sexta-feira, 18 de maio de 2018

Início do Encontro Nacional do MAM

Mais de 1.500 pessoas in Parauapebas (PA)
Entre os dias 18 e 21 de maio, o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) realiza sua reunião nacional no Centro Comunitário de São Sebastião, em Parauapebas, no estado do Pará, Brasil.

Mais de 1500 pessoas participam do encontro, vindas de 15 estados brasileiros que estão enfrentando conflitos de mineração e de mais de 70 cidades de mineração. Charles Trocate, chefe do MAM no Pará, fala sobre a importância do evento. "Receberemos pescadores, quilombolas (comunidades afrodescendentes), indígenas e ribeirinhos, neste grandioso evento. Todos são afetados pela mineração ou são contra a instalação de projetos de mineração em suas regiões. O objetivo deste encontro é: nacionalizar a luta contra os problemas de mineração neste país ".

O evento também conta com a participação de delegações internacionais, entre outras da África do Sul, Peru, Colômbia, Bolívia e Holanda.

O geógrafo britânico David Harvey, em recente visita ao Brasil, mostrou apoio ao movimento e ao encontro no Brasil.

"Em toda a América Latina há problemas com o extrativismo, por isso é muito importante construir um movimento como este, que combata essa espoliação desenfreada."

Para maiores informações:
Maria Julia +55 31 98511 7347

Todos os bispos chilenos apresentam demissão, aguardam decisão do papa

Reunidos em Roma, os Bispos voltam para suas Dioceses e esperam do Papa a aceitação ou não de cada renuncia pedido.  Francisco realizou três dias reunião depois que o Vaticano descobriu um encobrimento sistemático de abusos no Chile. Alguns Bispos estavam envolvidos na destruição de documentos. Outros realizaram investigações superficiais sobre abusos e movido abusadores acusados para escolas ou paróquias, eles ainda tinham acesso a crianças. O Papa inicilamente defendeu um Bispo Chileno. Mas depois das investigações do Vaticano, Francisco pediu desculpas aos sobreviventes e pediu para encontrar com os Bispos pessoalmente. O Papa escreveu uma carta contundente aos Bispos chilenos criticando-os por um encobrimento sistemático dos abusos. 

Francisco, na carta de convocação das reuniões que ocorreram Vaticano, escreve relata sobre  "O recebimento, na semana passada, dos últimos documentos que completam o relatório que os meus dois enviados especiais ao Chile me entregaram a 20 de março de 2018, num total de mais de 2.300 páginas". O Papa anteriormente havia recebido em Roma as vítimas e seus famíliares. 

Bispos chilenos colocam nas mãos do Papa seus cargos pastorais

"Todos os bispos presentes em Roma, por escrito, colocaram as nossas posições nas mãos do Santo Padre para que ele decida livremente em relação a cada um de nós": foi o anúncio dos bispos chilenos depois de discernir na presença de Deus "a responsabilidade de todos e cada um"pelos feridas devastadoras causadas às vítimas de abuso, bem como pelo"estudo de mudanças adequadas e duradouras que impedem a repetição de atos sempre repreensíveis", como o Papa expressara na carta de convocação das reuniões que ocorreram no Vaticano.

Os prelados do episcopado sul-americano fizeram uma declaração à imprensa comunicando os resultados dos três dias de discernimento, oração e conversações com o Santo Padre Francisco, que, por sua vez, conforme anunciado pela Assessoria de Imprensa da Santa Sé no comunicado de imprensa no sábado, 12, "não fará qualquer declaração antes, durante ou após as conversações", mas entregou uma carta aos bispos, tornada pública após a última reunião da tarde de quinta-feira, na qual ele agradeceu ao disponibilidade manifestada "aderir e colaborar em todas as mudanças e resoluções" necessárias para restaurar a justiça e a comunhão eclesial, para implementar "a curto, médio e longo prazo".


