quarta-feira, 15 de abril de 2015

Bispos do CELAM denunciam violações de direitos humanos por mineradoras

No dia 19 de março de 2015, pela primeira vez na história da Igreja Católica, quatro bispos do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), Dom Pedro Barreto Jimeno[1]; Dom Alvaro Ramazzini[2] e Dom Roque Paloshi[3]  estiveram presentes diante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos para denunciar a violação de direitos humanos por empresas extrativas na América Latina e no Caribe.

Neste sentido, Dom Barreto disse que em países como Brasil, Equador, Honduras, México e Peru é comum a persistente irresponsabilidade das empresas e o silêncio cúmplice dos governos sobre violações dos direitos humanos e que, basicamente, o problema é "um sistema econômico que coloca o lucro acima da pessoa humana, um extrativismo sem rosto humano e sem ética". Ele também enfatizou que 80% da mineração na América Latina e no Caribe pertencem a empresas canadenses.

Enfatizou que os bispos do CELAM levaram suas propostas à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, quando a Igreja Católica levanta a necessidade de uma responsabilidade compartilhada entre as empresas e os Estados através de um diálogo sincero, porque embora não se possa dizer não ao extrativismo, é necessário ter uma visão transgeracional; ou seja, pensar nas gerações futuras, considerar quais são os estragos que  a exploração minerária vai deixar e quem vai assumi-los.

Dom Barreto disse que, embora a responsabilidade direta pela política recaia sobre o Estado, a Igreja não cessa de intervir levantando propostas a partir de sua missão evangélica, fazendo política e busca do bem comum.

Nesse sentido, os bispos do CELAM levantada na audiência da CIDH, as seguintes propostas:
· Abrir um canal permanente de cooperação
· Formação sobre normas internacionais sobre direitos humanos e dos povos indígenas e não-indígenas para os agentes pastorais, líderes comunitários e pessoas vulneráveis.
· Relatoria anual sobre ameaças e agressões a agentes pastorais da Igreja Católica e líderes sociais para garantir o engajamento dos estados em matéria de direitos humanos e dos povos indígenas.
· Partindo do princípio de responsabilidade internacional sobre a natureza e do respeito pelos direitos humanos, reparação de povos indígena e não-indígenas e meio ambiente, para as vítimas pelas consequências de indústrias extractivas.
· Não criminalizar manifestações sociais em contexto de conflitos sócio-ambientais.
· Procurar saídas pacíficas e justas em respeito à cultura e natureza.

Dom Barreto, também destacou a criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) cobrindo uma área de 6.000.000 quilômetros quadrados e uma população de 3 milhões de pessoas em nove países. Ele disse que o cardeal Claudio Humes, juntamente com o Departamento de Justiça e Solidariedade do CELAM, lideram este processo. A Rede foi apresentada em Roma, em 02 de março e tem o apoio do Papa Francisco.

A REPAM fortalece o trabalho da Igreja e "permite ter mais impacto para defender  para defender a população pobre, as culturas indígenas que têm uma riqueza impressionante, uma cultura de relacionamento harmonioso com a natureza", disse o Arcebispo de Huancayo. Ele observou que essas culturas "nos ensinam a cuidar e respeitar as vidas e os bens da criaçaão".
FONTE: Prensa CooperAcción



[1] Arzobispo de Huancayo (Perú) y Presidente del Departamento de Justicia y  Solidaridad del CELAM
[2] Obispo de Huehuetenango (Guatemala) y Presidente la Comisión de Justicia y Solidaridad de la Conferencia Episcopal de Guatemala
[3] Obispo de Roraima y miembro de la Comisión Amazónica de la Conferencia  Nacional  de  Obispos  de  Brasil  CNBB

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Fórum Alternativo "Água para Todos", na Coreia Sul

Nos dias 13 e 14 de abril um Fórum da Água alternativo ao 7º Fórum Mundial da Água de orientação corporativa, está acontecendo também na Coreia do Sul. O tema desse Fórum Alternativo é "Água para Todos"

O tema do Fórum oficial é "Água para o nosso futuro", e está acontecendo na Coreia do Sul de 12-17 abril 2015. Esse fórum é organizado pelo Conselho Mundial da Água (World Water Council), criado em 1996 e que defende a atuação do capital privado no setor e da água como bem econômico. O conselho é mantido por cerca de 300 organizações de 70 países, incluindo empresas de água, governos, instituições e associações hidrológicas. Dentre seus membros estão algumas das maiores empresas privadas de água do mundo, como as francesas Suez e Vivendi, que controlam cerca de 70% do mercado mundial de água.

