 

Neste momento em que se desenvolve o processo da sucessão presidencial, exige-se coerência de todos os que têm a missão de preservar as conquistas econômicas e políticas dos últimos decênios. 

O caminho para o aperfeiçoamento das instituições é reto. Não admite desvios aéticos, nem afastamento do povo. 

Adotar outros rumos ou retroceder para atender a meras conveniências de facções ou assegurar a manutenção de privilégios seria trair a Revolução no seu ato final". 

Fonte:CARTA MAIOR

domingo, 31 de março de 2013

Terminou o FSM 2013: força da dignidade, solidariedade e articulação de lutas

A edição de 2013 do Fórum Social Mundial (FSM), terminou. O fórum foi realizado pela primeira vez na região do Magrebe, em Túnis, nos dias 26-30 março. Dois anos após a "Revolução do Jasmim", o Fórum se transformou num poio ao processo democrático na Tunísia.

A revolução na  Tunísia, que é o berço das revoltas no mundo árabe, levou ao surgimento de novos movimentos de protesto não só no norte da África e no Oriente Médio, mas influenciou também o sul da  Europa, tendo como destaque os  "indignados" na Espanha, e se espalhou até o movimento dos "occupy" nos EUA .

Além do debate sobre a situação da Primavera Árabe, outros temas também estiveram no centro dos debates. Se reafirmaram as lutas dos povos e suas organizações:

  • Contra as multinacionais e o sistema financeiro (o FMI, o BM e a OMC).
  • Pela justiça climática e a soberania alimentar
  • Contra a violência às mulheres
  • Pela paz e contra a guerra, o colonialismo, as ocupações e a militarização dos nossos territórios.
  • Pela democratização dos meios de comunicação de massa e pela construção de mídias alternativas, fundamentais para inverter a lógica capitalista. 

Destaque para os debates e painéis ligados a questão da mineração e do extrativismo, principalmente para a assembleia sobre questão da mineração. A grande preocupação dos participantes esteve voltada para os prejuízos socioambientais causados pelo crescimento acelerado da indústria extrativa. O extrativismo que não se resume só à extração de metais, mas também de petróleo, água, o extrativismo vegetal, etc...

Hoje, as grandes transacionais do setor, como a Cia Vale, do Brasil, decidem sobre o uso, manejo e gestão da natureza a partir de uma lógica capitalista predatória e desumana. Avançam sobre os territórios e terras, ameaçam a soberania alimentar, destroem as florestas, acabam com as culturas dos povos tradicionais locais, afetam o clima, dentre tanto outros impactos. Os impactos socioambientais não ficam restritos ao local da extração, mas se espalham por toda linha da cadeia que vai do local da extração, aos locais de transporte,  de beneficiamento e industrialização até o porto de exportação. 

Refletiu-se, também sobre o pós-extrativismo como conceito que se sustenta sobre a questão do inevitável esgotamento dos recursos e sobre os impactos ambientais. 

Do Fórum Social Mundial 2013, na Tunísia, fica aberto o  sentimento de encontro com o mundo árabe, sua dignidade, sua cultura, sua religião e suas lutas. Mas principalmente seu povo, seus sonhos e a busca de um mundo mais justo, fraterno e irmanado com a natureza. O Fórum se constituiu em um grande momento de solidariedade, com a revolução tunisina. Para muitos de nós, em primeiro contato com mundo árabe, foi um encontro com uma pouco conhecido, mas surpreendente. Momento de encontro real, longe dos filtros da mídia capitalista.

Nossa Delegação Internacional Franciscana se viu, com grata alegria, em meio a um povo cheio de vontade e de vida, que se orgulha de sua luta e de sua libertação. Ficarão marcados em nossos corações a vontade de um povo, movidos pelo ato de um jovem, vendedor ambulante de frutas e verduras,  Mohamed Bouazizi, de 26 anos. Esse jovem sem conseguir uma licença para trabalhar na rua, e impossibilitado de continuar pagando propinas aos fiscais, acabou por ter sua mercadoria e sua balança confiscadas. Desesperado, o rapaz ateou fogo ao próprio corpo, em frente ao palácio do ditador. 

A tragédia pessoal de Mohamed desencadeou os protestos que acabaram levando a uma onda revolucionária que envolveu toda a Tunísia e espalhou-se pelo Mundo Árabe, do Norte da África ao Oriente Médio.