O Bispo de San Bernardo Dom Juan Ignacio González Ezzáruriz leu na conferência de imprensa, em espanhol, a conclusão a que chegaram os bispos, a que nos referimos a seguir:

Depois de três dias de reuniões com o Santo Padre, e muitas horas dedicadas à meditação e oração, seguindo suas instruções, os Bispos do Chile desejam comunicar o seguinte:


Em primeiro lugar, agradecemos ao Papa Francisco pela sua escuta paterna e pela sua correção fraterna. Mas, especialmente, queremos nos desculpar pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao povo de Deus e ao país por nossos graves erros e omissões.

Agradeço também a Monsenhor Scicluna e ao Rev. Jordi Bertomeu pela dedicação pessoal e pastoral, bem como pelo esforço investido nas últimas semanas para tentar curar as feridas da sociedade e da Igreja de nosso país.

Graças às vítimas, por sua perseverança e coragem, apesar das enormes dificuldades pessoais, espirituais, sociais e familiares que tiveram que enfrentar, tantas vezes em meio à incompreensão e aos ataques da própria comunidade eclesial. Mais uma vez, imploramos seu perdão e sua ajuda para continuar avançando no caminho da cura e cura de feridas.

Em segundo lugar, queremos anunciar que todos os bispos presentes em Roma, por escrito, colocaram as nossas posições nas mãos do Santo Padre para que ele decida livremente em relação a cada um de nós.

Nos colocamos a caminho, sabendo que esses dias de diálogo honesto foram um marco em um processo de profunda mudança, liderado pelo Papa Francisco. Em comunhão com ele, queremos restaurar a justiça e contribuir para a reparação dos danos causados, para re-impulsionar a missão profética da Igreja no Chile, cujo centro deve estar sempre em Cristo.Ci

Queremos que o rosto do Senhor brilhe novamente em nossa Igreja e nos comprometemos com isso. Com humildade e esperança, pedimos a todos que nos ajudem a percorrer este caminho.

Seguindo a recomendação do Santo Padre, imploramos a Deus que nestas horas difíceis e esperançosas, nossa Igreja seja protegida pelo Senhor e Nossa Senhora do Monte Carmelo.

Los obispos de la Conferencia Episcopal de Chile en Roma

Fonte: Vatican Insider  Iglesia.cl (Conferencia Episcopal Chile) 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Vitórias na Vitória da conquista dos sem teto na Ocupação Elisson Prieto em Uberlândia MG

Quando os sem teto vencem na luta por espaço urbano, a vitória não é uma, mas são várias, em um mesmo espaço. Na vida dos sem teto, em Uberlândia, após a vitória em relação à terra que ocupam e vivem, hoje, foi a vez da vitória em relação à energia e luz, que já tinham de forma precária desde os primeiros meses da ocupação.

Neste 15 de maio, em Uberlândia, o governador Fernando Pimentel, assinou convênio com a CEMIG, diante de milhares de lutadores e lutadoras sem teto do MTST, para implantação de rede elétrica oficial na área ocupada, bairro Elisson Prieto. É bem verdade, que durante o  processo de luta, foi feito um acordo (uma pequena vitória) entre os sem teto e a CEMIG, em relação à rede informal e popular que as famílias ali construíram. Agora, saem os postes de eucalipto e os fios, comprados e instalados com o suor e recursos, força e esperança, dos que queriam seu sonho e vidas iluminados e entra oficialmente, o direito de energia e luz. Aquilo que de forma cidadã as famílias já haviam implantado, vence e se renova. Mais uma vitória dentro da Vitória do acesso a terra. Seguirão outras ...

A área Glória, que pertencia à Universidade Federal de Uberlândia (UFU), localizada às margens da BR-050, ocupada há mais de seis anos por 2.350 famílias de sem-teto, passa por um processo de regularização fundiária conduzido pela Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais – COHAB. É a vitória que consolida a urbanização criada pelos sem terra. O arruamento, os lotes e área reservada para equipamentos públicos e area verde, a rede popular de energia, luz e água, foram implantadas pelas famílias, de forma comunitária e em mutirão. Sempre atentos aos cóigos de postura do município. Uma grande diversidade de casas em alvenaria, fruto das economias desses sem teto, fazem da área, mais do que um assentamento/acampamento, mas sim um verdadeiro bairro. A cada passo da regularização mais vitórias da luta de um povo organizado, que conduz com suas próprias mãos e organização, uma política pública social de moradia, na cidade, junto com o Estado, a COHAB.