O objectivo declarado do Fórum, promovido pelo Conselho Mundial da Água, que reúne as principais empresas multinacionais, é assegurar, através de criatividade, inovação e know-how tecnológico, o acesso à água para o "Nosso Futuro". Contudo esse slogan não define  de quem é esse futuro: da humanidade, de cidadãos ou do lucro das empresas que tradicionalmente promovem o Fórum?

Alternativamente, patrocinado pela Confederação Coreana de Sindicatos, Governo da União dos Empregados e Civil Society Aliança para QPS e contra a privatização,  Fórum Alternatido da Água "Água para Todos", conta a participação de representantes de redes de movimentos de luta pela água.

Enquanto isso a Prefeitura de Uberlândia participa do Fórum oficial, na Coreia do Sul. Nos parece que a agenda corporativa chama mais atenção. Contudo é fundamental lembrar que não é na agenda das multinacionais da água que vamos encontrar uma solução para a crise hídrica. Nem tão pouco será possível consolidar a água como direito humano para todos. A  água não é mercadoria é um direito humano associado a um maior empenho para a salvaguarda dos recursos hídricos como patrimônio da humanidade. 

Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, ofm


Morre o escritor uruguaio Eduardo Galeano

O escritor uruguaio Eduardo Galeano morreu em Montevidéu, sua cidade natal, aos 74 anos. Galeano, escritor e jornalista, é conhecido por seu trabalho essencial Veias Abertas da América Latina.  Trabalho lendário em tom anti-imperialista, publicado em 1971, quando a maioria dos países do continente latino americano, estavam submetidos a ditaduras. Esse livro tornou-se um “clássico libertário”, um inventário da dependência e expolição de que a América Latina tem sido vítima, desde que aqui aportaram os europeus no final do século XV. No começo, espanhóis e portugueses. Depois vieram ingleses, holandeses, franceses, e os os norte-americanos. Este cenário permanece, a mesma submissão, a mesma miséria, a mesma espoliação. 


Direito ao Delírio (Derecho al Delirio) Eduardo Galeano

Outras obras, como a trilogia "Memory of Fire" (1986), "Dias e Noites de Amor e Guerra" (1978) ou "O Livro de Abraços" (1989) foram traduzidos para mais de 20 idiomas.

Ele estava internado desde sexta-feira no Casmu 2 a causar câncer no mediastino, confirma El Pais.

Galeano nasceu em 3 de setembro de 1940 em Montevidéu e começou a escrever aos 14 anos no jornal El Sol. Em 1958, passou também a escrever crônicas de arte. Nos anos 1960, trabalhou como editor do jornal semanal Marcha e no diário Época.

Após o golpe de estado em 1973, Galeano é preso e foi forçado a deixar o Uruguai e se exilar na Argentina. Quando voltou ao seu país em 1985, ele fundou o semanário Brecha.


Galeano deixa esposa, Helena Villagra, com quem era caso desde 1976, e os filhos Claudio, Florencia e Verónica.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Dom Helder Camara é declarado “Servo de Deus” pela Santa Sé

“Eu tenho fome e sede de paz. Dessa paz do Cristo que se apoia na justiça. Eu tenho fome e sede de diálogo, e é por isso que eu corro por todos os lados de onde me acenam, à procura do que pode aproximar os homens em nome do essencial... E falar em nome daqueles que são impedidos de fazê-lo.”  (Dom Helder Camara)
Conhecido como o “Dom da paz”, o ex-arcebispo de Olinda e Recife, dom Helder Camara acaba de receber o título de “Servo de Deus”. A Congregação para a Causa dos Santos emitiu o parecer favorável autorizando o início do processo de beatificação e canonização do religioso. Em entrevista coletiva, nesta quarta-feira (8), às 9h, na Cúria Metropolitana, bairro das Graças, dom Fernando Saburido explicará como se dará os trâmites daqui para frente.
O aval da Santa Sé foi ratificado por meio de carta enviada pelo prefeito da Congregação Causa dos Santos, cardeal dom Angelo Amato, menos de dez dias depois que o responsável pelo dicastério confirmou o recebimento do pedido de abertura do processo de dom Helder Camara, no dia 16 de fevereiro. Contudo, a correspondência só chegou à arquidiocese, na última segunda-feira, (6). Durante a entrevista, dom Saburido fez a leitura do comunicado traduzido do latim para o português.
FONTE: Arquidiocese de Olinda e Recife