A força profética, de um ato, foi a gota que faltava para derramar a força de um povo cuja dignidade não fora destruída. 
Mohamed Bouazizi o homem que despertou a "Primavera no Mundo Árabe"




sexta-feira, 29 de março de 2013

SINFRAJUPE no painel sobre espiritualidade no FSM 2013


Representando o SINFRAJUPE - Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia, e participante da delegação internacional franciscana presente no FSM 2013, Frei Rodrigo Péret foi um dos painelistas, no fórum, na Tunísia, da mesa sobre Espiritualidade, Comunidades de Fé, a Mãe Terra e a Militarização do Clima.

Frei Rodrigo falou da criminalização do movimentos sociais, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, no Brasil. Explicou que essa criminalização tem como pano fundo um conflito de valores. De um lado a vida como valor fundamental e de outro lado a economia e a mercantilização como valores instrumentais do mercado e do lucro. Hoje, disse ele, se afirma a vida como mercadoria. A expansão do capital e de investimentos de grandes corporações sobre o meio ambiente, tem como resultado a commoditização da vida. A chamada "economia verde", por exemplo, considera todas as interações que acontecem nos ecossistemas, como serviços da natureza, que devem ser valorados economicamente. Tudo se transforma em mercadoria, até mesmo os complexos sistemas e ciclos naturais formados pelas inter-relações entre os organismo vivos e não vivos, passam a ser considerados como ativos econômicos. Isso, significa, uma vez que o capitalismo não é apenas um sistema econômico e político, mas um sistema de valores, que quando os movimentos sociais, os povos indígenas e as comunidades tradicionais buscam viver ou lutam por valores diferentes, esses são tipificados pelo aparato do estado como criminosos. 

Falando mais na perspectiva das diversidade das tradições espirituais e menos das religiões, como estruturas históricas, frei Rodrigo refletiu que essas tradições nos convidam a sentir o valor relacional da vida, o valor de existência. A vida não é um bem econômico, como nos quer fazer acreditar o capital.  A natureza da qual somos parte e a dinâmica da vida, não podem ser consideradas como ativos econômicos. Nós seres humanos fazemos parte de uma enorme sócio-cultural-biodiversidade, que não pode ser guiada por mercados financeiros ou corporações. A natureza tem direito aos ciclos da vida, e portanto a sustentabilidade, que tanto falamos, deve ser da vida e não da economia.

Em nossa tradição judaico-cristã, a natureza é chamada de criação e todos somos criaturas. São Francisco, em seu senso religioso, via nas criaturas o amor, a sabedoria e o poder de Deus. O encantamento pela natureza expresso no "Cântico das Criaturas", nos coloca como criaturas em meio a outras criaturas, no seio da criação, como espaço de comunhão e comunicação, com Deus e as criaturas. A alteridade das criaturas e seu valor inter-relacional apontam para o fato de que cada elemento da natureza é revestido de dignidade e espírito. A natureza é o espaço de reconciliação, onde todos e tudo somos irmãos e irmãs, na mesma Mãe Terra.

Frei Rodrigo terminou sua fala, dizendo que falar de espiritualidade e meio ambiente, no qual está incluído o clima, numa sexta feira santa, nos leva a refletir sobre nosso Deus, que em Jesus Cristo, quis, por amor, se tornar natureza. O Criador se tornou criatura e viveu em si os limites de uma natureza finita e contingente. O Criador aceitou viver os limites naturais e o ciclo da vida. Assumiu uma condição histórica, dentro da diversidade social, cultural e biológica deste planeta. Buscou a justiça como forma de resgatar a natural dignidade de todos e de tudo.  E ao buscar reconciliar tudo em si nos convida, numa linguagem de hoje a viver a justiça ambiental. O direito da natureza à sua complexidade e equilíbrio que permitem a vida. Cabe a nós buscar na espiritualidade o senso de tudo, reler nossas fontes, nos livrarmos das contingencias históricas, que nos levaram a pensar e agir como senhores da natureza,  redescobrir o feminino gerador em Deus,  nos fazermos irmãos e irmãs de tudo e de todos. No dizer de São Francisco, nos fazermos menores.




quinta-feira, 28 de março de 2013

Crítica à economia verde no Fórum Social Mundial 2013

Continuam as atividades auto organizadas no Fórum Social Mundial 2013, na Tunísia. 

Os mecanismos de mercado com seus investimentos no chamado capital natural fazem parte da discussão crítica em várias atividades. Em relação à "economia verde", os debates giram em torno às enormes quantidades de dinheiro de especulação financeira, que buscam novas oportunidades de negócios e de lucro na natureza. Estão se formando mercados que incentivam e recompensam os serviços prestados pela biodiversidade e pelos ecossistemas. Para serem eficazes, esses mercados necessitam de infraestrutura institucional e de investimentos.