O processo foi longo, o Governo do Estado de Minas Gerias, através da COHAB, para solucionar a questão, assumiu as negociações, entre os sem teto (MTST), a UFU proprietária da área e o Ministério Público Federal.  O resultado da luta e das negociações encontrou solução pacífica. No final do ano de 2017, uma decisão do Conselho Universitário - CONSUN, passou a área para a COHAB, que agora em parceria com os sem teto realiza a regularização fundiária urbana.

A Universidade, teve a sensibilidade social de considerar a injustiça social como a causadora da realidade dos que lutam por teto e chão, ocupando vazios urbanos, áreas que não cumprem sua função social. O governo estadual optou por usar sua estrutura pública não para promover a violência através de despejo, mas sim para garantir o direito constitucional à moradia. O Ministério Público Federal concluiu pela justeza do processo e de sua importância social.

Os sem teto conscientes de que não existe política urbana que contenha os avanços do capital imobiliário, ocupam os vazios urbanos. Lutam contra a lógica do mercado imobiliário que impede ao povo o acesso à moradia e buscam fortalecer as políticas públicas de urbanização democrática e de habitação de interesse social. A grande vitória da luta e negociação dos sem teto foi fazer com que os órgãos públicos reconhecessem como valor maior o direito à vida. Qual é, afinal de contas, a melhor função social que pode cumprir a área do bairro Elisson Prieto? O reconhecimento e a regularização das moradias das famílias que lá vivem.

A vitória dos sem teto do Bairro Elisson Prieto é a reforma urbana construída a partir da iniciativa do povo da periferia. As ocupações de terras improdutivas, constroem o espaço urbano como solidário e democrático. A luta pelo direito à cidade e pela efetividade dos mecanismos de controle urbano do capital, vai ganhando força, através das ocupações dos sem teto. 

Vitória, tantas vitórias, quando se luta pelo direito à vida, à cidade, à cidadania plena, na defesa da democracia e da dignidade.
Frei Rodrigo Péret, ofm

domingo, 13 de maio de 2018

Comunicado MST: 32 sem terra foram libertados em MG

TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA DO MST RESISTEM A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS. 

Informamos a toda rede de solidariedade construída neste domingo (13) , que os trabalhadores detidos hoje em Iturama/MG. Foram liberados e não responderão as acusações injustas de cárcere privado e sequestro, em uma tentativa de criminalizar o movimento de trabalhadores rurais sem terra que luta pela reforma agrária. 

Seus pertences ainda estão com a PM, mas medidas estão sendo tomadas para acompanhamento destes trabalhadores e trabalhadoras. A rede de solidariedade, as denúncias realizadas e articulação construída para assegurar os direitos das famílias foram fundamentais para a liberação dos trabalhadores e trabalhadoras do MST. 

LUTAR POR REFORMA AGRÁRIA POPULAR!

Na manhã deste domingo dia das Mães, Trabalhadores rurais sem terra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram detidos e conduzidos de maneira ilegal, arbitrária e injusta pela PMMG. Após ocuparem as terras improdutivas da fazenda Barreiro no Município de Limeira do Oeste/MG, construírem suas habitações e equipamentos coletivos como cozinha comunitária. Foram surpreendidos por policiais despreparados em uma ação ilegal. As famílias, que já haviam fixado habitação e davam passos importantes para a constituição de uma comunidade, foram detidas por crime de cárcere privado, sem provas. Foi movido efetivo policial de vários municípios da região para a desocupação forçada, sem ordem para a reintegração de posse. A ação da PMMG esta carregada de irregularidades e ocorreu de maneira tendenciosa, optando por defender o latifúndio improdutivo e violando direitos básicos de famílias de trabalhadores rurais sem terra. Após a detenção 28 trabalhadores e 4 trabalhadoras rurais foram levados para o quartel da polícia militar em Iturama – MG e lá seguiram violações aos direitos destes trabalhadores. Ao serem levados para a 04 delegacia da polícia civil de – Iturama/MG foi negado o pedido de contato com familiares e advogados, durante toda a tarde advogados e defensores de direitos humanos tentaram contato com a referida DP, sem sucesso. 

MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Teto

Nota do MST: 32 sem terra presos arbitrariamente no Pontal do Triângulo Mineiro (MG)

Em ação conjunta, no muncípio de Limeira do Oeste, no Pontal do Triângulo Mineiro (MG) militares realizaram um cerco e efetuam a prisão de 28 sem terra. Os trabalhadores pertecem ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e foram encaminhados para a cidade de Iturama, ficando à disposição da justiça. A fazenda Barreiro havia sido ocupada no sabado (12).


NOTA DO MST

Na manhã deste domingo (13) dia das Mães, Trabalhadores rurais sem terra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram detidos e conduzidos de maneira ilegal, arbitrária e injusta pela PMMG. Após ocuparem as terras improdutivas da fazenda Barreiro no Município de Limeira do Oeste/MG, construírem suas habitações e equipamentos coletivos como cozinha comunitária. 

Foram surpreendidos por policiais despreparados em uma ação ilegal. As famílias que ali já haviam fixado habitação e que davam passos importantes para a constituição de uma comunidade, foram detidas por crime de carcere privado, sem contar com provas. 

Foi movido efetivo policial de vários municípios da região para a desocupação forçada, sem ordem para a reintegração de posse. 

A ação da PMMG esta carregada de irregularidades e ocorreu de maneira tendenciosa, optando por defender o latifúndio improdutivo e violando direitos básicos de famílias de trabalhadores rurais semterra. 

Após a detenção 28 trabalhadores e 4 trabalhadoras rurais foram levados para o quartel da polícia militar em Iturama – MG e lá seguiram violações aos direitos destes trabalhadores. 

Ao serem levados para a 04 delegacia da polícia civil de – Iturama/MG foi negado o pedido de contato com familiares e advogados, durante toda a tarde advogados e defensores de direitos humanos tentaram contato com a referida DP, sem sucesso. Agora esses trabalhadores se encontram detidos na delegacia, sem se alimentar, em condições precárias. 

LIBERDADE AOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA!!!

MST Movimento dos Trabalhadores Rutrais Sem Terra

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Ditadura Militar, execução e tortura como política de Estado

O ex-ditador general Ernesto Geisel aprovou pessoalmente a execução sumária dos supostos opositores do regime, de acordo com um memorando da CIA que reabrindo um debate necessário sobre um dos capítulos mais sombrios da história contemporânea brasileira.

Desde o fim da ditadura militar, torturas e assassinatos foram tratados como ações de agentes especiais que agiram por conta própria - sem o conhecimento de seus superiores. Esse memorando é uma evidência material de que essas ações não só eram sistemáticas, mas faziam parte da política do Estado.

Um memorando do diretor da CIA, William Egan Colby, datado de 11 de abril de 1974, e endereçado ao secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger, relata uma reunião , do dia 30 de março de 1974, entre os generais  os generais Milton Tavares de Souza e Confucio Danton de Paula Avelino ambos na época do Centro de Inteligência do Exército,  o general João Batista Figueredo então chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) e o general Geisel. 

De acordo com esse memorando o general Milton Tavares, disse que o Brasil não poderia ignorar a "ameaça terrorista e subversiva", que os métodos "extra-legais deveriam continuar a ser empregados contra subversivos perigosos" e que, no ano anterior, 1973, 104 pessoas "nesta categoria" tinham sido sumariamente executadas pelo Centro de Inteligência do Exército".

Neste memorando da CIA, Geisel determina a continuação de execuções sumárias de opositores do regime : “Em 1º de abril, o presidente Geisel disse ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que muito cuidado deveria ser tomado para assegurar que apenas subversivos perigosos fossem executados. O presidente e o general Figueiredo concordaram que quando o CIE prender uma pessoa que possa se enquadrar nessa categoria, o chefe do CIE consultará o general Figueiredo, cuja aprovação deve ser dada antes que a pessoa seja executada”.

A Agencia Central de inteligência dos Estados Unidos (CIA, em janeiro de 2017, suspendeu o sigilo sobre 11 mil documentos relativos ao Brasil. Esses documentos que estavam classificados foram produzidos entre as décadas de 1940 e 1990 e fazem parte dos 13 milhões de documentos que a CIA escolheu para desclassificar na época.