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Comunidades cristãs às multinacionais da mineração: "A Igreja não se deixa comprar"

Com o título "A Igreja não se deixa comprar", A rede latino-americana Igrejas e Mineração, que a dois anos vêm se articulando para enfrentar os impactos da mineração, repudiou em carta aberta, uma estratégia de cooptação do setor minerário internacional, de propor financiamento e ajuda à seminários teológicos. Leia abaixo, a carta aberta:


A Igreja não se deixa comprar
Carta aberta de Iglesias y Minería sobre a sedução das empresas mineiras

Iglesias y Minería é uma rede latino-americana de comunidades cristãs, religiosas e religiosos que, com o apoio de diversos bispos, da Red Eclesial Pan-Amazonica (REPAM), do departamento Justiça e Paz da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM) e do Consejo Latino Americano de Iglesias (CLAI), articula-se há dois anos para fazer frente aos impactos da mineração[1].

Conhecemos de perto o sofrimento de muitas comunidades e populações tradicionais, bem como as violações aos direitos ambientais e às futuras gerações provocadas pelos grandes empreendimentos mineiros em expansão em nosso continente. Trata-se de operações empresariais contra os direitos em violação da Convenção Americana de Direitos Humanos e dos princípios da ONU sobre empresas multinacionais e Direitos Humanos.

Diversos bispos e algumas conferencias episcopais em muitas ocasiões têm se pronunciado em apoio às comunidades afetadas e denunciado os conflitos provocados pelas companhias mineradoras, muitas vezes com o aval dos Estados nacionais[2].

A atuação pastoral das igrejas, ao lado das comunidades e com seus posicionamentos oficiais, tem sido eficaz para demonstrar a contradição do modelo econômico extrativista e seus danos à vida humana e ao Planeta. Da mesma forma, tem contribuído para fortalecer as populações em suas lutas e resistências, bem como na construção de alternativas.

As maiores multinacionais da mineração estão tentando organizar estratégias que se oponham a essa atuação e às denúncias. Mesmo aumentando sua presença nos territórios e junto às comunidades, as empresas não conseguiram ainda seduzir as lideranças e os moradores mais conscientes, organizados em muitos casos em torno das comunidades cristãs.

Houve então uma aproximação institucional: os altos executivos e maiores acionistas de diversas companhias mineiras solicitaram uma jornada de “retiro” no Vaticano (outubro de 2013) e um dia de reflexão em Canterbury, em encontro da Igreja Anglicana (outubro de 2014). Também nesses casos, apesar de encontrar escuta e abertura ao diálogo, não conseguiram cooptar as igrejas e garantir que abençoassem suas operações, posto que as mineradoras visam evidentemente satisfazer interesses econômico-financeiros e, na maior parte dos casos,suas declarações formais não correspondem a uma efetiva prática de escuta e respeito das comunidades nos territórios.

A terceira iniciativa sedutora foi lançada recentemente. Queremos que seja conhecida, junto a nosso mais profundo repúdio.

Denominada “Mineração em Parceria”[3], propõe-se “assistir os seminários teológicos das diversas partes do mundo para equipar melhor os pastores e os líderes da igreja para servir as comunidades afetadas pelos projetos mineiros”.Exemplifica os benefícios que essa iniciativa trará tanto às empresas como às igrejas. Propõe que as igrejas “pensem teológica, ética e liturgicamente sobre a mineração, em nível local e internacional”.