Se tratam de Mercados inventados, como o de comércio de carbono. Os chamados mercados de créditos de carbono se baseiam na ideia de que as reduções de emissões de gases, em particular o dióxido de carbono, podem se converter em mercadorias, e que é possível estabelecer um preço para elas. Essa mercadoria pode ser comprada ou vendida, criando-se assim um mercado artificial a partir da obrigação dos países de reduzirem suas emissões.

A mercantilização financeirização da natureza significa não só o crescimento da especulação, mas em termos mais gerais, o aumento do papel do mercado financeiro, dos atores financeiro e de instituições, na economia e na política econômica.

O comércio de emissões é na realidade um sistema que cria um mercado artificial, a partir  de uma mercadoria fictícia. Na realidade o que se quer é baratear os custos das empresas e dos governos deveriam ter para cumprir com os objetivos de redução de emissões. 

Por outro lado, o que esse mercado artificial realmente busca é se apropriar da biomassa, alimentando a criação de novas alianças de poder empresarial. Os principais atores incluem as grandes empresas de energia (Exxon, BP, Chevron, Shell, Total), as grades farmacêuticas (Roche, Merick), as grades empresas agroindustriais (Monsanto, Gargil, Unilever, DuPnt, Bunge, Procter &Gamble), as principais companhias químicas (Dow, Dupont, BASF), assim como o setor militar (EUA).





quarta-feira, 27 de março de 2013

Iniciaram as atividades do Fórum Social Mundial 2013

Nesta quarta feira dia 27 de março, deram início as mais de 1500 atividades auto gestionadas do Fórum Social Mundial (FSM) 2013, em Túnis. São variadas as formas com as quais os movimentos, organizações e redes que participam do fórum.  A metodologia é participativa desde os primeiros fóruns.

Além dos movimentos populares do Oriente Médio,  temas como a dignidade humana, o capitalismo, soberania alimentar, mineração, soberania dos povos, futuro dos movimentos sociais,mudanças climáticas,  fazem parte das discussões. A maior parte das atividades é organizada pelos próprios participantes, através de oficinas, painéis, seminários, conferencias,  ligados aos eixos temáticos do Fórum. Assembleias de Convergência no final são auto-organizadas e podem ser muitas. 

Neste fórum são 11 os eixos temáticos
1. Aprofundamento dos processos revolucionários e de descolonização no sul e no norte;
2. Por um mundo sem hegemonias e dominações imperialistas;
3. Pela construção de novos universalismos;
4. Por uma sociedade humana fundada nos princípios e valores da dignidade, diversidade, justiça e igualdade entre todos os seres humanos;
5. Pela liberdade de circulação e estabelecimento de todos e todas;
6. Por justiça cognitiva;
7. Pela construção de processos democráticos de integração e de união dos povos;
8. Por um mundo em paz em que não exista a guerra como instrumento de dominação econômica, política e cultural;
9. Por um mundo democrático;
10. Pela construção de alternativas ao capitalismo e à globalização neoliberal;
11. O futuro do Fórum Social Mundial.

A mudança que vive a região do Magreb / Makrech, é um dos principais desafios dessa edição. O fato do FSM 2013 se realizar em Túnis,  reforça a luta tunisina e regional a favor de um país e de uma região mais igualitária. O FSM é sempre um espaço de sinergia entre o global e o regional. Os fóruns se tornam assim um passo a mais no caminho de todos os que aspiram por "outro mundo possível”. Especialmente na busca de novas formas e novas proposições e articulações, para enfrentar os enormes desafios que a humanidade confronta hoje.

Destaque, hoje, foi a conferencia sobre: Zonas de mineração, movimentos sociais e resistências sociais frente a injustiça, aos crimes sócio ambientais das empresas das indústrias extrativas. Dentre outros expositores estava na mesa o Padre Dário, da campanha Justiça nos Trilhos, formada por uma coalizão de organizações e movimentos, que atua nos estados do Maranhão e Pará, no Brasil. A Campanha “Justiça nos Trilhos” iniciou-se ao final de
2007, por iniciativa dos Missionários Combonianos (congregação da Igreja Católica) que atuam em diversas regiões do Estado do Maranhão e contou com a rápida adesão de outros grupos e organizações, que hoje compõem a sua coordenação executiva e/ou a sua rede de ação. Justiça nos Trilhos tem por objetivo: a) Avaliar o impacto real das atividades da Companhia Vale do Rio Doce (Vale) ao longo da denominada área de influência da Estrada de Ferro Carajás; b) Propor o debate sobre a construção de mecanismos que possibilitem a internalização de recursos da Vale, de forma a alavancar o desenvolvimento sustentado das comunidades que vivem na área de influência da EFC.




