sexta-feira, 27 de abril de 2018

Africa do Sul: greve contra salário mínimo de miséria

Centenas de milhares de pessoas saem às ruas África do Sul, nesta quarta-feira (25), chamados Federeção Sul Africana de Sindicatos (SAFTU sigla em inglês), seus afiliados e aliados na sociedade civil, em uma greve geral de protesto contra o salário mínimo nacional e emendas à lei trabalhista.

A SAFTU se opõe ao salário mínimo nacional proposto de R20 (equivalente a 5,62 reais) por hora, argumentando que não pode ser implementado em uma sociedade desigual como a África do Sul, onde a maioria dos trabalhadores recebe salários baixos. A Tabela Nacional de Salários Mínimos está atualmente no Parlamento e propõe a introdução de um pagamento mínimo de R20 por hora ou R3.464 (972,69 reais) por mês para 40 horas de trabalho por semana, excluindo os trabalhadores rurais, domésticos e do Programa de Obras Públicas Expandidas. O salário atual é de R2.200 (617,76 reais) Os sindicatos estão lutando por um salário de 12.500 rands. 

Segundo a SAFTU, a África do Sul tem o histórico mais constante de desigualdade social do mundo, “onde 10% da população ganha mais de 50% da renda familiar do país, enquanto 20% ganha menos de 1,5%”. As organizações que chamaram os atos de hoje entendem que o valor proposto para o salário mínimo do país fica abaixo da linha da pobreza e não ajudará a combater a desigualdade, já cada vez maior, entre ricos e pobres. Pelo contrário, “ainda manterá os trabalhadores condenados à pobreza, consolidará a estrutura salarial do apartheid e aumentará ainda mais a desigualdade de renda”, afirma a SAFTU.

Reivindicações

Além da questão do salário mínimo, os trabalhadores estavam protestando, contra alguns dos maiores ataques contra o movimento trabalhista em décadas. Estas incluem propostas de emendas à legislação trabalhista, atualmente perante o parlamento, que buscam restringir severamente o direito de greve ao introduzir a votação secreta pelos sindicatos; introduzindo medidas técnicas e processuais que os empregadores poderiam usar para interditar greves. Os sindicatos estão lutando para manter as empresas e o estado fora de seus assuntos internos democráticos.

A Paralização

De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Automóveis da África do Sul, quase todas as fábricas de automóveis do país foram fechadas. Entre eles, empresas como a BMW AG, a Ford Motor Co. e a Toyota Motor Corp.

O transporte público também foi severamente afetado. Os motoristas de ônibus estavam em greve desde alguns dias antes da greve desta quarta-feira. Isso pressionou outros meios de transporte, como trens e táxis. Sob o impacto da greve, o estresse na infraestrutura do trem causou um grande colapso do sistema na Cidade do Cabo. Isso trouxe uma enorme pressão nas estradas. Além disso, a greve geral na quarta-feira atingiu ainda mais o transporte público porque dezenas de milhares de trabalhadores usaram os trens. O resultado foi uma grande ruptura na economia. A greve dos motoristas de ônibus ainda está em andamento e está afeteando o transporte público em todas as grandes cidades. Os sindicatos, que incluem NUMSA (União Nacional dos Metalúrgicos da África do Sul) e Satawu (Sindicato Sul-Africano de Transportes e Trabalhadores Aliados), estão exigindo um aumento salarial de 12 por cento e melhores condições de trabalho.

FONTES: SAFTU, In Defense of Marxism, 

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