Sobre esta iniciativa, queremos expressar nossa posição:
  • Repudiamos o convite para a igreja realizar uma parceria com as empresas de mineração
    Relendo o documento redigido por ocasião do “retiro” no Vaticano, fica ainda mais claro o que as empresas entendem por essa parceria: elas se perguntam “como é que aindústria mineira pode causar uma melhor impressão?” e um empresário declara sua expectativa que “um líder de opinião da estatura da Igreja Católica (...) ajude a informar as populações anível global acerca dos progressos significativos feitos no setor da mineração”. 
  • Não é papel das igrejas convencer seus fiéis sobre a bondade de um empreendimento. 
    Também é absurdo pensar que caiba à igreja “servir as comunidades afetadas pelos projetos mineiros”.A igreja (cf. GS1) assume os dramas, as esperanças e as reivindicações dos mais pobres e das vítimas de uma economia que tende a descartar cada vez mais pessoas (EG 53) e está comprometendo definitivamente o equilíbrio da Criação.O dever das empresas, submetidas ao controle do Estado, é obter o consentimento prévio das comunidades antes de instalar um empreendimento, garantir condições adequadas para seu licenciamento, evitar danos sociais e ambientais, pagar impostos ao Estado para suas políticas sociais e multas por cada violação provocada. É fazendo isso, e não sugerindo outro tipo de financiamento ou parceria, que obterão nosso reconhecimento como atores responsáveis
  • Reconhecemos a importância do diálogo entre as comunidades cristãs e as empresas mineradoras. Estamos buscando cotidianamente esse diálogo (muitas vezes em vão) nos mais diversos contextos locais de conflito, onde as comunidades denunciam concretas violações e apresentam específicas reivindicações. É ali que deve começar o diálogo; ali mede-se a real disposição das empresas para com as comunidades. Os agentes pastorais não precisam da formação das mineradoras para exercerem com competência a mediação desse diálogo. 
  • Financiar iniciativas em conjunto com os seminários teológicos parece-nosuma estratégia para cooptar a igreja, utilizá-la embenefício dos interesses das mineradoras e dividi-la, enfraquecendo seu papel de “advogada da justiça e defensora dos pobres” (Papa Francisco[4]). As empresas, em lugar de destinar dinheiro para reparar todos os danos denunciados pelas comunidades, investem em projetos de propaganda ou em atividades que visam apoiar economicamente lideranças de movimentos sociais, sindicatos ou pastorais, com o evidente objetivo de reduzir a crítica não através da mudança, mas sim pela cooptação de quem a levantou. 
Convidamos, portanto, o Pontifício Conselho Justiça e Paz, as conferências episcopais, as igrejas irmãs reformadas, os teólogos/as, as organizações cristãs empenhadas na defesa das comunidades afetadas por violações dos direitos socioambientais e as pessoas de boa vontade a manifestar conosco seu repúdio por mais essa iniciativa de cooptação das grandes companhias mineradoras.

Continuaremos humilde e persistentemente nosso acompanhamento às comunidades: é nelas e por elas, cada vez mais conscientes, protagonistas e enraizadas na defesa de seus territórios, que vem se construindo o Reino de Deus.

Iglesias y Minería, abril de 2015.

Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade - AFES -
Agenda Latinoamericana Mundial
AmerindiaColombia y Continental
Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo – ASETT -
Associação Madre Cabrini, Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus – Brasil
AsociaciónMenonita para Justicia, Paz y AcciónNoviolenta -JUSTAPAZ-
Caritas de El Salvador, El Salvador
Caritas Jaén, Perú
Centro de Ecología y Pueblos Andinos -CEPA-  Oruro Bolivia
Centro de Justicia y Equidad -CEJUE- Puno, Perú
Centro Franciscano de Defesa dos Direitos, Brasil
Claretianos San José del Sur, Uruguay, Paraguay y Chile
Coalición Ecuménica por el Cuidado de la Creación, Chile.
Consejo Latinoamericano de Iglesias - CLAI-
Consejo Mundial de Iglesias, Justicia Climática -CMI-
Conselho Indigenista Missionário -Brasil-
Coordinación Continental de Comunidades Eclesiales de Base
Comissão Verbita, JUPIC- Amazonía.
Comitê em Defesa dos Territórios frente à Mineração, Brasil.
Comunidades Construyendo Paz en los Territorios - Fe y Política -Conpaz- Colombia.
Comisión Intereclesial Justicia y Paz -Colombia-
Comissão Pastoral da Terra -CPT- Brasil.
Comunidades de Vida Cristiana -CVX-
Comunidades Eclesiales de Base, ColectivoSumajKausay, Cajamarca, Argentina.
Coordinación Continental de Comunidades Eclesiales de Base.
Coordinadora Nacional de Derechos Humanos, Perú.
CPT Diocese de Óbidos, Pará, Brasil.
Derechos Humanos Sin Fronteras, Perú.
Derechos Humanos y Medio Ambiente de Puno -DEHUMA-, Perú
Diálogo Intereclesial por la Paz en Colombia, DIPAZ, Colombia
Diocesis de Copiapó- Alto del Carmen- Chile
Diocese de Itabira- Fabriciano Minas Gerais, Brasil
Dirección Diocesana Cáritas  de Choluteca, Honduras
Equipe de Articulação e Assessoria as Comunidades Negras do Vale do Ribeira, EAACONE, Brasil.
Equipo Investigación Ecoteología, Universidad Javeriana, Bogotá.
Equipo Nacional de Pastoral Aborigen, ENDEPA, Argentina.
Franciscans International.
Hermanas de la Misericordia de las Américas, Argentina.
Iglesia Evangélica Presbiteriana de Chigüinto, Chile.
Irmãos da Misericórdia das Américas Juventude Franciscana do Brasil – JUFRA-
Justiça, Paz e Integridade da Criação Verbitas - JUPIC SVD - Província BRN
Mercy International Association at the UN
Mesa Ecoteológica Interreligiosa de Bogotá D.C. – MESETI -
Misioneros Claretianos  Centro América y San José del Sur, Argentina
Misioneros Combonianos, Brasil e Ecuador
Movimento dos Atingidos por Barragens no Vale do Ribeira -MOAB- Brasil.
Observatorio de Conflictos Mineros de América Latina -OCMAL-
Oficina de JPIC OFM, Roma.
Oficina de JPIC Sociedad Misionera San Columbano, Chile
Orden Franciscana Seglar, Uruguay
Organización de Familias de Pasta de Conchos,  México
Pastoral de Cuidado de la Infancia, Bolivia
Pastoral Indígena, Ecuador
Pastoral Indigenista  de Roraima -Brasil-
Pastoral Social Cáritas Oruro, Bolivia
Pastoral Social Diócesis de Duitama Sogamoso, Boyacá, Colombia
Pastoral Social Diócesis de Pasto, Nariño, Colombia
Radio el Progreso Yoro-ERIC-  Honduras
Red de Educación Popular de América Latina y el Caribe de las Religiosas del Sagrado Corazón
Rede de Solidariedade Missionárias Servas do Espírito Santo, Brasil
Red Muqui, Perú
Red Regional  Agua Desarrollo y Democracia, Piura, Perú
Secretariado Diocesano de Pastoral Social, Garzón Huila, Colombia
Servicio Internacional Cristiano de Solidaridad Oscar Romero -Sicsal- 
Servicio Interfranciscano de Justicia, Paz y Ecología -SINFRAJUPE-, Brasil.
Servicio Internacional Cristiano de Solidaridad con América Latina, Oscar Romero, -SICSAL-
Servicios Koinonia
Vicaría de la Solidaridad, Oficina de Derechos Humanos, Jaén, Perú.
Vicariato Apostólico San Francisco Javier, Jaén, Perú.
VivatInternational.




[1] Anexamos o documento final do último encontro ampliado de Iglesias y Minería, realizado em dezembro de 2014 em Brasília, com a presença de cerca 100 representantes das comunidades impactadas em América Latina e parceiros da América do Norte e da Europa.
[2] Encontra-se na biblioteca do Observatorio de Conflictos Mineros enAmerica Latinauma resenha dos mais recentes documentos das igrejas de Canadá, Brasil, Argentina, Perú e do próprio CELAM sobre esse tema:http://www.conflictosmineros.net/?Itemid=203
[3] Anexamos o documento com a proposta completa, que foi recebida por algumas de nossas congregações religiosas em março de 2015.
[4] Discurso às comunidades de Rio de Janeiro, julho de 2013.

domingo, 5 de abril de 2015

Feliz Páscoa!!!!

Estamos felizes, não porque tenha desaparecido a miséria, a injustiça, nem cessado a dor e a indiferença, mas porque sabemos que é possível vencê-las e transformá-las em vida e alegria. 

Cristo vive, venceu a morte !!!! Sabemos que nós mesmos podemos faze-lo. Se queremos encontrar o Cristo ressuscitado, o encontraremos em uma religião viva e cheia de amor, 
Feliz Páscoa!!!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Diálogo em um Mundo Plural - FSM2015

Com o tema Dignidade e Direitos, dezenas de milhares de pessoas se reuniram em Tunis, na Tunisia, nos dias 24 a 28 de março, para a realização do Forum Social (FSM) 2015. O Forum retornou à Tunisia, como forma de se solidarizar com uma sociedade que está mostrando um período de sucesso na construção de sua democracia. Contudo, o FSM2015 teve seu início cinco dias após o ataque terrorista que matou 22 pessoas. 