O pesquisador,  professor de Relações Internacionais, Matias Spektor, da Fundação Getulio Vargas (FGV), revelou esse documento, na quinta-feira dia 10, no site Opera Mundi.

A Comissão Nacional da Verdade, revelou o tamanho da tortura e da repressão,e  listou 434 pessoas executadas ou que desapareceram durante a ditadura. Mas, que ninguém foi processado por crimes cometidos sob o regime ditatorial militar brasileiro de 1964 a 1985.

Segue tradução do texto do memorando, publicado no site da Carta Capital:

Memorando do diretor da Agência Central de Inteligência Colby para o secretário de Estado Kissinger
Washington, 11 de abril de 1974.
Assunto: Decisão do presidente brasileiro Ernesto Geisel de continuar a execução sumária de subversivos perigosos sob certas condições
1. [1 parágrafo (7 linhas) não desclassificado]
2. Em 30 de março de 1974, reuniu-se presidente do Brasil, Ernesto Geisel, com o general Milton Tavares de Souza (chamado de general Milton) e o general Confúcio Danton de Paula Avelino, respectivamente o chefe que sai e o que entra do Centro de Informações do Exército (CIE). Também esteve presente o general João Baptista Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI).
3. O general Milton, que falou durante a maior parte do tempo, detalhou o trabalho da CIE contra os alvos subversivos internos durante a administração do ex-presidente Emilio Garrastazu Médici. Ele ressaltou que o Brasil não pode ignorar a ameaça subversiva e terrorista, e que os métodos extralegais devem continuar sendo usados contra subversivos perigosos. A este respeito, o general Milton disse que cerca de 104 pessoas nesta categoria foram sumariamente executadas pelo CIE durante o ano passado, ou pouco antes. Figueiredo apoiou essa política e insistiu em sua continuidade.
4. O presidente, que comentou sobre a seriedade e os aspectos potencialmente prejudiciais desta política, disse que queria refletir sobre o assunto durante o fim de semana antes de chegar a qualquer decisão sobre sua continuidade. Em 1º de abril, o presidente Geisel disse ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que muito cuidado deveria ser tomado para assegurar que apenas subversivos perigosos fossem executados. O presidente e o general Figueiredo concordaram que quando o CIE prender uma pessoa que possa se enquadrar nessa categoria, o chefe do CIE consultará o general Figueiredo, cuja aprovação deve ser dada antes que a pessoa seja executada. O presidente e o general Figueiredo também concordaram que o CIE deve dedicar quase todo o seu esforço à subversão interna, e que o esforço geral do CIE será coordenado pelo General Figueiredo.
5. [1 parágrafo (12½ linhas) não desclassificado]
6. Uma cópia deste memorando será disponibilizada ao Secretário de Estado Adjunto para Assuntos Interamericanos. [1½ linha não desclassificada]. Nenhuma distribuição adicional está sendo feita. 

terça-feira, 8 de maio de 2018

Violência para garantir mineração de diamantes no Zimbábue

Espancamentos, prisões, restrições do direito de ir e vir, e até mesmo tortura são comuns nos campos de diamante, na região de Marange, no leste do Zimbábue. O Centro para a Governança dos Recursos Naturais - CNRG, membro da Coalização da Sociedade Civil do Processo Kmberley (KP)denuncia a situação de violações de direitos humanos, naquela região, bem como a participação do estado e dos guardas de segurança da mineradora ZCDC, de propriedade do governo do Zimbábue.  O KP é um processo de certificação de origem de diamantes  para impedir o comercio de diamantes procedentes de áreas de conflito, guerras civis e de violações de direitos humanos. O KP tem 54 participantes, representando 81 países, com a União Europeia e os seus Estados-Membros contando como um único participante. Os membros do PK são responsáveis por aproximadamente 99,8% da produção global de diamantes em bruto. Além disso, o Conselho Mundial de Diamantes, representando a indústria internacional de diamantes, e organizações da sociedade civil. Leia a nota na integra:

Senhora presidenta do Processo Kimberley

Escrevemos para chamar sua atenção para as graves violações dos direitos humanos que ocorrem em Marange Diamond Fields, no Zimbábue. Embora a KP (Processo de Kimberley) tenha mudado com relação ao Zimbábue, a realidade da mineração de diamantes no leste do Zimbábue é acompanhada de graves violações dos direitos humanos nas formas de violência direta e estrutural. A Comunidade Marange agora se enquadra na Lei de Áreas e Áreas Protegidas do Zimbábue - uma lei colonial que restringe severamente as liberdades básicas do povo de Marange - tudo em nome da proteção dos campos de diamantes. Marange é uma imensa prisão aberta onde os cidadãos são reduzidos a prisioneiros estaduais, onde devem ter consigo, em todos os momentos, um documento de identidade e são regularmente submetidos a prisões e espancamentos ilegais, se forem considerados mineradores artesanais. Senhora Presidente, nenhum ser humano merece viver em condições tão desumanas e degradantes. Também estamos preocupados com o uso da tortura como método de punir os garimpeiros. Os garimpeiros são regularmente algemados e os cães são colocados por guardas de segurança da mineradora ZCDC (Zimbabwe Consolidated Diamond Company (Pvt) Ltd ).

No dia 23 de abril, cerca de 2 mil moradores de Marange marcharam para as instalações do ZCDC para protestar contra as condições de prisão impostas a eles. A Comissão Nacional de Paz e Reconciliação, um órgão constitucional encarregado de promover a paz e a reconciliação nacional entrou em cena, não para investigar as causas profundas do protesto, mas sim para vitimizar ainda mais os envolvidos. Anexei a carta de reclamação do CNRG (Centro para a Governança dos Recursos Naturais) e a resposta chocante da NPRC (Comissão Nacional de Paz e Reconciliação) que confirma nossos temores de que sua visita foi mais de coleta de inteligência do que atender aos problemas em Marange. O relatório do Comissário Masunungure está repleto de falsidades - alegando que os membros da comunidade que participaram da manifestação eram compostos principalmente por uma multidão alugada que viajou mais de 700 KM de Hwange e Bulawayo para Marange para demonstrar. Eles tentam colocar a culpa no CNRG e minimizar as queixas genuínas do povo Marange. O nível de indiferença em relação ao sofrimento humano é chocante.

Senhora Presidente, estamos apelando a você para não poupar esforços em atender à difícil situação da comunidade de Marange. Acreditamos que é uma pena que os diamantes - supostamente um símbolo de amor, do outro lado da cadeia de abastecimento - mantenham toda uma comunidade na prisão e causem tanto sofrimento, morte e destruição no ponto de origem.

Como uma organização de direitos humanos, o Centro para a Governança de Recursos Naturais não encontra nenhuma razão, exceto a hipocrisia, para afirmar que os diamantes de Marange são livres de conflitos. Anexamos a carta da Coalizão da Sociedade Civil do KP pedindo o respeito dos direitos do povo Marange e uma petição apresentada, por nós em 2 de março de 2018, ao Parlamento do Zimbábue.

Senhora Presidente, estamos conscientes em relação aos perigos que também enfrentamos como organização, mas como Martin Luther Jr disse que nossas vidas começam a terminar no dia em que nos calamos sobre as coisas que importam. É precisamente nessa base que não podemos dormir bem em nossas casas e cidades quando toda uma comunidade está vivendo na prisão porque alguém em algum lugar está interessado nas pedras preciosas daquela comunidade. O Centro para a Governança dos Recursos Naturais acredita inequivocamente na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que afirma categoricamente que "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos".

Também estamos convencidos a acreditar que nenhum líder zimbabuano desejaria que suas próprias comunidades - onde nasceram e cresceram - vivessem nas mesmas condições de prisão que impuseram ao povo Marange. Em qualquer caso, Marange não é o único lugar onde a mineração artesanal está ocorrendo no Zimbábue e, no entanto, é a única comunidade que foi "protegida" pelo Estado.

Nós humildemente apelamos ao Processo Kimberly para agir sobre essa situação antes que ela fique fora de controle.

Obrigado


Farai Maguwu
Centre for Natural Resource Governance - CNRG*
O CNRG faz parte da Rede Diálogo dos Povos