terça-feira, 26 de março de 2013

Marcha de abertura do Fórum Social Mundial 2013 - Tunísia

"A mobilização Dignidade Global", marcha de abertura do FSM 2013, partiu da praça 14 de Janeiro no centro de Tunis,  onde caminharam cerca de 30 mil pessoas segundo a imprensa internacional, . Ver os  jovens árabes que derrubaram uma ditadura, e que ainda procuram derrubar a ditadura do neoliberalismo, foi a grande força da marcha.

O cortejo percorreu mais de seis quilômetros, na cidade, até o Estádio Menzah, onde chegou depois de duas horas e meia. Alí se realizou uma festa popular com discursos e show de Gilberto Gil.
No início da marcha esteva um grupo de pessoas com deficiência. A marcha tinha mais de um quilômetro.

Muitos grupos políticos locais e forças opositoras do Egito, estavam presentes, como também havia muita participação de diversas organizações palestinas. É bom lembrar que a Palestina será uma temática chave deste Fórum e é o eixo de convocação da marcha de encerramento do FSM 2013, no próximo sábado dia 30 de março.

Houve também a participação da Associação dos Tunisinos Vítimas da Migração, com mulheres vestidas de luto – as mães dos imigrantes desaparecidos especialmente na Itália. São mais de 800 jovens tunisinos mortos ou desaparecidos na tentativa de migrar para Europa, via Itália.

Marcaram presença também muitos movimentos e redes, como a  Marcha Mundial de Mulheres, Via Campesina, a, Anistia Internacional, o Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, a ATTAC, e inúmeras organizações da região.


Delegação Internacional Franciscana presente no FSM 2013, participou da marcha.


Delegação Internacional Franciscana no Fórum Social Mundial 2013 - Tunísia

Está presente, em Túnis, na Tunísia, uma delegação franciscana, para participar do FSM 2013. A delegação tem um compromisso de se envolver particularmente nas atividades ligadas às questões dos impactos da mineração, na luta contra a economia verde e na busca do "Bem Viver", Mãe Terra e tudo que diz respeito a um novo estilo de vida. Esses foram eixos de luta e trabalho, que forma assumidos por franciscanos e franciscanas, na Cúpula dos Povos, durante a Ri+20, em 2012, no Rio de Janeiro.
O Fórum Social Mundial da Tunísia, que inicia no dia 26 e vai até o dia 30 de março terá
eventos múltiplos: marchas, protestos, iniciativas de solidariedade, workshops, conferencia, seminários, reuniões e, claro manifestações culturais.

No dia 26 de maço - Assembleia das Mulheres, na parte da manhã e às 16 horas a Marcha de Abertura do Fórum.
Os dias 27, 28 e 29 de Março (manhã e tarde) serão dedicados a atividades auto-gestionadas. Estas atividades permitirão visualizar os temas abordados, compartilhados e aprofundados pelas organizações.
O formato das atividades é livre e diversificado, a partir de palestras até peças de teatro, através de debates, testemunhos, etc. Essas atividades serão realizadas em sessões de 2h30min. ou mais sessões.


O dia de 27 de Março será a oportunidade de discutir os processos revolucionários, revoltas, insurreições, guerras civis e protestos que abalaram o sistema político no Magrebe e Machereque. Essa questão será focada perspectiva da justiça social: a democracia, a justiça social, emprego, contra a corrupção, contra dilapidação de bens públicos, para o acesso à saúde e à educação, pela liberdade, pela dignidade e cidadania ... é um tempo reflexão sobre o futuro destes processos revolucionários e dos ações que abalaram a região e o mundo, será um apelo global para construir um outro mundo.


No dia 29 de março (na parte da tarde) e no dia 30 de março, será realizadas as assembleias de convergência de várias reuniões e temas. Totalmente  auto-organizadas, pelas redes, movimentos e organizações presentes, essas assembleias buscarão "ação comum", ou seja, momentos em que as organizações, redes e movimentos juntas proporão convergências  ou reforçaram a ações para construir esse outro mundo que queremos. Todos os tipos de ação podem ser considerados como uma base de trabalho destas convergências, que deve facilitar as ligações entre as diferentes redes e movimentos.
A partilha das propostas de ação dessas reuniões acontecerão durante a cerimônia de encerramento em 30 de março no período da tarde.