No contexto global, o Forum aconteceu em um ano particularmente crítico, em termos de decisões na comunidade internacional. Em 2015, duas grandes questões estão na agenda das Nações Unidas: a primeira em setembro, nos dias 25-27, quando acontecerá a Cúpula das Nações Unidas para a adopção da agenda de Desenvolvimento pós-2015 (que substitui os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio que termina agora em 2015), em Nova York, convocada como uma reunião plenária de alto nível da Assembleia Geral; e a segunda, será a Conferencia das Nações Unidas sobre Clima, a COP21, em Paris, no mês de dezembro, nos dias 30 de dezembro à 12 de novembro. É um momento critico, porque  se trata de questões fundamentais para humanidade: o desenvolvimento e o clima. Essas questões implicam na necessidade de pressão e participação da sociedade civil mundial, uma vez que o sistema ONU está cada vez mais capturado pelos interesses das corporações transnacionais.

Desenvolvimento e clima são duas questões interconectados. As mudanças no clima  estão intrinsicamente ligadas ao modelo de desenvolvimento hegemônico baseado na acumulação privada dos bens comuns e no crescimento econômico a todo custo, em nosso planeta, que é o capitalismo. A população começa notar essa ligação de uma tal maneira que se expressa em um dos slogans, da sociedade civil, para a conferencia do clima em Paris: “Mudemos o Sistema e não o Clima!”

Desde 2001, quando da primeira edição do FSM, em Porto Alegre, passaram-se 14 anos. A nossa sociedade global está cada vez mais injusta e a vida no planeta cada vez mais ameaçada. Segundo dados da Oxfam International, a desigualdade na distribuição da riqueza é tão grande que as 85 pessoas mais ricas do mundo possuem mais do que 3,5 bilhões de seres humanos. Esse modelo de sociedade cria uma sempre maior distancia entre riqueza e pobreza, gerando desigualdades sociais profundas que impactam na natureza. Ao analisarmos o quanto do planeta que está sendo utilizando para manter nossos hábitos de consumo, chegamos à conclusão que o tempo que o planeta precisa para conseguir se recuperar é cada vez maior. Isso  que significa que o meio ambiente começa a impor limites ao modelo de reprodução capitalista. Fica, então, o desafio de conjugar justiça social com justiça ambiental, essas fazem parte de uma mesma luta.

Ao longo desses 14 anos de FSM, representantes de JPIC (Justiça, Paz e Integridade da Criação) da Família Franciscana estivemos presentes e participando de suas atividades e articulações. Nesse FSM2015 nós participamos em colaboração com outras redes da sociedade civil internacional, como a Treaty Alliance (Aliança pelo Tratado), da qual fazemos parte. Essa rede já há alguns anos vem lutando para que o Conselho dos Direitos Humanos da ONU desenvolva um tratado vinculante sobre as violações dos direitos humanos cometidas pelas corporações transnacionais. No ano passado essa proposta foi apresentada pelo Equador, na reunião do Conselho e foi aprovada. Agora estamos organizados para participar e influenciar no processo de redação desse tratado. 
Com a "Aliança pelo Tratado" promovemos duas oficinas: 

Na  quarta-feira dia 25 de Março, 15:00-17:30, na sala R 107, realizamos uma oficina, com o tema: “Juntando-se ao movimento global para um tratado sobre direitos humanos e a atividade empresarial: uma sessão de informação e estratégia pelo Tratado de Aliança”. O objetivo foi o de informar e envolver grupos organizados na estratégia de defesa e planejamento para as ações. A prioridade é a construção de alianças. Da delegação franciscana, Francesca Restifio de Franciscans International, participou da mesa de debates.

Na quinta-feira dia 26 de Março, 15:00-17: 30 realizamos na Faculdade de Direito, na sala de conferencias uma oficina, com o tema: “Parando abusos de direitos humanos e trabalhistas pelas empresas: Novos desenvolvimentos na regulamentação internacional e nacional”. O objetivo foi o de sensibilizar e incluir de novos grupos, compartilhando experiências e estratégias, mostrando como um tratado pode ajudar, iniciativas nacionais e regionais. Da delegação franciscana, Frei Rodrigo, participou da mesa de debates.

Outras duas atividades foram organizadas junto com as redes “Igrejas e Mineração”, “Diálogo dos Povos”, essa última é uma rede de organizações e movimentos sociais da África-Subsaariana e América Latina, e com a CIDSE. Foram as seguintes:

Na  quarta-feira dia 25 de Março, 15:00-17:30, no anfiteatro AA, realizamos a oficina com o tema: “Mineração, Territórios e Mudanças Climáticas”. O objetivo foi o de fortalecer e ampliar a articulação de organizações e movimentos rumo a COP21 e depois. Também foi o de criar uma estratégia para colocar a questão da mineração no âmbito das lutas em relação à COP21. Da delegação franciscana, Frei Rodrigo coordenou a oficina.

Na sexta-feira dia 27 de Março, 15:00-17: 30, na sala SP19, realizamos a oficina com o tema: “Igrejas Cristãs e Mineração”. O objetivo foi de aprofundar a reflexão sobre a necessidade de articular as bases das igrejas cristãs e ampliar a rede "Igrejas e Mineração". Da delegação franciscana, Frei Rodrigo  e Moema participaram da mesa de debates.

Os temas dessas oficinas são interligados. As atividades da mega mineração tem violado direitos humanos e impacta no meio ambiente. De um lado as violações dos direitos humanos cometidas pelas empresas mineradoras precisam ser controladas e essas empresas tem de respeitar os direitos humanos. Elas tem de compensar e remediar os impactos dessas violações. Temos de fortalecer a criação de um instrumento legal, um tratado internacional que considere legalmente responsáveis as empresas por suas violações aos direitos humanos. Por outro lado a mineração impacta no planeta, e no clima. É urgente reverter o modelo extrativo predatório e buscar o que é realmente necessário em termos de extração. As comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores e as populações atingidas pela mineração precisam se organizar para enfrentar esse desafio e terem o direito de decidir sobre seus territórios.

Como resultado das oficinas ligadas à mineração, a delegação franciscana se reuniu com organizações dos países da África-subsaariana, no âmbito da rede “Diálogo dos Povos” e traçamos uma agenda comum, rumo à COP21. Essa agenda visa a realização no mês de agosto, de um seminário na África do Sul, para aprofundar e criar uma visão comum sobre os desafios ligados à mineração. Ficou claro que a diversidade do mundo está demandando conectividade considerando  a múltipla diversidade, em que vivemos em nosso planeta: multicultural, multiétnica, múltiplas formas de expressão e vivência da fé.

Esse seminário, em agosto, terá como objetivo integrar os conhecimentos dos movimentos sociais, das comunidades e buscar aprofundar conceitos novos. Partilhar a diversidade de experiências, vivências, lutas e conhecimentos. Buscar superar a separação existente entre os movimentos sociais, que muitas vezes estão organizados de forma temática. Ver que as lutas são importantes e que a integração de agendas, para uma construção comum de soluções e alternativas, é muito importante. Ninguém sozinho tem como carregar sua própria agenda, não importa quão importante seja a sua agenda de luta. Aprofundar uma visão comum na perspectiva da fé, que possa ajudar na criação de uma nova narrativa.

Nesse FSM ficou claro que precisamos de afirmar e fortalecer as nossas alternativas em relações às falsas soluções que estão sendo propostas pelo mercado, tanto no âmbito do desenvolvimento como no âmbito climático. Os desafios estão se globalizando de uma forma intensa e os problemas são os mesmo pelo mundo a fora. Estamos em busca de alternativas, mas não só de alternativas em relação à sistemas políticos, mas também em relação à modos de vida. Aqui a espiritualidade franciscana tem uma contribuição para essa construção e diálogo. O “Cântico das Criaturas” de São Francisco de Assis é uma cosmovisão que dialoga com as culturas de diferentes povos e aponta para sociedades mais integradas com o planeta. Como disse São Francisco:  A “Terra” nos sustenta e governa. Na perspectiva da espiritualidade franciscana, a "Terra" é ao mesmo tempo Irmã e Mãe. Com esse sentido vamos rumo a COP21 e na articulação em relação à mineração e mudanças climáticas. Agora estamos preparando nossa presença de franciscanos e franciscanas de JPIC, em Paris, na COP21, junto com a sociedade civil internacional.
Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, ofm